Crianças da Escola Novos Trilhos na Atalaia brincam cercadas por picos

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Parque infantil está interdito devido a invasão de gatos errantes. Falta de climatização nas salas e ausência de animadora são outros problemas, que a Câmara garante resolver a curto prazo. Pais prometem luta

 

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Podem ver mas não podem desfrutar do espaço, em areia, que há muito é invadido e conspurcado por uma colónia de gatos errantes. Quando saem para o recreio, as crianças da Escola Básica e Jardim-de-Infância Novos Trilhos, na Atalaia, sabem apenas que vão poder brincar num local contíguo, amplo, mas negro, como o alcatrão bicudo que o reveste, e amarelado em redor por vegetação agreste, com picos pela altura da cintura. Até um saco enorme de entulho do município vizinho de Alcochete lá foi parar para compor o ramalhete.

Este é apenas um dos problemas para os quais os encarregados de educação pedem solução. Proceder à limpeza das fezes e urina dos felídeos “não é medida suficiente” para garantir a higienização do espaço, defendem, lembrando que a areia “fica contaminada se não for substituída”. O pior é que os felpudos são animais de hábitos e todas as noites regressam ao local.

Enquanto isso os pequenotes, pelas janelas das salas de aula, vão comendo com os olhos os equipamentos infantis montados no local, mas quando chega a hora da brincadeira apenas têm direito a encher a barriga com a outra área, a cinzentona e espaçosa, que obriga a descer uma pequena escadaria e que é circundada por calhas para escoamento das águas. Aquela que é a sua zona de conforto, de diversão, tem acesso interdito. É assim “há tempo demais”.

A Câmara Municipal, em resposta a O SETUBALENSE, afirma que a limpeza do espaço contíguo é da “responsabilidade da coordenação da escola”, mas o serviço é habitualmente assegurado pela Junta da União das Freguesias de Atalaia e Alto Estanqueiro-Jardia.

Luís Morais, presidente da junta, confirma – tal como fonte interna da escola – que é feita uma limpeza ao local “todos os anos” e que a areia do espaço do parque infantil “foi substituída há cerca de um ano por areia lavada e lavável”. O autarca admite, contudo, desconhecer a existência de um saco de entulho no local anexo onde as crianças brincam.

Obras, climatização e protesto com fecho a cadeado

Na reunião de câmara do passado dia 2, um grupo de 11 mães de alunos voltou a solicitar a substituição da areia do recreio por um piso sintético ou de borracha, entre outras reivindicações.

A resposta da autarquia ficou longe de corresponder às expectativas: “A escola será alvo de obras de requalificação no final do ano lectivo em curso, no período de férias de Verão.”

Quanto aos gatos, ficou a promessa de que os animais seriam recolhidos para o canil/gatil.

As encarregadas de educação Susana Moutinho, 36 anos, e Raquel Santos, 35, são a face do inconformismo. “As respostas da Câmara Municipal do Montijo são inconclusivas, nunca há datas para nada”, criticam, lembrando que a situação “já se arrasta” há tempo demasiado. “Há dois anos houve uma infestação de pulgas. Estamos há mais de um ano a lutar contra isto. As crianças não gostam da escola porque não têm onde brincar”, afirma Susana, com Raquel a complementar: “Onde é que eles vão ser crianças, onde é que vão brincar?”

As encarregadas de educação endurecem o discurso e até já pensam em formas de luta. “Estamos já a ponderar fechar a escola a cadeado como medida de protesto.”

É que os problemas não se resumem somente ao espaço do recreio. A falta de climatização nas salas é outra das preocupações. “Foi-nos garantido o ano passado que o quadro eléctrico da escola seria reforçado e que, consequentemente, iriam colocar ‘ar condicionado’ nas salas”, revela Susana Moutinho, com Raquel Santos a reforçar: “Se ligarem os aquecedores e o forno da escola, o quadro dispara. De Inverno as crianças têm de trabalhar nas salas de luvas calçadas”.

Nuno Canta, presidente da Câmara, em resposta ao grupo de mães no decorrer da sessão realizada no início deste mês assumiu que a situação será resolvida até ao final de Dezembro próximo.

Ausência de animadora nas AAAF

Outro dos problemas passa pela ausência da animadora que assegurava as Actividades de Animação e Apoio à Família (AAAF). “O processo de contratação encontra-se em desenvolvimento, no respeito pelos prazos previstos na lei”, diz a autarquia, que, entretanto, já fez chegar ao conhecimento dos encarregados de educação que uma nova animadora iria iniciar funções no próximo dia 4.

A situação tem, porém, gerado dificuldades no funcionamento interno da escola. “As auxiliares estão sobrecarregadas, têm de andar em rotatividade [para colmatar a vaga], mas acaba sempre por faltar uma pessoa, o que provoca problemas, por exemplo, de limpeza. As casas de banho chegam a estar numa lástima e as salas de aula, por vezes, também acabam por não ser limpas”, lamenta Susana, rematando de seguida: “Não temos uma escola digna para as nossas crianças.”

Antes, na reunião do executivo, o presidente da Câmara já havia sublinhado que em termos de número de pessoal auxiliar, as escolas do Montijo até excedem o rácio estabelecido por lei. “O problema, que nos afecta a todos, é que temos um elevado número de baixas médicas entre o pessoal auxiliar, cerca de 30%. O que é estranho”, atirou então o autarca.

Os encarregados de educação prometem iniciar medidas de protesto – como fechar a escola a cadeado – em Janeiro, caso não venham a estar resolvidos “pelo menos os problemas da colocação de uma animadora e da instalação de climatização nas salas”, frisaram Susana e Raquel, a concluir.

NdR: Presidente da Junta resolve

Ontem, no próprio dia em que tomou conhecimento de que as crianças brincavam no espaço contíguo ao parque infantil e da situação em que o local se encontrava, após questionado por O SETUBALENSE, o presidente da Junta da União das Freguesias de Atalaia e Alto Estanqueiro-Jardia, Luís Morais, deu de imediato instruções para que a limpeza do local fosse efectuada.

O autarca confessou ter ficado a saber da utilização do referido espaço pelas crianças através de O SETUBALENSE e garantiu logo na altura que até esta sexta-feira a limpeza seria feita. Não foi preciso tanto. Ao final do dia, Luís Morais já informava a redacção do jornal de que a limpeza do espaço fora concluída, realçando o esforço dos funcionários da junta que preferiram não deixar a tarefa a meio, optando por a terminar para lá do horário normal de trabalho, ainda durante o dia de ontem. O autarca enviou ainda as fotos de como agora se apresenta o local.

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