Já só há uma embarcação de pesca de sardinha em Setúbal

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Profissionais culpam Docapesca por horário do leilão e falta de condições de trabalho e segurança que afastam armadores

 

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A “Mãe de Jesus” é a única embarcação de pesca de sardinha que persiste na Doca dos Pescadores, depois de todas as outras terem rumado a outros portos, principalmente Sesimbra devido aos horários e funcionamento da lota. Em dez anos, 14 das 15 embarcações que tinham na Doca dos Pescadores o porto de abrigo saíram. Em janeiro, a embarcação de pesca de sardinha “Segredos do Mar” partiu para Sesimbra.

Ricardo Santos, presidente a cooperativa de pescas Sesibal, considera que “Setúbal devia estar envergonhada” e responsabiliza a Docapesca pela fuga das embarcações para Sesimbra, onde “há melhores condições de segurança e funcionamento”.

Na “Mãe de Jesus”, o mestre de embarcação, Rui Russo, responsabiliza a lota “pela morte lenta” da pesca da sardinha de Setúbal, mas não avança para a saída da embarcação para Sesimbra, muito em parte devido ao amor que Rui e o armador, seu pai, nutrem pela cidade. Os pescadores criticam a entidade pública gestora da lota por não querer alterar o horário de funcionamento do espaço em Setúbal, onde funciona a partir das 20 horas, para um mais semelhante ao de Sesimbra, que funciona às seis e 16 horas. Também o roubo de chumbos nas redes de pesca depositadas no molhe da Docapesca põe em alerta os pescadores. A “Mãe de Jesus” foi alvo deste tipo de roubo no valor de dois mil euros.

Na embarcação construída em 2002 e que nunca saiu de Setúbal, encontra-se aquele que é talvez um dos mais jovens pescadores de Setúbal, Luís Santos, com 20 anos, critica a Docapesca, tal como os seus colegas, muitos com mais de 60 anos pela saída para Sesimbra. No ano passado, a lota de Sesimbra transacionou 21.278 toneladas de pescado, enquanto que na lota de Setúbal foram vendidas 1.808 toneladas. Neste período Sesimbra faturou perto de 25 milhões de euros e Setúbal cinco milhões e meio.

“É muito triste assistir ao fim da pesca de sardinha em Setúbal, uma cidade com tanta tradição nesta área”, refere o jovem pescador, um dos poucos que com 20 anos contrariam o risco do fim da pesca devido idade avançada dos profissionais. Para Luís, o futuro da pesca em Setúbal não é nada risonho. “Fala-se em falta de pescadores, mas o principal problema passa pelas condições de trabalho para as embarcações na lota”. Carlos Chagas, 64 anos, é o tripulante mais velho da “Mãe de Jesus” e considera, tal como o colega mais novo, que o horário de funcionamento da lota “está a prejudicar a pesca que muito lentamente vai morrendo. Sou pescador há 30 anos e nunca vi tão poucos pescadores em Setúbal”.

 

Doca Pesca recusa responsabilidades em horário de leilão

 

A Docapesca assume a melhoria das condições de segurança no molhe onde se encontram as redes de pesca, para evitar novos roubos, mas recusa responsabilidades na alteração do horário de funcionamento, que diz ter sido “recusada por um grupo de compradores que frequentam o leilão”. “A Docapesca promoveu a realização de reuniões em anos anteriores, com vista à antecipação do horário do leilão de pescado” Contudo, adianta, “devido à apresentação de um abaixo-assinado por parte de alguns compradores da lota de Setúbal, não foi possível dar continuidade a esta proposta”. Acerca da melhora das condições de segurança, a Docapesca admite ter conhecimento “de alguns furtos” e garante o futuro reforço da segurança, “através da instalação de um sistema de câmaras de videovigilância”.

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