Albérico Afonso Costa reúne lugares de Zeca Afonso em livro

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“Lugares de José Afonso na geografia de Setúbal” é o mapa dos sítios aos quais o cantor e poeta da liberdade esteve ligado aquando da sua passagem pela cidade

 

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Se fosse vivo, Zeca Afonso faria este ano 90 anos. Na sexta-feira à noite, ele esteve vivo entre todos os presentes que foram até à Casa da Cultura para assistir à apresentação do livro “Lugares de José Afonso na geografia de Setúbal”.

 

Foi com a Sala José Afonso lotada, e com moderação de José Teófilo Duarte, que Luísa Tiago de Oliveira, Viriato Teles e Isabel do Carmo partilharam histórias e vivências e apresentaram a obra da autoria de Albérico Afonso Costa, que revela os locais icónicos da cidade sadina associados a Zeca Afonso.

 

“É importante dizer que a presença de José Afonso marca a cidade mas a cidade também marca José Afonso. Quando chega a Setúbal, em 1967, estabelece uma rede de sociabilidades muito diversas e passados poucos meses faz o seu primeiro espectáculo como homem das canções no Clube de Campismo”, começou por dizer Albérico Afonso Costa, o autor do livro, destacando e constatando a forte ligação de José Afonso a Setúbal.

 

Zeca Afonso, um dos fundadores do Círculo Cultural de Setúbal, onde existe hoje a Casa da Cultura, “teve uma intervenção política muito forte na cidade” e gostava de Setúbal e das suas gentes de uma forma muito peculiar. Nas suas próprias palavras, também presentes no livro, Setúbal era a cidade onde toda a gente o tratava por tu e a qual com que mais se identificava.

 

Neste livro, o professor e investigador Albérico Afonso Costa faz-nos uma visita guiada a sítios como o antigo Liceu Nacional de Setúbal, onde José Afonso foi nomeado como professor em 1967, o edifício onde funcionaram o departamento e os calabouços da PIDE, no Bairro Salgado, onde esteve detido várias vezes, e o Clube Naval Setubalense, onde Zeca Afonso marcou presença no primeiro comício do 1º de Maio de 1974 como orador.

 

A obra reúne o roteiro e testemunhos de várias pessoas que privaram com Zeca Afonso, tendo por base material documental fornecido pela Associação José Afonso.

 

“Esta é uma iniciativa que a AJA acolheu com particular entusiasmo. Esta ideia de cartografar os lugares de José Afonso na cidade de Setúbal, a Barcelona portuguesa ou a Cidade Vermelha, na expressão do Albérico Afonso, é muito significativa”, disse João Madeira, em nome da Associação José Afonso, aproveitando ainda para frisar a importância de divulgar “a obra musical e a obra cívica do José Afonso, a sua intervenção em momentos que foram cruciais na nossa história recente”.

 

“Existe um antes e um depois da passagem de Zeca Afonso por Setúbal”.

Podemos afirmar que todos os amigos de Zeca que na sexta-feira à noite se sentaram à mesa para apresentar a mais recente obra que homenageia o cantor e compositor português concordaram com as palavras de José Teófilo Duarte, que diz no seu testemunho incluído no livro que “existe um antes e um depois da passagem de Zeca Afonso por Setúbal”.

 

Na sua intervenção, Isabel do Carmo, médica e activista política, recordou com saudade histórias e vivências que partilhou com José Afonso, destacando a importância dos cafés e das livrarias da cidade e da Arrábida na sua vida e nos seus poemas e outros escritos. Luísa Tiago de Oliveira, por sua vez, começou por dizer que este é um livro que reúne “múltiplas dimensões”, entre as quais se encontra o facto de ser um roteiro da cidade de Setúbal com os lugares do Zeca, as colectividades e os cafés, onde as pessoas se encontravam, as casas onde viveu, as escolas onde deu aulas e todas as acções cívicas em que participou e se empenhou.

 

Comum a todas estas vertentes da sua vida é, nas palavras da historiadora, o afecto pela cidade de Setúbal, por Azeitão, pelo mar e pela serra mas sobretudo pelas suas gentes – e esse afecto “é o que testemunha este livro nas suas múltiplas formas, na iconografia, nos textos e nos testemunhos”.

 

Também Viriato Teles, jornalista, marcou presença, concordando com o moderador José Teófilo Duarte, por dizer que “não há um Zeca, há vários, cada um de nós tem o seu”. Entrevistou Zeca Afonso várias vezes mas considera que “nunca vamos saber tudo sobre ele”.

 

Mais de quatro dezenas de locais setubalenses a que o poeta da liberdade esteve ligado estão assim a partir de agora reunidos numa publicação, editada pela Associação José Afonso, com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal e do Instituto Politécnico de Setúbal e concepção gráfica da DDLX, que se insere nas comemorações do 90º aniversário do cantautor que escolheu Setúbal para viver nos seus últimos 20 anos.

 

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