Mural Jorge Peixinho nasce no Montijo pelas mãos de jovem artista setubalense

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Trabalho de João Samina já brilha em prédio de quatro pisos. Nuno Canta fala em obra que passa a marcar a cidade, transportando para o espaço público “o espírito e a genialidade” do compositor

 

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Demorou quase uma semana a concluir, consumiu 30 litros de tinta – metade da cor branca –, além de uma dúzia de latas de spray, e pode ser apreciado a toda a dimensão da parede de um prédio de quatro pisos. Trata-se do mural de homenagem ao maestro Jorge Peixinho, que a Câmara Municipal do Montijo inaugurou na passada terça-feira, em pleno Dia Mundial da Música, num edifício localizado na avenida que ostenta o nome do compositor montijense.

A obra, com a chancela do artista setubalense João Samina, constitui um elemento de valorização do espaço público e, sobretudo, vem reforçar a perpetuação da memória de um vulto maior do panorama da música contemporânea portuguesa.

“Passa a marcar a cidade e transporta para o espaço público a obra, o espírito e a genialidade de Jorge Peixinho”, disse Nuno Canta, durante a cerimónia de inauguração, sem poupar nos elogios ao filho da terra que também chegou a desempenhar funções de autarca, como presidente da Assembleia Municipal do Montijo, eleito pela CDU.

“Jorge Peixinho foi um maiores compositores do século XX, o montijense maior da cultura musical mundial, um símbolo da democratização da música contemporânea em Portugal”, sublinhou o socialista, adiantando: “Com Jorge Peixinho celebramos a música, a cultura, mas sobretudo a liberdade da criatividade individual e musical. Dele também são muitas das propostas para vencer o atraso musical nacional, para o ensino da música nas escolas dos conservatórios e a ele se deve a criação do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa.”

Samina explica obra e revela desejo

À hora da cerimónia, João Samina ainda usava as vestes utilizadas no trabalho. As marcas de tinta na t-shirt e nos calções eram reveladoras. Foi até ao último momento. “Acabámos mesmo hoje [terça-feira passada]”, confidenciou, realçando: “É uma parede grande e isso envolve muita paciência e dedicação, são muitas horas de trabalho”.

O artista de 29 anos explicou a técnica utilizada na obra. “Utilizo o ‘stencil’, ou seja, pego nas fotografias, por cima destas desenho aquilo que para mim são as manchas de sombra e as manchas de luz, da imagem, recorto tudo e depois vou pintando por folhas, por partes, como se fosse uma matriz num molde para ir pintando.”

Branco, cinza, negro e vermelho dão corpo à tela. “Ultimamente o meu trabalho tem-se focado muito neste tipo de cores para realçar o que realmente é importante na pintura. Normalmente, com a questão do rosto e do retrato prefiro que as personagens ou pessoas retratadas sejam mais fortes do que propriamente a paleta cromática. Daí os os tons de cinza e depois chamar a atenção para determinados pontos com os vermelhos”, afirmou, admitindo que a parte mais difícil do trabalho “foi a logística” face ao declive do terreno junto à parede.

Quanto ao futuro, o jovem não esconde um desejo. “Gostava de fazer um mural com algumas dimensões e que tivesse impacto grande no centro da cidade de Setúbal”, revelou. E o tema, se fosse hoje, até já estaria escolhido. “Nasci, estudei e cresci em Setúbal, porque morei a minha vida toda em Quinta do Anjo, que fica a apenas 15 minutos de distância. Neste momento, muito provavelmente, iria para o tema da pesca, dos pescadores, à volta da ligação com o rio, que é das coisas mais importantes que a cidade tem.”

A vontade de abraçar o desafio é mais do que muita e a disponibilidade está garantida. “Se espero que esta mensagem chegue a Dores Meira? Pode ser que sim, esperemos que sim [risos]. Se a presidente precisar, estaremos cá para ajudar. Sem dúvida”, concluiu.

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