Lavradio acolhe um dos maiores coleccionadores de pacotes de açúcar do país

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A periglicofilia surgiu na sua vida em 1998 através da esposa. É entre pacotes de açúcar e viagens que passa os seus dias, contando com mais de 150 mil exemplares.

 

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Em casa de Adolfo Lopo há dezenas de prateleiras preenchidas com uma colecção pouco comum. São mais de 150 mil os pacotes de açúcar, provenientes de todo o mundo, que este periglicófilo de 67 anos colecciona há mais de duas décadas. É, desta forma, um dos maiores coleccionadores de pacotes de açúcar do país.

 

Com uma enorme paciência, o antigo presidente da Junta de Freguesia do Lavradio aplica, com o auxílio de um x-acto, um gesto delicado que emprega na técnica de separar o papel do açúcar. Posteriormente, é a altura de guardar o pacote no local indicado para o seu armazenamento. Quanto ao conteúdo dos pacotes, Adolfo Lopo oferece-o.

 

Coleccionador desde 1998, o interesse por esta prática surgiu por parte da esposa, Helena Magalhães, que “tinha um amigo que também o fazia”. “A minha mulher oferecia pacotes ao amigo, até que começou a achar graça a alguns e começou a guardá-los. O amigo, que queria arranjar mais coleccionadores, incentivou-a. Foi guardando na altura. Entretanto, esse amigo faleceu e ela herdou a sua colecção”, conta o ex-autarca. O interesse do coleccionador do Lavradio nasceu quando, um dia, chegou a casa e encontrou a esposa a limpar algumas colecções. “Na altura teria por volta de mil. O meu interesse nasceu aí e nunca mais parei. A minha esposa diz que a colecção agora é minha”, afirma.

 

A iniciativa levou Adolfo Lopo a criar o Na altura, “o clube arranca com meia dúzia de sócios. Nos dias que correm, numericamente, são já 600 e muitos”, acrescenta. O clube organiza, todos os anos, um evento internacional designado de PORTSUGAR, de forma a juntar o maior número de coleccionadores possível. Este ano, o evento acontecerá em Peniche. Para o criador do clube, “a vantagem do encontro para quem comparece é que conhecem novas pessoas. Vêm coleccionadores da Rússia, da Alemanha, de Itália, França e Espanha. Este encontro é, claramente, o maior”.

 

A sua colecção cresce não só de pedidos em estabelecimentos. O reformado e a esposa compram, também, caixas de pacotes de açúcar, com o propósito de trocar os repetidos com conhecidos. “Para além de comprar muito esporadicamente algum pacote, todos os dias entro num café para tentar descobrir um novo e não propriamente para beber o café. Vou lá comprar o pacote de açúcar e bebo o café oferecido”, revela.

 

Os seus dias são passados em casa, “entretido na colecção”. Para o coleccionador, “as amizades que se fazem nesta prática são fundamentais. O coleccionismo faz-se das vivências”. “Eu e a minha esposa quando vamos buscar um pacote metemos conversa com as pessoas. Muitos pacotes que tenho têm uma história. O gosto que me deu a ir buscá-lo é enorme”, acrescenta em seguida.

 

Mas Portugal revela-se um país difícil para manter esta prática. “No nosso país negam-se a dar. Existem, em Portugal, dois tipos de concorrentes aos coleccionadores: as pessoas mais velhas, pois levam o produto para não terem de o comprar, e os vendedores de pacotes de açúcar que, onde conseguem colocar a mão, levam dezenas de cada vez para venda. Com isto às vezes queremos e não há”, confidencia.

 

Aliada ao gosto pelo coleccionismo de pacotes de açúcar encontra-se a paixão por viajar e muitas são as histórias caricatas que o casal tem para contar. “Na Turquia, em férias, fomos beber café separadamente. Quando entrei num estabelecimento, disse ao senhor que me atendeu que fazia colecção e que a minha mulher estava num outro café. Ele acenou-me, disse qualquer coisa ao empregado e saiu. Só me disse para esperar. Quando voltou, percebi que tinha dado uma volta aos bares todos ali da zona e que me tinha arranjado os pacotes todos do local”, conta. “Também na Bulgária aconteceu algo do género. Contratámos um motorista para nos transportar na zona. No primeiro sítio onde parámos, convidámos o rapaz para ir connosco. Não quis. Então disse-lhe, em tom de brincadeira, que tinha um castigo. Teria de ir a todos os cafés da zona pois queria os pacotes. Quando regressámos disse-me que não se tinha esquecido e tinha um pacote na mão. Deu-me desculpas por só ter arranjado um. Respondi-lhe que na próxima paragem teria um objectivo redobrado. Mal disse isto deu-me um saco cheio de pacotes que tinha na outra mão”, acrescenta.

 

Desta forma, muitas das suas viagens são marcadas consoante o número de pacotes de açúcar que possui do destino na sua colecção. O casal pretende, para o futuro, “viajar para a Holanda e para Itália”. “Em princípio irei trazer uma mala de viagem cheia. Descarrego lá a minha e trago outra igual”, conta o reformado.

 

Numa das suas viagens, de forma a conseguir o maior número possível de pacotes de açúcar diferentes, Adolfo Lopo revela ter bebido, “no mesmo dia, mais de 30 cafés”. Hoje em dia pede apenas o pacote.

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