João Afonso: “Vou recandidatar-me com ou sem o apoio do PSD”

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O vereador social-democrata apresenta amanhã projecto de alternativa política para o Montijo. Confirma que foi alvo de um processo disciplinar e posiciona-se de forma “irreversível” com o objectivo de romper com “o status quo clientelar e oligárquico do PS”. E afirma: “Temos de defender os interesses da comunidade e não os directórios partidários”

 

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“Com ou sem o PSD, garantidamente vou recandidatar-me à Câmara Municipal do Montijo”. A decisão está tomada e “é irreversível” assume o vereador social-democrata João Afonso, que amanhã, pelas 15h00, vai apresentar e debater um novo projecto político para o Montijo no auditório da Escola Profissional, num momento em que está a ser alvo de um processo disciplinar no seio do partido laranja, conforme confirmou a O SETUBALENSE.

“É garantido que vou ser candidato à presidência da Câmara Municipal. Como? Logo se verá. Darei primazia ao apoio do PSD. A decisão de contar com esse apoio caberá sempre ao partido, mas julgo que terão juízo suficiente para saberem o que está aqui em causa”, afirma o autarca social-democrata, sem receios nem ‘papas na língua’, reforçando que a decisão “é irreversível”.

João Afonso diz não estar refém de nada nem de ninguém e justifica a posição assumida, ao mesmo tempo que deixa bem vincado que acatará aquela que vier a ser a opção dos social-democratas.

“Se não tiver o apoio do PSD, respeito. Mas, sou montijense, penso pela minha cabeça e avançarei num outro quadro a definir. Não abandono a minha comunidade”, explica, adiantando: “Temos de defender os interesses da comunidade e não os directórios partidários. Os directórios nacionais não ouvem aquilo que eu oiço aqui na rua.”

O fórum de debate que vai promover já amanhã pode ser visto como o pontapé de saída para lançamento de “uma candidatura abrangente” que pretende encabeçar com uma meta bem definida.

“O objectivo é apresentar uma alternativa política abrangente ao status quo clientelar e oligárquico que governa o Montijo há mais de 20 anos”, atira, considerando que a actual gestão socialista no município “esvaziou-se” e que é “fundamental devolver ao concelho a grandeza que este já teve”, através de “um projecto ambicioso em termos de futuro”, construído com base “no contributo de toda a sociedade civil, as pessoas, em conjunto com as entidades e forças vivas locais”. Razão pela qual decidiu convidar “todas as forças cívicas e políticas” para a reunião deste sábado. “Foram convidadas uma série de entidades e pessoas em geral, além das forças partidárias – PSD, CDS-PP, PCP/PEV, BE, Chega, Iniciativa Liberal e Aliança – com excepção do PS”, revela, debruçando-se de seguida sobre a abrangência que diz ser viável.

“Os partidos aderem ou não a este projecto. Mas é possível encontrarem pontos comuns e estabelecer-se pontes, mesmo da esquerda à direita, desde que deixem de lado as rivalidades e elejam o interesse público como prioridade”, observa.

Declarações a O SETUBALENSE na base do processo

O SETUBALENSE apurou que João Afonso foi alvo de um processo disciplinar que, neste momento, está em análise no Conselho de Jurisdição da distrital de Setúbal do PSD, o qual pode ditar um de três desfechos: uma sanção de suspensão; a expulsão de militante do partido; ou o simples arquivamento. O autarca confirma que foi notificado ainda antes do final do ano passado e não se furta a comentar a situação, dizendo-se tranquilo.

“Estou absolutamente convencido de que o processo será arquivado. Trata-se de uma participação de Luís Nascimento, vereador do PSD na Câmara Municipal da Moita, que foi remetida para o Conselho de Jurisdição Nacional do partido, passando por cima do Conselho de Jurisdição Distrital”, começa por explicar, acrescentando que a referida participação teve por base declarações que proferiu a O SETUBALENSE “sobre a falta de aptidão dos candidatos e a forma como foi construída a lista do partido pelo círculo de Setúbal às últimas eleições legislativas”.

Como fundamento, foi alegado que o social-democrata violou várias obrigações enquanto militante do partido. “Vindo de quem veio, este processo disciplinar é para mim uma medalha, um orgulho”, dispara o montijense, realçando que mantém tudo o que disse a O SETUBALENSE. “Após os resultados das eleições, reafirmo ainda mais… O processo de escolha dos candidatos foi um embaraço para o PSD, até do ponto de vista moral”, considera.

“Respondi dizendo logo que o Conselho de Jurisdição Nacional não tem a competência de julgar o processo. É ao Conselho de Jurisdição Distrital que compete tratar dessa matéria, como veio a acontecer, já que o processo baixou ao órgão distrital. Evoquei também que, enquanto militante de um partido democrático, tenho o direito de opinar sobre a falta de aptidão dos representantes que integraram a lista”, confessa, defendendo a concluir: “Sou do PSD porque é um partido livre. As minhas declarações foram contundentes, mas feitas com urbanidade. O processo é natural. Sou perseguido por uma seita que existe no partido.”

“Tentativa vil do braço armado de um deputado”, diz fonte da distrital

Fonte bem colocada na Comissão Política Distrital de Setúbal do PSD confirmou a O SETUBALENSE que o processo disciplinar está, de facto, a correr no Conselho de Jurisdição deste órgão, remetido que foi do Conselho de Jurisdição Nacional. Ao mesmo tempo, classifica a acção como “um absurdo completo, num partido democrático”.

“Foi uma tentativa vil, baixa, covarde, coordenada por um membro que na altura estava na Comissão Política Nacional do partido para ganhar na secretaria o que não conseguem nas urnas, em termos internos ao nível da distrital”, considera, escusando-se a revelar nomes e acrescentando: “Trata-de de uma manobra interna para amedrontar e silenciar um militante, protagonizada pelo ‘braço armado’, de um deputado em funções, que na altura estava no Conselho de Jurisdição Nacional”.

Quanto ao possível desenlace do processo, a mesma fonte é peremptória: “Nunca houve ninguém que fosse expulso do partido por delito de opinião. Este processo não faz qualquer sentido.”

A decisão que vier a ser tomada é passível de recurso para o Conselho de Jurisdição Nacional.

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