Manifestação contra as dragagens junta menos pessoas do que a anterior

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APSS aponta início de dragagens entre hoje e o próximo dia 15. Manifestantes assumem luta contra processo até ao último instante. Fotografia: Alex Gaspar

Terão sido duas ou três centenas de pessoas, longe das mil de Setembro. Participantes foram incentivados a irem à reunião de Câmara marcada para quarta-feira.

 

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A manifestação que decorreu ontem ao final do dia, em clima de chuva e frio, contra as dragagens no rio Sado, em Setúbal, juntou no máximo três centenas de pessoas, num total inferior aos cerca de mil manifestantes que participaram no último protesto, em Setembro.

Os manifestantes concentraram-se no Jardim da Beira-Mar, com cartazes e palavras de ordem contra os trabalhos da draga que já se encontra no rio, desde sexta-feira, e que deve iniciar as dragagens durante esta semana.

O protesto foi convocado pela associação SOS Sado que anunciou no sábado a intenção de avançar com mais uma providência cautelar contra o projecto.

Durante a manifestação alguns responsáveis de organizações participantes no protesto apelaram às pessoas presentes para que marquem presença na próxima reunião da Câmara Municipal de Setúbal, marcada para quarta-feira. E, no local, foi montada uma tribuna pública, onde, entre outros, falou Raquel Gaspar, da Ocean Alive. “Portugal não pode deixar morrer o estuário do Sado”, disse a bióloga, que pediu aos presentes para ajudarem a passar a mensagem e a sensibilizar os responsáveis políticos.

As dragagens destinam-se a aprofundar os canais de navegação no Sado até aos 13 metros de forma a permitir a entrada no rio de navios de maior calado, sendo o Projecto de Melhoria das Acessibilidades Marítimas ao Porto de Setúbal, um investimento de 24,5 milhões de euros, da responsabilidade da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra.

A APSS confirmou recentemente que as dragagens começam esta semana “de 9 a 15”, mas não informou quando terminam ou em que local do rio vão começar. Dos 3,5 milhões de metros cúbicos de areia que vão ser retirados do Sado, a primeira parte vai ser colocada no aterro que servirá para acrescentar o terminal Ro-Ro.

A SOS Sado receia, entre outros problemas, que as dragagens possam destruir vestígios arqueológicos de antigos navios naufragados no Sado, embora a Declaração de Impacte Ambiental imponha que os trabalhos sejam acompanhados, em permanência, por um arqueólogo a bordo da draga.

 

Por: Francisco Alves Rito

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