Luta pela desagregação das freguesias de Poceirão e Marateca em marcha

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O presidente da Câmara de Palmela não poupou críticas à tutela e classificou a reorganização do mapa autárquico como ‘reforma oca’, que ‘mutilou o concelho’

As comemorações do Dia da Restauração do Concelho, que se assinalaram no dia 1 de Novembro, no Jardim Joaquim José de Carvalho, serviram de destaque à intervenção do presidente da Câmara, Álvaro Amaro, que criticou “a reforma oca, que se quis moderna”, mas que “mutilou, novamente, o concelho, sem que se lhe reconheça, até hoje, qualquer benefício económico ou administrativo”.

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“Não podemos esquecer as lições que os restauradores nos legaram e deixar de reiterar a nossa luta pela desagregação das freguesias de Poceirão e Marateca”, disse o edil palmelense.

Álvaro Amaro não defendeu apenas a desagregação das freguesias de Poceirão e Marateca. Aludiu igualmente à necessidade da integração da União das Freguesias na lista de Zonas Desfavorecidas, recordando que estas ao “não terem sido classificadas como rurais” ficaram impedidas do “acesso a medidas de apoio, no âmbito do Plano de Desenvolvimento Rural 2020”. O autarca considera que “é quase caricato” continuar-se a assistir “à exclusão do verdadeiro ‘coração agrícola’ da Península de Setúbal de um importante conjunto de medidas de discriminação positiva, quando cumpre todos os critérios exigíveis para a obtenção destas classificações” e prometeu intervir junto da nova ministra da Agricultura para que seja rapidamente reposta justiça.

 

Palmela será sempre um território autónomo

 

As comemorações da Restauração do Concelho estão a caminho de assinalarem um século de existência e o presidente da Câmara destacou a importância de se “prestar homenagem aos restauradores, esse grupo de homens que não se resignou e batalhou arduamente contra a política vigente”. O autarca salientou que “Palmela tinha sido um concelho com identidade muito vincada ao longo dos séculos e, no fundo dos corações das suas gentes, seria sempre um território autónomo, com aspirações, vocações e dinâmicas muito diferentes daquelas a que a anexação a Setúbal o remetia”.

Álvaro Amaro não conteve a emoção ao debruçar-se sobre as riquezas de Palmela. “Ser deste concelho é saber que há vinho novo pelo cheiro do mosto que invade as ruas, que no Verão os vizinhos partilham maçã riscadinha, uvas e figos, estar em qualquer ponto destes 465 quilómetros quadrados e ver o castelo ao fundo para encontrar uma referência, emocionarmo-nos com a beleza da Arrábida e gostar de comboios sem saber bem porquê”.

Mas viver no concelho de Palmela é ainda mais do que isso. “É ter orgulho em saber que cristãos, mouros e judeus aqui conviveram pacificamente e deixaram um pouco das suas culturas no nosso ADN. É surpreender os amigos dos concelhos vizinhos quando dizemos que o Sado também é nosso e que também temos belos chocos, ameijoa e ostras”, acentuou.

 

Flores e homenagens

 

As comemorações do 93.º aniversário da Restauração do Concelho, promovidas pelo Grupo de Amigos do Concelho, começaram com a hastear das bandeiras e a colocação de coroas de flores junto ao busto do restaurador Joaquim José de Carvalho e da placa de homenagem aos palmelões que participaram na I Guerra Mundial.

O presidente do Grupo de Amigos do Concelho de Palmela, Jorge Mares, lembrou a “atitude revolucionária de um conjunto de pessoas que devolveu o concelho a Palmela”.

“Neste dia de festa assinala-se a restauração graças à liderança de Joaquim José de Carvalho, que durante 14 anos de luta conseguiu que os governantes devolvessem em 1926 o estatuto de concelho a Palmela”, frisou.

Nestas comemorações o convidado especial foi o jornalista Amílcar Malhó que realçou que “Palmela ganhou a independência, mas Setúbal também pois foi promovida a capital de distrito” e desafiou a necessidade de se “ensinar aos mais novos o que foi a luta pela restauração do concelho a Palmela”.

 

Palmela defende nova NUT ou modelo equivalente

 

Álvaro Amaro lembrou que a localização do concelho de Palmela na Área Metropolitana de Lisboa (AML) “tem-se afigurado como mais prejudicial do que benéfica”, já que “não são tidas em conta especificidades e desigualdades entre territórios”.

“Palmela, neste eixo estratégico de afirmação da Península de Setúbal e já de olhos postos no próximo quadro comunitário de apoio, continuará a defender que esta região deverá dar origem a uma nova NUT ou a outro modelo equivalente”, afirmou. “Um modelo que, face às desigualdades que se verificam na AML, permita aos municípios da Península aceder a apoios majorados, que ajudem a corrigir desigualdades e a aproximar os índices de desenvolvimento das duas margens”, explicou o autarca, considerando que a Associação de Municípios da Região de Setúbal “tem capacidades – assim a tutela o entenda – para assumir-se como entidade gestora de um programa operacional específico para a Península, com ganhos para todos os municípios e para as suas populações”.

 

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