Câmara avança com medidas para abordar matilha da Serra da Arrábida

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Silvio Carvalheira com "Pai", o líder da Matilha da Arrábida. ALEX GASPAR

A matilha da Serra da Arrábida está na mira da Câmara de Setúbal. Em conjunto com quem alimenta estes cães está a ser traçada uma estratégia para os abordar e dar-lhes melhores condições de vida

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por Humberto Lameiras e Alex Gaspar

A Câmara de Setúbal está a trabalhar numa estratégia para capturar e acolher o grupo de cães abandonados conhecido como matilha da Serra da Arrábida. Para hoje, está prevista uma reunião entre a vereadora responsável pelo bem-estar animal, veterinários e quem alimenta estes cães. “Vamos analisar qual a melhor forma de abordar esta matilha”, diz Sílvio Carvalheira, que tomou por sua conta a responsabilidade de alimentar e tentar controlar estes cães.

A matilha andou desaparecida durante seis dias, Sílvio Carvalheira e Sofia Almeida procuram-na dia e noite. ALEX GASPAR

Na edição da última segunda-feira, O SETUBALENSE publicou que esta matilha descia a vários locais da cidade de Setúbal e atacava as colónias, controladas, de gatos. O problema tomou tal dimensão que os cuidadores destas colónias dizem que algumas já estão reduzidas a metade. A situação é conhecida pela Câmara e a própria vereadora Carla Guerreiro comentou a O SETUBALENSE que estes cães, alguns deles silvestres, “não comem os gatos, matam-nos; está na sua natureza”.

Ao mesmo tempo que as colónias de gatos eram atacadas, surgiam receios de que estes cães atacassem também as pessoas, mas Carla Guerreiro esclarece que este medo não se justifica, no entanto aconselha que as pessoas a não se aproximarem da matilha. E o mesmo afirmou na última reunião de Câmara após a intervenção de Sílvio Carvalheira, como munícipe.

É recomendada precaução na aproximação à Matilha da Arrábida. ALEX GASPAR

Segundo Sílvio Carvalheira a matilha que cuida, cerca de 16 indivíduos, não pode ser responsabilizada por todos os ataques às colónias de gatos, e apontava a existência de outras. Mas também ele admitia que as pessoas não devem aproximar-se [dos seus] cães. “Foram abandonados e maltratados por pessoas, por isso reagem quando se sentem ameaçados”. Porém, acredita que alguns dos cães “podem ser reintegrados” para adopção.

Quanto ao processo que a Câmara de Setúbal está a usar para resgatar estes cães, Sílvio afirma que é ineficaz. Ou seja, os serviços do Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia (CROAC) “têm quinze armadilhas pequenas. Quando um dos cães é apanhado, os outros apercebem-se, dispersam, e não se aproximam das armadilhas”. O certo é que depois de terem sido capturados dois animais, o processo de resgate está mais difícil. E a própria vereadora reconhece que “não é fácil”.

Entretanto, depois da reunião de Câmara, Carla Guerreiro e Sílvio Carvalheira entenderam ponderar outros métodos para lidar com a matilha, uma delas poderá passar por encontrar um terreno para reter estes cães, alimentá-los, e evitar que desçam à cidade, isto até as obras do canil municipal estarem terminadas.

Sofia Almeida procura pelos “seus meninos” durante seis dias nos vários locais de encontro habitual. ALEX GASPAR

Outro passo é contactar com o CROAC de Sintra e saber como esta autarquia está a proceder, com sucesso, na captura e contenção de matilhas. Sintra decidiu criar parques específicos para as matilhas porque os cães silvestres se estiverem junto de outros atacam-se mutuamente. Quanto à captura, foi construída uma armadilha de ferro, com 30 metros quadrados, onde durante algum tempo os animais são alimentados, e somente naquele local. Com este processo, no espaço de um ano, foram capturadas seis matilhas.

Carla Guerreira admite também que estes cães assilvestrados não podem conviver com outros ‘simplesmente’ abandonados, pelo que é preciso uma solução, dai que esteja para ser agendada uma visita ao CROAC de Sintra. Por agora, a Câmara de Setúbal reconheceu Sílvio Carvalheira como cuidador da matilha da Serra da Arrábida, condição que até agora apenas estava prevista para colónias de gatos, para que a mesma seja alimentada e controlada

 

Canil aguarda verba para requalificação

O Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia de Setúbal tem um projecto de requalificação e alargamento, mas obra total está parada à espera de financiamento. “Não está embargada”, afirma a vereadora Carla Guerreiro para esclarecer algumas vozes. Entretanto, são os próprios funcionários do canil que estão a fazer algumas melhorias neste espaço.

Reconhece a vereadora que “neste momento o canil de Setúbal está sobrelotado”, daí a autarquia ter apresentado, no início deste ano, uma candidatura a fundos nacionais destinados à ampliação e construção de canis municipais, mas “a nossa candidatura, apesar de ter sido aprovada com mérito, não teve verba concretizada”. Trata-se de um fundo de 500 mil euros para todas as autarquias e “rapidamente esgotou”, critica.

“Pai” o lider da Matilha da Arrábida. ALEX GASPAR

Com, projecto mas sem dinheiro para requalificar o canil, a gestão CDU da Câmara com a aprovação da oposição, avançou para um pedido de empréstimo que “já foi atribuído”, afirma Carla Guerreiro, mas falta ultrapassar algumas metas burocráticas. E enquanto se espera pela verba, os funcionários do canil já prepararam a infra-estrutura de saneamento para ligar à rede principal e construíram um muro em redor do canil.

Quando a verba chegar, será reformulada a zona de boxes, construídos novos alvéolos e abrigos para 80 animais, colocado um piso de tela e rede envolta do espaço para evitar a fuga de animais.

Está ainda projectada uma zona alargada para que os animais conviverem o mais livremente possível. “Temos de estar preparados para a possibilidade de alguns dos animais não terem condições para serem adoptados. Mas também não podem ser abatidos, portanto temos de os abrigar para toda a sua vida com as melhores condições, e isso não acontece numa box”, diz Carla Guerreiro.

Momento de descanso depois da refeição. ALEX GASPAR

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