Nova cadeia de Canha à moda da Noruega

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Investimento ascende a cerca de 70 milhões de euros. A área bruta de construção é de 30 mil e 500 m2 e os espaços exteriores, com oito campos para actividades desportivas, ocupam 64 mil m2

 

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O futuro estabelecimento prisional de Canha, a construir na herdade de Gil Vaz, deverá seguir o modelo das cadeias existentes na Noruega – país que apresenta uma das menores taxas de reincidência criminal no mundo (20%) – e, ao mesmo tempo, constituir-se como solução válida no combate à desertificação daquela freguesia do concelho montijense.

Um novo conceito de enquadramento paisagístico, com mais áreas verdes, espaços de lazer e para formação, aliado a uma aposta, mais forte, na reabilitação dos reclusos é a ideia, revelou a O SETUBALENSE Nuno Canta, presidente da Câmara do Montijo, à margem da reunião pública quinzenal do executivo municipal, realizada na última quarta-feira nos Paços do Concelho.

“Mais ou menos assente no modelo de prisões mais modernas que têm sido construídas no norte da Europa, particularmente na Noruega”, adiantou o autarca, que, no passado dia 3, marcou presença apresentação do novo modelo para os estabelecimentos prisionais que “a partir de 2021” vão ser construídos, em simultâneo, em Canha e Ponta Delgada, Açores, numa cerimónia que teve lugar no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) em Lisboa.

A nova cadeia de Canha, cujo investimento está estimado em cerca de 70 milhões de euros – mais 10 a 15 milhões do que inicialmente anunciado –, terá capacidade para 800 reclusos, uma área bruta de construção de 30 mil e 500 metros quadrados e 64 mil metros quadrados de espaços exteriores, com oito campos para a prática desportiva.

“Este estabelecimento prisional vai ter uma grande componente nas áreas de formação profissional, uma componente de educação e escola dentro do próprio edifício, além de um hospital e de uma unidade de cuidados primários de saúde”, salientou.

Nuno Canta realçou ainda que as vantagens para aquela freguesia do concelho montijense podem ser enormes, quer ao nível do combate à desertificação quer no que diz respeito à mobilidade. “Obriga a melhorar muito os transportes públicos entre Canha, Lisboa, Setúbal e outras localidades, tornando a interioridade menos castigadora do que é hoje”, explicou, acrescentando: “Este tipo de investimento vai permitir renovar a população da freguesia. As pessoas que forem trabalhar para o estabelecimento prisional ou outros, como os médicos, que vão e vêm [para prestarem serviços], podem querer optar por ter uma casa em Canha e viverem em Canha”.

O edil defende também que a operação possa contemplar a construção de um bairro, que permita alojar guardas prisionais e médicos. “Inicialmente o Ministério [da Justiça] não queria, nós falámos nisso e agora parece que já tem essa ideia. E estou a dizer parece porque já começa a haver esse movimento”, concluiu.

Os projectos para a construção dos estabelecimentos prisionais de Canha e de Ponta Delgada vão ser lançados em breve.

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