“Sector primário é a alma FACECO”

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Apesar de atividades como a agropecuária estarem a perder espaço em certames um pouco por todo o país, a FACECO quer rumar contra maré, numa altura em que surgem sinais de preocupação na produção de mel e criação de cabras. Presidente José Manuel Guerreiro comentou ainda o aumento constante da imigração, para o qual pede intervenção do Governo.

 

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Naquele que foi o balanço da FACECO 2019, o presidente José Manuel Guerreiro destacou o sucesso do certame e falou da importância de manter o evento como uma montra das tradições do concelho, entre elas o artesanato ou a agropecuária.

“O sector primário é a alma da FACECO e nós não abdicaremos dele. Na maior parte das feiras, inclusive de vizinhos nossos, o sector agropecuário tem vindo a ter cada vez menos presença. O número de exemplares tem sido reduzido nos certames um pouco por todo o Alentejo. Nós continuaremos a ter uma feira com esta marca muito forte”, garantiu o presidente da autarquia, que destacou o concurso nacional da raça Limousine, que voltou a ser um dos pontos altos da feira.

Apesar de lembrar que a autarquia não é responsável pelas atividades dos privados do concelho, José Manuel Guerreiro mostrou-se confiante na continuidade das tradições e em particular da agropecuária, que sai da FACECO com boas perspetivas de futuro. “Podemos apenas premiar, incentivar ou destacar um sector que consideramos melhor enquadrado para o território. O sector agropecuário continua pujante. Eu estou otimista, apesar de sinais de alguma preocupação em algumas áreas. Queremos mais jovens nestas matérias”, concluiu.

 

Cabras e mel em queda

Embora a agropecuária demonstre estar a atravessar um bom momento, há outros sectores que deixam o certame com sinais de alarme, tais como o mel ou produção da tradicional cabra charnequeira, segundo reconheceu o presidente.

“A cabra charnequeira dá mostra de alguma fragilidade. O preço está a baixar, o mercado não está a apostar e estamos perante um problema de afirmação da raça. Para combater isto, apresentaremos uma proposta na Câmara Municipal para que, na próxima FACECO, todos os criadores presentes recebam um apoio especial. Estamos também a estudar a hipótese de haver ainda outros apoios para os produtores de Odemira”, garantiu o presidente, recordando a ajuda que a raça pode dar no combate aos fogos: “Dizem que é essencial no controlo da vegetação e um dos melhores ativos para prevenir a ignição e propagação de incêndios. Há que apostar nos métodos em que apostaram os nossos antepassados.”

Sobre o mel, o desconforto foi relatado à autarquia pelos produtores, que confirmaram as expectativas. ““Este ano os produtores deram conta de uma queda de 60% na produção, devido ao ano seco. É preocupante. As entidades ambientais andam distraídas desta realidade e o que acontecerá se tivermos outro ano seco?”, questionou José Manuel Guerreiro.

 

Imigração crescente preocupa

Nos últimos anos, Odemira tem sido palco de um fenómeno de imigração que levou à instalação de milhares de cidadãos estrangeiros (na maior parte oriundos da Ásia) no território alentejano para trabalhar nos campos ou nas estufas. Os números não param de aumentar e a procura tem sido cada vez maior, gerando uma situação que começa a tornar-se preocupante para os responsáveis da autarquia.

“É um panorama que vemos com preocupação. Em abril deste ano houve uma alteração da lei, que veio permitir que quem estiver ilegal no país se possa legalizar num processo com mais facilidade. Portugal parece ser um dos países da Europa com maiores facilidades nesta matéria e é elogiado por uns e criticados por outros”, admitiu José Manuel Guerreiro, presidente do município, que revelou já ter relatado a preocupação ao Governo. “Queremos que se tomem medidas, porque Odemira não tem capacidade de continuar a receber migrantes com este ritmo”, acrescentou.

Segundo os nomes oficias de junho, há cerca de seis mil imigrantes legalizados a viver Odemira, que compõem uma percentagem significativa do número total de habitantes. Para apoiar a integração, a autarquia tem um programa ativo que está a chegar ao limite das suas capacidades. “Neste momento, Odemira não tem condições para continuar a assistir a este crescimento de migração. Isto não é uma premissa contra a multiculturalidade, porque sempre um concelho que integrou população estrangeira, mas esta é uma realidade nova que merece reflexão”, admitiu o edil.

FOTO: Luís Guerreiro

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