Novo observatório pretende reduzir risco de galgamento costeiro

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Esta semana vai ser instalada uma câmara, no topo do hotel Tryp Lisboa Caparica Mar, para vigiar o movimento das águas

 

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A Câmara de Almada está a criar um observatório para reduzir os riscos costeiros, como galgamentos ou inundações, tendo em conta que “as alterações climáticas estão aí”.

“No ano passado, não tivemos um inverno muito duro em termos de galgamentos costeiros, mas já tivemos anos em que foram muito problemáticos, em que a subida das águas trouxe graves problemas. Portanto, temos de preparar o futuro sabendo que as alterações climáticas determinam nos próximos anos a subida das águas na Costa de Caparica”, explicou a vereadora da Proteção Civil.

Francisca Parreira falava à Lusa depois da assinatura do protocolo entre o município, a Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que, em conjunto, pretendem não só “monitorizar” o comportamento das águas, como criar uma “maior literacia” no âmbito da prevenção.

“Estamos a dar o primeiro passo para a monitorização e avaliação do comportamento das águas na frente de praias da Costa de Caparica. Este projeto vai permitir antecipar galgamentos, ou seja, vai permitir que os técnicos forneçam informações e instrumentos para que, em situação de risco, se possam acionar os meios adequados para protegermos o nosso território”, indicou.

Aliás, segundo a vereadora, esta semana será já instalada uma câmara “para acompanhar o processo e movimento das águas”, no hotel Tryp Lisboa Caparica Mar, também parceiro do projeto.

Por sua vez, o investigador da Universidade Nova de Lisboa José Carlos Ferreira indicou que o concelho de Almada é “um território com elevada vulnerabilidade a muitos riscos”, pelo que, através dos estudos já efetuados, é preciso “operacionalizar”.

É isso mesmo o novo Observatório de Avaliação de Riscos Costeiros e o Centro de Estudos de Avaliação e Gestão de Risco Ambiental e Proteção Civil irão fazer, tornando “a comunidade que vive junto ao litoral mais resiliente às alterações climáticas”, segundo o responsável.

“Já temos vários projetos a decorrer, como um que, dentro de dois anos, vai criar um sistema de alerta para galgamentos e erosão. A câmara é o parceiro que vai receber esta ferramenta e, com seis dias de antecedência, consegue ajudar a proteção civil a identificar as áreas de maior risco e se há ou não pessoas em risco”, adiantou.

Além disso, revelou José Carlos Ferreira, o observatório também vai criar uma estratégia que “envolve toda a comunidade, aumentando a perceção do risco”.

Para Francisca Parreira, este é um aspeto muito importante do projeto, até porque “as comunidades preparadas são aquelas que se organizam dentro de si próprias”.

“Todos somos parceiros da proteção civil e as comunidades devem estar preparadas para enfrentar os diferentes riscos, por isso, trabalhar na área da prevenção é importantíssimo para termos comunidades mais resistentes e resilientes”, frisou.

De acordo com a vereadora, o protocolo assinado hoje vai permitir ainda “monitorizar e avaliar o comportamento das areias que foram repostas” nas praias da Costa de Caparica, entre 13 de agosto e 24 de Setembro.

Foi mais de um milhão de metros cúbicos de areia que foram colocados em oito praias desta zona de Almada, num investimento de 5,8 milhões de euros, financiados por fundos comunitários e dinamizados pela Agência Portuguesa do Ambiente, que pretendia “contrariar a tendência erosiva e repor, o mais possível, o equilíbrio nas zonas de berma e espraiamento”.

Segundo a autarca, esta alimentação artificial foi “fundamental e era exigível” porque esta zona litoral estava com “quotas comparáveis ao ano de 2013″, quando existiram galgamentos na frente urbana da Costa de Caparica, que deixaram o município “muito preocupado com a segurança das populações”.

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