Nuno Canta apela à solidariedade ‘contra esquecimento e hipocrisia’

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O presidente da Câmara quer ver reforçadas as respostas da rede social. Insucesso escolar, violência de género e saúde mental são os principais problemas identificados no concelho. Plano de Desenvolvimento Social e de Saúde do concelho apresentado

 

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“Façamos de tudo para que a solidariedade com o nosso semelhante e as respostas sociais desta cidade façam parte do movimento contra o esquecimento e, sobretudo, contra a hipocrisia”. Esta foi uma das frases-chave de Nuno Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo, na abertura da apresentação do diagnóstico e Plano de Desenvolvimento Social e de Saúde (PDSS) do concelho para o biénio 2020-2022, que decorreu ao longo da passada terça-feira, na Quinta do Saldanha.

O autarca considerou inaceitável que “os valores da fraternidade continuem a ser negados por muitos”, quando se vivem problemas sociais de “complexidade e dramatismo”.

“É preciso unir forças, despertar consciências e usar a criatividade humana para responder aos desafios da dignidade da vida humana”, alertou.

Segundo Rui Godinho, investigador do Instituto de Estudos Sociais e Económicos (IESE) que conduziu a apresentação do trabalho, o Montijo tem entre os aspectos positivos o facto de “não apresentar muitos problemas críticos”, embora tenham sido identificadas situações preocupantes.

Rui Godinho apresentou o PDSS do concelho do Montijo para o biénio 2020-2022

“Entre os maiores problemas detectados está o insucesso escolar, sobretudo no 2.º e 3.º ciclo do ensino básico, comparativamente com o resto da região”, disse o responsável, realçando de seguida “a violência de género registada na componente escolar e no namoro”. A saúde mental, adiantou, “é outro dos problemas mais focados pelos diferentes actores” na rede social do Montijo. Não obstante a existência “alguns problemas”, Rui Godinho considerou que “a rede social do Montijo está viva”.

Natividade Coelho, directora do Centro Distrital da Segurança Social, interveio de seguida para fazer uma caracterização da Plataforma Supraconcelhia da Península de Setúbal, organismo que coordena, revelando alguns dados que merecem atenção especial. Na área das pessoas portadoras de deficiência, por exemplo, a região “tem uma ínfima cobertura” de rede social, o que constitui, vincou, “um dos maiores dramas”.

Ricardo Bernardes, vereador responsável pelo pelouro de Desenvolvimento Social e Promoção da Saúde, explicou a importância da realização do diagnóstico e do PDSS.

“Do ponto de vista do funcionamento e das metodologias de actuação assume-se, como prioridade, a importância do diagnóstico dos problemas e da inventariação dos recursos disponíveis como forma de planificar as estratégias e as metodologias de intervenção. Daí a centralidade dos planos de desenvolvimento social como o que hoje apresentamos”, justificou, acrescentando: “Planear para agir. Agir em parceria, estes foram e são os lemas que orientam a nossa actuação estratégica e a nossa visão de rede social”.

Saúde, escola e família, e migrantes

A iniciativa prosseguiu à tarde com a realização de workshops (reflexão e partilha) subordinados aos temas “Saúde”; “Escola e Família”; e “Migrantes”. Miguel Lemos, director executivo do ACES Arco Ribeirinho, Paula Póvoa, directora do Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra, e Ana Cardoso, do Centro de Estudos Sociais para a Intervenção Social, foram, respectivamente, os oradores responsáveis pela dinamização dos workshops.

De acordo com a autarquia, o diagnóstico social do Montijo “resulta da monitorização e avaliação da realidade social do todo o concelho e servirá, também, para fundamentar candidaturas a programas de financiamento nas áreas e domínios identificados como prioritários”. Já o PDSS é o resultado “da actualização do diagnóstico social, tendo como primordial objectivo desenvolver processos de concertação à escala concelhia, reforçando os mecanismos de articulação da rede social”.

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