Arrábida continua sem carros e espera para ver efeito dos novos passes

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Modelo do ano passado foi aprovado com votos da maioria CDU que reconhece “incógnita”. Navegante pode trazer mais pessoas e com carros a serra arriscava ser um “grande Pedrógão”

 

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O relatório de Implementação da Estratégia Municipal para a Mobilidade Segura e Sustentável para Todos nas Zonas Balneares de Setúbal, que transmite as decisões da Câmara Municipal de Setúbal sobre como será o acesso às praias da Arrábida este Verão foi aprovada ontem em reunião de Câmara, por maioria, com votos contra do PS e PSD.

O documento reflecte medidas semelhantes aquelas que foram adoptadas na época balnear de 2018, com a circulação de automóveis particulares interdita na EN 379.1. Sendo apenas autorizada a circulação de veículos de emergência, concessionários de restauração e apoios de praia e serviços de transporte público.

A Arrábida sem carros regressa assim a partir do dia 15 de Junho, data em que se inicia a época balnear, e promete ficar até 15 de Setembro. Contudo, o executivo pondera medidas extraordinárias se as temperaturas se mantiverem elevadas para lá da época balnear, como se verificou em 2018.

Os autocarros da TST vão regressar também à circulação diária entre a cidade e a praia do Creiro. Sendo agora grande preocupação do executivo a maior afluência de passageiros que o passe social Navegante irá trazer.

Quanto aos estacionamentos disponíveis, os banhistas poderão voltar a deixar os carros no Centro Comercial Alegro, Estacionamento da Figueirinha, Cecil e Creiro e, a partir destes pontos, circular nas carreiras que a TST colocará em circulação.

Na praia da Figueirinha, a única do município distinguida com Bandeira Azul, o estacionamento terá capacidade para 273 viaturas.

Um plano que reflecte as mesmas medidas aplicadas com o plano “Arrábida Sem Carros” no Verão do ano anterior e cujo modelo implantado custou à autarquia, em 2018, mais de 1 milhão de euros.

 

Oposição defende acesso controlado mas não proibido

 

Durante a sessão de Câmara, realizada ontem, o vereador Manuel Pisco (CDU), em substituição da presidente, Dores Meira, que se encontra em exercício de funções fora de Setúbal, reforçou “a incógnita” principal para a circulação na Arrábida durante a próxima época balnear. “Como a circulação rodoviária pode ser alterada, em função de entrada em vigor do passe Navegante?”. Sendo que se perspectiva “mais movimentação no transporte de passageiros”.

Segundo o vereador as medidas tomadas para esta época balnear reflectem as mesmas soluções encontradas em 2018, com o objectivo de erradicar o estacionamento indevido na Arrábida durante o Verão.

O vereador do PS, Fernando Paulino, reforçou o que leva a oposição a manter o seu voto contra estas medidas em 2019. “O corte na circulação de trânsito entre a Figueirinha e o Creiro e a colocação de pilaretes na berma da estrada [EN 379.1]”.

A par desta justificação o vereador do PS alegou ainda o facto de a comissão de regulamento da Assembleia Municipal ainda não ter reunido e emitido um relatório sobre as medidas a implementar nesta época balnear, algo que apenas deverá ocorrer a 28 de Maio.

Ainda em oposição às medidas apresentadas na Estratégia Municipal para a Mobilidade Segura e Sustentável para Todos nas Zonas Balneares de Setúbal, Isabel Ramalho, vereadora do PSD não considera o trânsito vedado a particulares uma solução. No entanto, rejeita também o acesso ilimitado. “A nossa ideia [PSD] passa sim, por um acesso limitado e devidamente regulado, sendo que, para tal, existe legislação apropriada”, considera.

O vereador Carlos Rabaçal (CDU) apontou a oposição do PS e PSD às medidas apresentadas como acto “irresponsável”, alegando o facto da época balnear estar prestes a começar com riscos elevados para a população. “Porque sempre que a estrada está aberta ao trânsito é a confusão total”.

Para o vereador é urgente avançar já com a implementação de um plano. Em especial tendo em conta o risco de incêndio “que poderia levar à ocorrência de um ‘Pedrogão’ ampliado duas ou três vezes”.

Outra preocupação do vereador prende-se com o facto de, depois do término da época balnear, a manterem-se as condições climatéricas favoráveis para a deslocação às praias, o estacionamento indevido voltará ser um problema grave. “Por isso temos que começar a pensar em medidas para essa situação”.

Com estas alegações o vereador defende que “não vê outras soluções a não ser estas”.

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