“A minha única ambição é ser feliz com aquilo que faço”

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Do Fado à Comunicação Social, o fadista Tiago Correia canta a sua vida com paixão. Um jovem percurso onde faltam programas de TV e até um musical de Felipe La Feria

 

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O jovem fadista e compositor Tiago Correia segue o legado do seu avô na música. A paixão pelo Cante Alentejano e pelo Fado surgiu logo na infância, despertada pelas vozes de Fernando Farinha e António Rocha. E a melodia “Simples Lamento”, da sua autoria, é a mais pura homenagem ao homem que inspirou a sua vida. “O meu avô é talvez a grande chave de tudo o que eu sou como homem”, afirma.

Assim começou a história de uma paixão imensurável que, recentemente, levou o fadista a palco para homenagear o Politécnico de Setúbal, no âmbito do 40º aniversário do instituto. Um momento de consagração do seu percurso na música, que levou a um novo desafio, a participação no Festival Santa Casa Alfama, agendado para 28 de Setembro. O convite foi surpreendente, lançado pelo conceituado fadista Ricardo Ribeiro.

Tiago Correia concretiza assim, passo a passo, um percurso dedicado à música e à comunicação, iniciado há uma década, quando, aos 13 anos entrelaçou a música e a televisão, através da participação no concurso “Uma Canção Para Ti”, produzido pela TVI.

Surgiram depois outras conquistas, como a vitória no programa da RTP1, “Nasci para o Fado”. Momento que o levou a outro convite inesperado. A participação no musical “Fado: História do povo” de Filipe La Féria, entre 2010 e 2011.

Hoje, a música e a comunicação prevalecem unidas no seu percurso. Licenciado em Comunicação Social, Tiago Correia confessa ter encarado o curso como um caminho para potenciar a palavra. Em entrevista a O SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO o fadista revela que quando canta, comunica um facto contado em poesia.

 

O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO – O programa “Uma Canção para Ti” da TVI teve uma repercussão muito grande. O que diziam as pessoas do Montijo sobre a tua participação?

TC – No programa “Uma Canção para Ti” senti pela primeira vez o quanto a vida pública pode ser desonesta. Houve uma situação em particular que me marcou bastante.

Lembro que as pessoas apoiaram bastante a minha participação no programa. E foi uma festa quando fiquei em 3º lugar logo na primeira gala. Os meus colegas de escola ficavam à minha volta a dizer “és o maior”. Durante essa semana duas raparigas começaram a falar comigo e achei piada. Acontece que na segunda gala fui eliminado e as mesmas raparigas nunca mais falaram comigo. Senti-me triste com a situação porque parecia que tinha sido banalizado. Obviamente que as pessoas mais velhas continuaram a dar todo o seu apoio e a partir daí foi sempre um crescendo.

Mas, pela primeira vez tomei consciência de que há coisas no mundo da fama que são um pouco estranhas. E temos de estar preparados para sermos confrontados com uma realidade de interesses.

 

Este ano completa 10 anos de percurso artístico. Como vê a evolução da sua carreira?

Tiago Correia – A evolução vai-se fazendo sempre e nunca sinto que estou completamente preenchido. Acho que aquela ideia de que já chegamos ao patamar é uma ideia muito errada. Para mim não existe.

 

Cada vez tenho mais a consciência de que a minha maior característica é perceber que sou imperfeito. E termos consciência de que somos imperfeitos permite-nos querer fazer sempre melhor.

Portanto, vejo a evolução de forma positiva. Um percurso bonito, com gente que me tem ensinado muito. A figura fulcral foi o meu avô. Através dele comecei a cantar quando ouvia antigos fadistas como Fernando Farinha e António Rocha.

Depois, no decorrer do meu percurso, não gosto de chamar carreira, pude contar com a sabedoria de pessoas muito importantes como o Ângelo Freire, grande guitarrista que acompanha Ana Moura, e Florêncio Carvalho, que me ensinou a filosofia de estar no fado.

 

Como surgiu a homenagem que recebeu da Junta de Freguesia do Afonsoeiro e do Montijo?

TC – Inicialmente, a ideia era criar um espectáculo ao qual eu pudesse levar dois ou três convidados, de forma a trazer o Fado até ao Afonsoeiro. Mas, sabendo que eu fazia 10 anos de percurso, a Junta de Freguesia pensou numa ideia mais familiar para o povo da minha terra.

Então reservamos um grande espaço no Grupo de Danças e Cantares do Afonsoeiro e realizámos uma festa, que contou com a presença de cerca de trezentas pessoas e muitos convidados, entre fadistas e músicos, nomeadamente Ângelo Freire, Julieta Estrela, Flora Silva, Filipa Tavares e Jorge Baptista da Silva.

Cantei parte do meu repertório e foi uma noite muito especial. No final recebi um género de trofeu com uma clave de sol e a inscrição “10 anos a cantar”, assim como um agradecimento da própria junta. Fiquei muito grato com esta prova de reconhecimento e tenho muito orgulho do Montijo.

 

Que ambição tem para o seu futuro na música?

TC – Tenho muitos projectos. Mas a minha única e maior ambição é ser feliz com aquilo que faço.

Agora estão a surgir muitas coisas, entre elas a possibilidade de no final deste ano, ou em 2020, sair o meu primeiro disco. Algo que está a ser trabalhado com muita calma. É preciso ponderação, escolher o repertório certo. E assim as coisas vão-se concretizando, um passo de cada vez.

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