Sindicato reúne hoje em Setúbal para debater reivindicações à Navigator

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Segundo o sindicato a greve de quatro dias que terminou no Sábado ficou marcada por alegadas “ilegalidades da Navigator”. A empresa nega. Hoje uma nova reunião do sindicato marca o futuro das reivindicações por contractos e salários iguais.

 

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Manuel Bravo, dirigente sindical da Fiequimetal – Federação Intersindical afirma, em declarações a O Setubalense que os resultados dos três dias de greve na ATF – Navigator são “bastante satisfatórios”, com paralisação total na área da produção de papel no pólo de Setúbal, onde “nem uma folha saiu das máquinas”. Assim como nas unidades de Vila Velha de Rodão e Figueira da Foz.

Depois dos quatro dias de greve que terminaram Sábado, hoje a cidade do Sado recebe a reunião do sindicato.

“Durante a reunião iremos debater os próximos passos na reivindicação de um plano de carreiras abrangente para todos os trabalhadores do grupo The Navigator Company, assim como salários compatíveis com as progressões de carreira”, explica Manuel Bravo. Sendo este o motivo principal que levou à greve, depois da administração da empresa não ter chegado a acordo com os trabalhadores, ao fim de seis meses de negociações.

Reivindicações que, segundo o dirigente sindical “são determinantes para colocar todos os trabalhadores em igualdade salarial e de carreiras, uma vez que actualmente ainda existem diferenças entre os pólos que a empresa mantém de norte a sul do país”.

A Fiequimetal alega ainda irregularidades cometidas pela administração da empresa. “No decorrer da greve a Navigator cometeu ilegalidades para contornar os impactos da greve. Em Setúbal, assim como nas outras unidades em greve, a empresa efectuou a substituição dos trabalhadores grevistas com recurso a trabalhadores de origem desconhecida. O que consideramos ilegal”.

Na sexta-feira, Manuel bravo afirmava inclusive que havia trabalhadores a serem transportados em autocarros da empresa diretamente para o interior das fábricas, numa tentativa de contornar a paralisação e de inviabilizar o contacto com os piquetes de greve.

Para já o dirigente confirma que foi apresentada queixa à Autoridade para as Condições do Trabalho.

 

PCP solidário com trabalhadores. BE questiona Governo

 

Durante a greve, a deputada do PCP, Paula santos, esteve em contacto com dezenas de trabalhadores que formavam o piquete de greve em Setúbal, constituído pela comissão sindical, estando também membros da comissão de trabalhadores.

Paula santos apresentou a solidariedade do PCP com a luta dos trabalhadores e afirmou que são justas as suas reivindicações pelo reenquadramento salarial e a revisão do plano de carreiras em vigor no grupo The Navigator Company.

Entretanto, o grupo parlamentar do BE anunciou ter questionado o governo sobre a situação nas empresas e as reivindicações dos trabalhadores.

No texto dirigido a Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, os deputados Sandra Cunha, Joana Mortágua, José Soeiro e Isabel Pires questionam se têm existido inspecções à The Navigator Company, “nomeadamente com fundamento em discriminação salarial ou com base em inadequado enquadramento de carreiras”. Os deputados questionam ainda quais os resultados das acções inspectivas.

Através desta exposição, os deputados pretendem ainda saber se o Governo está disponível para promover a negociação entre as estruturas representativas dos trabalhadores e as empresas, “com vista a alcançar um acordo que permita ir ao encontro das reivindicações dos trabalhadores e ao cumprimento da lei”.

 

The Navigator Company nega motivos para greve

 

Após os quatro dias de greve, em declarações à Lusa, fonte oficial do grupo The Navigator Company afirma que, a empresa não tem mais comentários a fazer.

Em declarações anteriores, na quarta-feira, durante o primeiro dia de paralisação, a Navigator havia reafirmado que não encontrava justificação para esta greve. A administração recordou ainda que a empresa “reduziu o horário de trabalho de 40 para 39 horas semanais em 2019 e para as 38 horas semanais a partir de 2020”.

Um fundo de pensões garantido a todos os seus trabalhadores e prémios de performance de mais de 80 milhões de euros atribuídos aos seus colaboradores nos últimos cinco anos, são também argumentos de contestação da greve apresentados pelo grupo empresarial.

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