Espírito medieval animou Alvalade durante três dias

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18ª edição da Feira Medieval de Alvalade promoveu o comércio local. Vila alentejana viveu tradições históricas

 

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Entramos numa longa rua, cheia de cores com bandeiras suspensas e comerciantes de um lado e de outro, vendendo os seus produtos e regressamos atrás no tempo. As casas e estabelecimentos disfarçados com tecidos, integravam-se no ambiente. Artesãos de loiça de barro e de bijuteria, leitura de mãos, tatuagens henna e doçaria conventual não faltam.

A Taberna do Corno e a Taverna Filhos da Mãe, entre muitas outras com nomes igualmente peculiares, ofereciam bebidas para todos os gostos, mas sempre com copos de barro para que a magia da viagem no tempo não se quebrasse.

No secretariado, num largo no meio da feira, de responsabilidade da Associação Cultural Amigos de Alvalade (ACAA), era possível comprar vestes para se estar adaptado à aula ao ar livre. O espírito histórico, da época de D. Manuel I pairava no ar, principalmente com as personagens que passavam, cuja indumentária definia a que classe pertenciam. Nas mulheres, que se destacavam, sobressaiam as saias compridas e roupas com cordões, bem como coroas de flores entrelaçadas nos cabelos.

Não faltou animação pelas ruas da vila que integram a iniciativa. Malabarismo, teatro e percussão animavam cada esquina. “Muitos grupos de animadores são pessoas da terra”, esclareceu Maria Antónia Pacheco, alvaladense e residente em Santiago do Cacém. Há uma forte interacção e integração da população no evento.

Não são muitas ruas que estão mascaradas e de regresso ao século XVI, mas isso é natural, devido ao facto de Alvalade também não ter uma grande área. Ainda assim, dada a dimensão, o evento “necessita de cerca de um ano a organizar. Quando acabamos uma edição, começamos logo a planear etapas a cumprir para preparar mais uma feira”, explicou Ana Rita Vieira, secretária da Assembleia Geral da ACAA, a O SETUBALENSE.

O calor do Alentejo fazia-se sentir e a presença de todas as faixas etárias também, numa feira familiar com lugar para os mais novos e para os mais velhos. “Medieval dos pequeninos” era a zona dedicada às crianças que, para além dos jogos medievais e carrosséis que podiam experimentar, todos eles em madeira, tinham a possibilidade de desenhar com penas, à moda antiga, e observar aves bem de perto, na Falcoaria.

Nem a chuva que acabou por aparecer, deixou que as ruas tivessem menos gente. Pelo contrário, com o cair da noite os visitantes aumentaram. Ana Rita Vieira, que está no projecto da ACAA há dois anos, mas que desde 2001 participa na organização da feira, esclareceu que o grande ponto forte da feira é precisamente a adesão. “É sem dúvida, o facto de sermos considerados como um dos maiores eventos do Litoral Alentejano, o que nos deixa bastante orgulhosos. É uma feira medieval que traz cerca de 15 mil visitantes à nossa vila alentejana, tornando o comércio local mais produtivo.”

Ana Rita Vieira não deixou, no entanto, de referir que o público é cada vez mais atento e rigoroso. “Um ponto que é menos favorável, é o facto de ser uma feira que apresenta uma envolvência enquadrada no tempo histórico, para um público cada vez mais exigente. Tento dizer que, embora procuremos fazer sempre mais e melhor, pela feira, chega a um ponto que a inovação com base numa forte aposta em animação e decoração, deixa-nos um pouco sem margem, dado que somos uma associação sem fins lucrativos.”

Na Feira a sua função passa pela “distribuição dos trajes medievais e do livro publicitário patrocinado pelas entidades locais e regionais”, contou. São os membros da ACAA, esclareceu, que se responsabilizam por tudo, porém, Ana Rita Vieira disse: “somos gratos pelos inúmeros voluntários que nos ajudam em toda a montagem”.

Luís Raposo, Presidente do Futebol Clube Alvaladense (FCA) confirma, explicando que a representação do clube na feira, na tentativa de obtenção de lucros, é feita por um corpo de voluntários. As pessoas que trabalham durante os três dias, nos dois espaços de restauração e bar que o FCA ocupa, fazem-no em regime de voluntariado. O clube da terra, pertence, portanto, à organização do evento, tal como outras entidades.

“A realização da feira é importante porque é uma boa fonte de receita para as actividades ao longo do ano, nomeadamente ao fomento da prática desportiva.” Para além do futebol, acrescem muitas outras iniciativas “de interesse recreativo e cultural, para os sócios e população em geral”, esclareceu Luís Raposo.

A feira medieval, que terminou este domingo (15), contou com um aumento do apoio financeiro, este ano, o que revela o reconhecimento por parte da autarquia, da relevância do certame local. Contou com uma verba de dez mil euros, atribuída pela Câmara de Santiago do Cacém, mais 2.500 euros do que o ano passado.

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