“Um jovem de 30 anos está preparado para falar sobre LGBTI com miúdos de 11 anos?”

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Depois da polémica gerada nas redes sociais devido às declarações de Bruno Vitorino sobre a aula LGBTI, realizada na Escola Básica 2/3 Quinta da Lomba, o vereador defende agora a sua “livre expressão”

 

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Bruno Vitorino, vereador do PSD na Câmara Municipal do Barreiro e deputado da Assembleia da República, mantém a sua posição sobre a acção de esclarecimento LGBTI que teve lugar na Escola Básica 2/3 Quinta da Lomba, do Agrupamento de Escolas de Santo André, no Barreiro. “Uma coisa é falar de sexualidade nas escolas, outra é falar de orientações sexuais a alunos de 11 anos”, considera.

Em Sessão de Câmara, Bruno Vitorino, comenta que a sua posição sobre o modo como o tema foi abordado em ambiente escolar, apresentada nas redes sociais, tem sido “atacada”, assim como as suas convicções e “liberdade de expressão”, depois de ter sido “julgado” por apresentar a sua opinião publicamente sobre o assunto.

Sobre a sessão de esclarecimento apresentada pela associação rede Ex Aequo a alunos do 6º ao 8º ano o vereador Bruno Vitorino esclarece. “Porque é que esta situação me preocupa e levou à minha declaração pública, nas redes sociais? Preocupa-me porque, ao que parece, todas as pessoas ou associações podem entrar nas escolas e promover uma acção dentro de qualquer tema, sem que esteja bem claro o que vai ser abordado, especialmente tendo em conta a idade dos alunos”.

“Fui vítima por parte de activistas LGBTI da acusação de homofobia e preconceito, quando o que me preocupa aqui é a forma como o tema foi abordado perante os alunos”.

 

“Uma coisa é falar de sexualidade nas escolas, outra é falar de orientações sexuais a alunos de 11 anos”

 

Bruno Vitorino não quer que as suas declarações sejam interpretadas como “homofobia” ou “preconceito”. E afirma não admitir que o PS Barreiro possa “considerar que a minha opinião livre seja como a de “Trump ou Bolsonaro”.

Em desafio, questiona o executivo da Câmara do Barreiro. “Uma coisa é falar de sexualidade nas escolas, outra é falar de orientações sexuais a alunos de 11 anos. É igual? Os conceitos são iguais?”.

Para o vereador era essencial que os pais tivessem sido questionados claramente sobre o teor da aula e se queriam ou não que os seus filhos tivessem contacto com os conceitos apresentados. “Não questionamos os pais? Se querem ou não que falem com os seus filhos sobre orientações sexuais? Não devem os pais ser envolvidos nas decisões que sejam tomadas dentro destas matérias?”.

Motivo pelo qual o vereador rebate que a situação não é assim “tão simples como querem fazer parecer que é. Um jovem de 30 anos está preparado para dar formação sobre temas LGBTI a miúdos de 11 anos?”, questiona.

Entre algumas queixas de encarregados de educação, Bruno Vitorino destaca “autorizamos os nossos filhos a ir mas não sabíamos para quê. Pensávamos que era uma acção feita por professores. E não pela Ex Aequo”.

A par das dúvidas apresentadas por encarregados de educação a Bruno Vitorino, o vereador coloca em causa alguma linguagem utilizada durante a “aula LGBTI” como o conceito de “corpo assexuado”. Quando no parecer do vereador “esta expressão nem deveria existir. Nós somos pessoas, com um corpo sexuado e ponto final”.

“E não é o Estado que deve impor aos pais quando e como devem falar sobre sexualidade com os seus filhos”.

“Por esse motivo defendo que não sou um “Trump” nem um “Bolsonaro” como me rotulam. E se o presidente considerar que por apresentar a minha opinião em público não sou imparcial ou não exerço condições para os cargos que represento coloco-os, desde já à disposição, porque não posso aceitar que as altas instâncias do PS Barreiro considerem isto sobre a minha pessoa”.

 

Casos de bulliyng preocupam

 

Em defesa da acção, desenvolvida no contexto da disciplina de Educação Para a Cidadania a vereadora Sara Ferreira, responsável pelo pelouro da Educação, afirma que, “não só a acção estava planeada e prevista dentro do plano educativo aprovado pelo Ministério da Educação, como todos os encarregados de educação foram informados que iria ocorrer e o tema iria ser abordado, através de uma circular enviada”.

Sara Ferreira comenta ainda que, a acção apresentada pela associação rede Ex Aequo foi realizada “tendo em conta um contexto de preconceito, existente entre os alunos, para com os seus pares que têm diferentes orientações sexuais, tendo inclusivo havido casos de bullying no agrupamento”.

Quanto ao valor pedido para a comparticipação da acção escolar Sara Ferreira esclarece que, “assim como é pedida uma comparticipação para apresentações de outros âmbito ou para realizar visitas de estudo, foi pedida esta comparticipação necessária, tal como é pedida para outras visitas de estudo e acções. Neste caso foi uma comparticipação simbólica de 0,50 cêntimos”.

 

Frederico Rosa defende “livre expressão de cada um”

 

“Estou em completo desacordo com o vereador nesta questão. Preconceitos combatem-se com a consciencialização e formação”.

“Concordo que haja pais mais sensíveis a este assunto mas este é um assunto que não requer recrutamento”, afirma.

“Quanto à posição do vereador se eu considerasse por algum momento que não era pessoa certa para as funções que desempenha nem teríamos já feito todo o planeamento que trabalho que fizemos. Não misturo opiniões pessoais com trabalho e portanto mantenho toda a minha confiança no desempenho de funções do vereador”.

 

 

Ex Aequo com projecto de intervenção nas escolas

 

A associação rede Ex Aequo, que tem um projeto de intervenção nas escolas nesta área, a mesma confirmou que foram eles que estiveram na EB 2/3. No âmbito do Projecto Educação LGBTI, a Ex Aequo realizou, 135 sessões nas escolas, em 2018. E, para 2019, tem  126 agendadas.

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