Cidade mostra desenhos que fazem ver

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A Festa da Ilustração de Setúbal começou como um grito pela liberdade de expressão e é assim que a autarquia quer que ela se mantenha. Cristina Sampaio é a artistas convidada numa festa que vai ter trabalhos de Tignous, um dos assassinados do Charlie Hebdo, e do veterano Manuel Lapa

 

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Em Janeiro de 2015 o semanário francês Charlie Hebdo foi atacado por terroristas fundamentalistas, um ataque onde foram mortas 12 pessoas, entre elas cartunistas do jornal e, entre estes, Tignous. A Festa da Ilustração, em Setúbal, começou em Junho daquele mesmo ano e na edição de 2019, um dos pontos fortes é precisamente a mostra de ilustrações de Tignous.

São trabalhos escolhidos pela viúva do cartunista francês, a convite de ilustradora Cristina Sampaio. “Aceitou com muito gosto”, afirmava ontem a artista contemporânea que é a convidada da edição deste ano com a exposição “Linha Clara” que vai estar em duas salas da cidade: Casa da Cultura e Casa D’Avenida.

A Festa da Ilustração, que vai continuar a interrogar “É preciso fazer um desenho”, vai ter abertura oficial ao bater das 24h00 de 31 de Maio para 1 de Junho. Para além de Cristina Sampaio e Tignous terá também trabalhos de Manuel Lapa.

Para o vereador da Cultura da Câmara de Setúbal, a interrogação lema da festa “vai ter de continuar”. Aliás, na sua opinião o que se mantém desde a primeira edição como interrogação “precisa de passar a afirmação; “É preciso fazer um desenho!”, diz, isto para continuarmos a acreditar que o desenho explica muito daquilo que se passa no mundo”. Considera Pedro Pina que “continuamos em tempo de resistência”; tempo daqueles que “criam e continuam a transmitir a liberdade de pensamento e forma de olhar o mundo”.

 

Tignous, ilustrações de uma força muito particular

 

Opinião idêntica foi apresentada por João Paulo Cotrim, curador da Festa da Ilustração. “Parecia-nos que tínhamos conseguido a derradeira conquista da liberdade, mas estamos longe disso”. E neste contexto destacou os trabalhos de Manuel Lapa, “um veterano de saia justa e salto alto que é politicamente incorrecto”.

Desafiante é entendido também o trabalho de Cristina Sampaio que, amiga de Tignous, interpreta o trabalho do ilustrador como de “força muito particular” ao mesmo tempo entende que a exposição das ilustrações deste autor na Festa da Ilustração “significa a homenagem a todos os ilustradores do Charlie Hebdo. Tignous está presente na Festa da Ilustração com a exposição “Ilustrar a Liberdade”, dividida entre o Museu do Trabalho Michel Giacometti e a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal.

Um dos destaques na edição deste ano é o crescimento da exposição “Ilustração Portuguesa”, que, revelou João Paulo Cotrim, teve um número recorde de inscrições. Adiantou ainda o curador que “além dos ilustradores clássicos, que continuam a trabalhar e têm conseguido de alguma forma renovar-se, também recebemos inscrições de novos ilustradores. A adesão foi incrível e bateu recordes”.

Uma das referências do certame deste ano é a mostra de trabalhos de ilustradores portugueses que se destacaram em 2018 e 2019. Vai estar patente na Biblioteca de Azeitão e num dos novos espaços expositivos do certame, a galeria Lapso, na Rua Arronches Junqueiro.

A renovada Livraria Culsete, outro espaço que se estreia como núcleo expositivo da Festa da Ilustração, acolhe uma nova rubrica, “Desenhos nos Livros”, com trabalhos da jovem ilustradora e designer Mariana Malhão.

Outra novidade na edição 2019 é o prolongamento de algumas exposições, que vão ficar patentes durante três meses. Diz o vereador Pedro Pina que esta “é uma forma de dar a conhecer o trabalho dos ilustradores durante mais tempo”.

O autarca destacou ainda a presença de novos ilustradores de Setúbal ao lado de nomes nacionais nesta Festa da Ilustração que, defende “nunca vai abdicar da liberdade que esta própria festa dá”.

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