A setubalense com coração de bailarina

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Para perseguir o sonho de ser bailarina profissional, Matilde Santos está a fazer as malas para partir para Nova York. Uma viagem que começou na cidade do Sado na “melhor escola para se estudar dança”, a Academia de Dança Contemporânea de Setúbal

 

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Aos 19 anos, Madonna chegou a Nova York e entra na escola de Martha Graham, a bailarina mentora da dança moderna. E alguma coisa Martha Graham mudou na ‘transgressora’ diva da Pop, para além da arte dança, deu-lhe o conceito e a alcunha de “Madame X”. E “Madame X” é o nome do álbum de estúdio que Madonna acaba de lançar em memória a esses seus finais dos anos 70.

Matilde Santos, com 18 anos, vai entrar em Setembro na Escola Martha Graham, na grande Manhattan. Setubalense, nascida em Outubro no Hospital de São Bernardo, vive nas Manteigadas e foi aqui que começou a sonhar em ser bailarina.

“Da minha casa vê-se o edifício da Academia de Dança Contemporânea de Setúbal e eu, e a minha irmã, quisemos estudar lá”, lembra Matilde Santos. Falaram em família e, aos seis anos, começou na classe de iniciação. Mas a arte do movimento expressivo não a conquistou de imediato. “Quando terminei aquela fase decidi parar”.

Porém, um ano depois estava de volta, por culpa da irmã. “Ela entrou no curso de formação de bailarinos e contava-me coisas giras sobre o que aprendia e fazia”. Fez uma audição, entrou para o 5.º ano e lá ficou até ao 12.º. “A Academia de Dança Contemporânea de Setúbal é uma escola de ensino articulado, dá-nos os conhecimentos do básico e secundário e a especificidade da dança”, diz Matilde que foca, particularmente, a “Pequena Companhia” onde os alunos entram no mundo nas artes cénicas e apresentações públicas.

“A melhor escola para se estudar”, assim o afirma, permitiu-lhe aprender os três tempos diferentes da dança: Clássica, Moderna e Contemporânea. Na dança Moderna, tem grande influência da inovadora Martha Graham o que cativou Matilde que reconhece a sua maior tendência para esta técnica e também a Contemporânea.

Terminada a formação em Setúbal, a bailarina Matilde Santos quis, e quer, subir ao estatuto de bailarina profissional. Tentou entrar numa escola de licenciatura em Inglaterra e outra na Holanda, mas não conseguiu. Mas a Academia permitira-lhe ficar mais um ano e continuar a perseguir o seu sonho.

“É preciso ter muita paciência e persistência para seguir a dança. Temos de trabalhar com dedicação”. É que “os resultados na dança não aparecem de repente. Temos de nos ver crescer; o nosso corpo vai sendo educado gradualmente”, este foi seu método, e a mensagem que deixa a quem sonha seguir esta arte.

Quando fez 18 anos, pediu aos pais, como prenda, uma viagem a Nova York. No mês do seu aniversário musculava o seu sonho e começava a preparar os primeiros passos para entrar na Escola Martha Graham. Em Janeiro deste ano, estava a frequentar o curso de inverno na ‘Big Apple’ e, duas semanas depois, fazia uma audição para entrar na escola da norte americana que queria desvendar a alma humana através da dança.

De volta a Portugal, um dia Matilde recebe por e-mail, a informação que tinha sido aceite na Escola de Dança Contemporânea Martha Graham. Pelo que lhe foi dito, é a primeira portuguesa a frequentar esta escola criada em 1926, a mesma que ‘ensinou’ Madonna.

Agora, com dois anos de formação superior pela frente, a jovem setubalense, tímida – como se reconhece –, ergue mais alto o seu sonho de ser bailarina, e garante o rigor de trabalho: Dedicação, persistência e paciência. E já traçou o passo seguinte, “Quero entrar na Companhia Martha Graham, só fica quem fez os estudos na escola”. Mas, se assim não acontecer, “pretendo fazer audições noutros sítios e trabalhar projectos. Seja como for, está certa na sua cabeça a decisão: “não vou voltar a Portugal”, por falta de aplicação do país para dar dimensão esta arte.

“Quero chegar a alto nível da dança internacional. Temos de ser realistas, mas se trabalharmos para isso, conseguimos. Sou ambiciosa”, afirma.

 

 

Em Nova York sem esquecer Setúbal

Para Matilde Santos, a presença da Academia Dança Contemporânea de Setúbal quase à sua porta foi uma oportunidade para idealizar o seu futuro de bailarina. “Não podia ter escolhido melhor escola para me formar”. Mas o sonho que começou em Setúbal, parece não poder continuar em Portugal.

“Em Portugal não se liga muito às artes, por isso os artistas saem. Sinto que aqui não tenho futuro, por isso vou para fora”, reflecte Matilde. E lamenta que se as coisas assim continuarem “ficamos com uma só companhia de dança, o que é muito limitado”

São casos como o português Marcelino Sambé, recentemente promovido a bailarino principal da companhia de dança Royal Ballet, do Reino Unido, que dá razão à decisão de Matilde de se lançar em mercados culturais onde a arte é mais reconhecida e recompensada.

Mas seja onde for o mundo da bailarina Matilde Santos, afirma que não vai “nunca esquecer” o apoio que recebeu da família e da sua Academia em Setúbal, e sita as professoras ligadas à dança que mais a marcaram. “Não vou nunca esquecer as professoras Marina Sarmento, Iolanda Rodrigues, Maria Ruas e Patrícia Silva”; são palavras de quem em Setembro vai estar a ser desafiada na talvez melhor escola de dança moderna.

E, insiste: “Não podia ter escolhido melhor sitio para me formar do que a Academia de Dança Contemporânea de Setúbal. Introduziu-me na técnica Graham e isso lançou-me desafios e alargou-me horizontes”.

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