“Enquanto não conseguirmos fixar médicos em Setúbal nem hospitais renovados vão ser solução”

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Eurídice Pereira

Novas Unidades de Saúde Familiar nos concelhos da Moita e do Seixal ficam concluídas e 2020. Um novo Serviço de Urgência Geral em Setúbal também está previsto para os próximo anos. Na península ficam a faltar soluções para fixar médicos

 

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Perante a crise que contagiou os serviços de urgência hospitalar da península nos últimos dias, Eurídice Pereira, membro da Comissão Parlamentar da Saúde, aponta dossiers prioritários para o Governo em Setúbal.

No topo da lista está um novo Serviço de Urgência Geral para o Centro Hospitalar de Setúbal e “sobretudo” fixar mais médicos.

Sobre como estas soluções vão ter o impacte necessário para resolver crises idênticas àquela a que assistimos nos últimos dias nos Serviços de Urgência Geral e Pediátrica que servem a península, a deputada reeleita pelo círculo de Setúbal deixa “clarinho que nem água” que, os ganhos estão em capacitar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para ter mais força que o sector privado.

Mas, afinal, o que está a falhar no serviço público de saúde a sul de Lisboa? “O que falha a sul é o mesmo que falha a norte”, identifica Eurídice Pereira. Profissionais e infraestruturas.

 

“Médicos devem dedicação ao Serviço Nacional de Saúde”

 

Na gestão da Saúde a sul do Tejo, a deputada defende autonomia em relação a Lisboa, afirmando que o distrito de Setúbal não pode estar dependente nem do privado, nem do encaminhamento de doentes para serviços em hospitais da capital.

A solução ideal para a autonomia passará “sim” por novos serviços de Saúde, mas “sobretudo” por mais médicos. “Eles devem essa dedicação ao SNS. O Estado financia a sua formação nas universidades púbicas e os concursos, como o que que abrimos este ano para colocar médicos em Setúbal, não podem ficar por preencher”.

Para a deputada isto “é o que está a ser problemático e deve ser resolvido já, com urgência. Enquanto não formos capaz de fixar médicos na região nem hospitais renovados vão ser solução”.

Na legislatura que encerra agora uma das prioridades do PS foi a alteração da Lei de Bases da Saúde para que o sector privado não seja concorrencial ao sector público. A começar pela dedicação dos médicos que continuam a procurar os privados para carreira.

 

Que soluções para a península de Setúbal?

 

O parecer de Eurídice Pereira é também incisivo sobre a necessidade de olhar para infraestruturas hospitalares e avaliar as suas capacidades para suportar serviços.

“No Litoral Alentejano e no Barreiro os Serviços de Urgências de ambos os centros hospitalares foram requalificados. Ainda para o Hospital do Barreiro aguardamos a chegada de um acelerador para radioterapia e deste modo melhor a assistência aos doentes oncológicos da região”.

Em Setúbal nascerá, “talvez na próxima legislatura” um novo Serviço de Urgência Geral, que permitirá também prestar resposta a doentes do Hospital do Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão.  O motivo central para esta requalificação fica esclarecido “os espaços actuais não têm, condições para dar a resposta necessária, apesar do esforço continuado dos profissionais de saúde”.

A solução permitirá também autonomia face a Lisboa. “Deste lado do Tejo tem que haver capacidade de resposta e não podemos estar dependentes de Lisboa”.

 

Unidades de Saúde Familiar são resposta completar essencial

 

Ainda antes da articulação, entre mais profissionais da Saúde e melhores serviços de urgência hospitalar nasce a relevância de novas Unidades de Saúde Familiar (USF) na península.

“A do Pinhal Nova está concluída e prestes a ser inaugurada, o que permitirá melhor apoio aos utentes de Palmela e menos constrangimentos tanto para as urgências do Centro Hospitalar de Setúbal como para as Urgências do Centro Hospitalar Barreiro Montijo”.

Dentro da península mais duas USF ficam concluídas durante a próxima legislatura, assegura a deputada. “Na Baixa da Banheira [concelho Moita] aguardamos apenas a aprovação do Tribunal de Contas para iniciar a obra”. O projecto tem um prazo de execução de 540 dias a partir da data de início da obra e conta com um investimento de 2 milhões e 400 mil euros.

Em Corroios, depois de três décadas, a construção do novo centro de saúde também avança para conclusão em 2020. “Aqui o apoio pode vir a ser significativo na retirada de doentes da urgência do Hospital Garcia de Orta”.

“Também em Sesimbra a autarquia prepara uma candidatura para a construção de um novo centro de saúde”.

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