Seixal comemora 1.º de Maio com escultura aos Sinistrados no Trabalho

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Portugal é dos países da União Europeia com maior número de acidentes de trabalho. Para ajudar a inverter este indicador, a Câmara do Seixal decidiu assinalar o Dia do Trabalhador com um monumento que alerta todas as entidades, e o Governo, para que sejam tomadas medidas

 

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O primeiro monumento aos Sinistrados no Trabalho, em todo o espaço da União Europeia, foi erguido ontem na Aldeia de Paio Pires. Quem o afirma é o presidente da Associação Nacional dos Deficientes Sinistrados no Trabalho que elogiou a decisão da Câmara do Seixal em celebrar o 1.º de Maio com esta obra escultórica.

“Este memorial é o primeiro na União Europeia dedicado a este motivo, e desejamos que seja replicado por todo o país”, dizia ontem Luís Machado sobre esta escultura erigida na rotunda no entroncamento da Avenida dos Metalúrgicos (EN378-1) com a Avenida General Humberto Delgado (EN10-2).

Ao lado do presidente da Câmara, Joaquim Santos, e de outros autarcas, Luís Machado realçava a importância deste monumento “há muitos anos desejado pela associação”, principalmente quando “Portugal é dos países europeus onde mais acidentes de trabalho ocorrem”. E referindo dados estatísticos de 2018, lembrou que no país “registaram-se mais de 200 mil acidentes de trabalho”, número que afirma “pecarem por defeito”. O relatório regista ainda que destes acidentes “mais de 130 resultaram em mortes no local de trabalho”.

Acrescentava este responsável que uma parte dos acidentes de trabalho “são causados por insuficiente fiscalização e por não serem cumpridas as leis da República”. Assim sendo, “a prevenção é o princípio de tudo”.

Esta foi a matéria que deu inspiração ao escultor Sérgio Vicente para o monumento aos Sinistrados no Trabalho. Um processo criativo “difícil”, assumia durante a inauguração. “Quis demonstrar a necessidade de defender as questões de higiene e segurança no trabalho”. A isto o presidente da União de Freguesias do Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, António Santos, acrescentava que este fundamento “faz parte do Direito Constitucional”.

 

Réplicas do monumento vão ser oferecidas

a vária entidades e a membros do Governo

 

Situada em duas artérias EN10, no caminho para a Siderurgia Nacional, a rotunda onde agora se ergue o monumento que homenageia todos os homens e mulheres vítimas de acidente de trabalho ou de doença profissional, foi pensada para “resolver um problema de sinistralidade”, explicou o presidente Joaquim Santos. E, ao tratar-se da confluência de duas estradas nacionais, a sua construção “não deveria ser competência do município” mas, “mais uma vez depois de tantos impasses, a Câmara decidiu avançar”.

Com a obra feita, a autarquia decidiu aproveitar a rotunda para, no seu centro, pôr de pé um monumento que merecia ser feito. “Há muito que queríamos fazer uma homenagem a esta realidade do mundo dos sinistrados do trabalho”, dizia o autarca acrescentando que este monumento “envolveu o trabalho conjunto de muitos, entre Câmara Municipal, Associação Nacional dos Deficientes Sinistrados no Trabalho e também empresas”.

Por todas as pessoas e entidades que persistiram para que esta obra escultórica fosse uma realidade, o presidente Joaquim Santos considera-a também “mais uma prova do espírito de equipa que existe no concelho”. Foi este trabalho de equipa que “fez o concelho passar de um território rural para, 45 anos depois do 25 de Abril, ser um dos municípios mais desenvolvidos do país”.

Entretanto, por indicação do executivo da Câmara do Seixal, vão ser feitas “réplicas deste monumento para oferecer a vários decisores, e assim mobilizar outras localidades e instituições, nomeadamente o Governo e entidades patronais, para que o país consiga reduzir a sinistralidade no trabalho”, disse Joaquim Santos.

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