Comunistas acusam Frederico Rosa de “prepotência”

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Os vereadores da oposição criticam o executivo socialista de falta de disponibilidade para colocar a população barreirense à frente de supostas questões económicas e de desenvolvimento

 

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Luís Geirinhas

 

Rui Lopo e Sofia Martins, eleitos da CDU no município do Barreiro, em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira para assinalarem dois anos de mandato, mostraram-se preocupados com a participação dos barreirenses no futuro da cidade, em resultado de um problema que afirmam estar associado a “um distanciamento entre órgãos autárquicos e população”.

A falta de escrutínio das populações e dos próprios partidos daquilo que é óbvio das políticas autárquicas é uma ameaça grave à democracia e ao exercício das expressões democráticas”, alertou a vereadora comunista, segundo a qual “o desaparecimento das Opções Participadas e de outros espaços de reflexão, ou o facto dos documentos para as sessões de câmara e Assembleia Municipal sempre distribuídos em cima do joelho, sem qualquer preparação, enquadramento e muitas vezes pouco completos e sem anexos”, têm sido prova disso durante este período.

Desde o início do mandato, a CDU revelou ter entregado “cerca de 30 requerimentos, dos quais uma parte significativa não foi respondida até hoje”, situação que na sua perspectiva revela uma tendência que é “muito preocupante de falta de envolvimento na construção de reflexão crítica com as populações”.

Os eleitos comunistas reclamam, em defesa dos barreirenses, que sejam repostos os espaços de Participação que eram comuns, numa terra que “cresceu e que sabe a importância do crescimento com base na expressão colectiva”. Sofia Martins acusa ainda a maioria socialista de apresentar temas “sem qualquer enquadramento ou explicação adicional, que nos permita efectivamente participar e dar contributos de forma construtiva”, e realça a “falta de disponibilidade deste executivo para poder pôr os interesses das populações à frente dos supostos interesses de desenvolvimento ou económicos”. Uma das questões apontadas pela eleita foi a concessão por 12 anos da iluminação pública da cidade, decisão que em termos futuros “dificilmente poderá ser revertida”, alerta.

Rui Lopo, por sua vez, adiantou constatar na presidência de Frederico Rosa, uma “prepotência na gestão de um órgão autárquico, a que talvez o Barreiro nunca tenha assistido, com laivos de arrogância que não são admissíveis para quem exerce este cargo”, defendendo que “há uma clara subalternização dos interesses do Barreiro à miscelânea política partidária”.

Quinta do Braamcamp: solução PS “não serve o Barreiro”

Os membros da CDU recordam que em 2016, os órgãos municipais “afirmaram unanimemente querer retirar” o território ocupado pela Quinta do Braamcamp do mercado imobiliário e três anos depois, interrogam as razões que levam o executivo PS a querer vender quando “não colhe a ideia de que a CMB não tem dinheiro para infraestruturar” aquele espaço do concelho. “O que leva o executivo do PS a querer construir um paredão de edifícios na frente Tejo”, questionam. Por outro lado, realçam que se existe problemas de habitação, que “se trabalhe para resolver os vazios da cidade, usufruindo das infraestruturas já construídas, sem aumentar o passivo urbano”, ao invés da “destruição deste património natural”, numa solução que “não serve o Barreiro”.

Com efeito, em relação a esta questão, os eleitos comunistas destacam que “a alienação e revitalização da Quinta Braamcamp, do território de Alburrica e das nossas frentes ribeirinhas, não passa claramente pela habitação, porque esta não é nem uma necessidade, nem uma solução”, tendo ainda marcado a sua posição em relação à mobilidade e transportes. “Não fossem os novos autocarros e os TCB estariam em implosão organizacional”, afirmam, lembrando que este foi um processo e uma opção estratégica iniciada em 2014.

Entre outros assuntos abordados, destaque para os fundos comunitários (PEDU) herdados da gestão anterior, classificados como “uma herança única na história do Barreiro que esta presidência não sabe aproveitar”, criticam. Para os próximos dois anos, a CDU garante que vai manter-se atenta a todos os assuntos camarários e mostrar-se como uma alternativa de futuro para o Barreiro.

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