Utentes receiam que os transportes não suportem aumento da procura

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Os utentes dos transportes públicos da margem sul receiam que o estado actual das frotas e os horários desajustados não travem o uso de viatura própria. Se assim for, a boa medida da redução dos preços dos passes não terá bons efeitos ambientais

 

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Os utentes dos transportes públicos da margem sul dão por bem-vinda a redução tarifária dos passes na Área Metropolitana de Lisboa, e depois de tanto reclamarem por um sistema mais barato e intermodal, vão avançar com nova luta, agora pela melhoria do estado das frotas, nomeadamente de autocarros e de barcos. O receio é que a má conservação dos transportes venha a prejudicar a medida.

Marco Sargento, da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, considera a medida, que entra em vigor já a 1 de Abril, “é muito positiva, uma vitória dos utentes, certa e correta”, que “dá um sinal correto de passagem modelar do transporte individual para o transporte coletivo”, com “ganhos energéticos e ambientais”.

No entanto, diz existirem “duas nuvens”, que é o actual estado da frota de algumas operadoras de transportes, nomeadamente da Transtejo e da Soflusa, “que, devido ao desinvestimento dos últimos anos, chegou a uma situação crítica”.

“E podemos estender esta questão a outros meios de transporte. Por exemplo, na Fertagus, os utentes de Almada, nas horas de ponta, já não conseguem entrar. Muitas vezes têm de fazer caminho para trás para ir apanhar o comboio ao Seixal para conseguirem embarcar, porque as horas de ponta na Fertagus já estão sobrelotadas”, afirma.

Também no transporte rodoviário há constrangimentos, há serviços que não são feitos devido a avarias e horários que não são cumpridos, pelo que teme que a redução de passes, “que tem todas as razões para cativar utentes para o sistema, não tenha esse efeito”.

“Um utente que não esteja habituado e queira deixar o carro em casa e ingressar no sistema vai ver o barco falhar duas vezes, ou vai ver o comboio a passar sem conseguir ingressar ou vai ver o autocarro que termina às 21h00 e não o trás no final do turno e vai desistir e vai voltar ao transporte individual”, infere, realçando “o urgente investimento na manutenção da frota, na criação de novas linhas, na informação aos utentes”.

Também Paulo Soares Jorge, da Comissão de Utentes de Transportes Públicos rodoviários do Montijo, salientou que a medida “vem apenas satisfazer uma” das grandes preocupações da associação acerca dos transportes públicos rodoviários, porque “a insuficiência de meios e de carreiras dos TST continua a ser uma preocupação grande”.

A comissão tem um abaixo assinado a decorrer, já com 2 500 assinaturas, e vai pedir uma reunião aos TST para “serem alocados meios de material circulante e humanos, de forma a satisfazer as necessidades que serão muito maiores com a entrada em vigor dos novos passes”.

“Com os utentes que existem agora, a situação já é muito difícil e, com o aumento previsto de utentes com os novos passes a entrarem em vigor, essa situação ultrapassará o ponto de rutura e é uma situação que nos está a preocupar bastante”

Paulo Soares Jorge, que também pertence à Comissão de Utentes do Cais do Seixalinho, destacou ainda que a Transtejo, que serve o Montijo, “continua com a mesma situação de défice de material navegante”, com uma “manutenção feita na base do remendo”.

Apesar da promessa de o Governo em adquirir novos barcos, o primeiro deverá entrar em funcionamento apenas no início de 2021, o que “é preocupante, porque as condições continuam a piorar”, concluiu.

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