Museu Municipal Pedro Nunes vai ser inaugurado dia 6 de Abril

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A renovada Igreja do Espírito Santo, que acolhe o museu municipal, reabre no dia 6 de Abril (sábado) às 15h30 como espaço de culto e com um novo projecto museológico de elevado interesse patrimonial

 

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São 2700 anos de história de ocupação humana no território de Alcácer do Sal que passam a estar contados ao público no renovado Museu Municipal Pedro Nunes. A inauguração do museu, instalado na Igreja do Espírito Santo, está marcada para o dia 6 de Abril, às 15h30, e vai contar com um pequeno concerto da fadista Katya Guerreiro, aberto ao público.

 

No museu os alcacerenses e visitantes vão poder compreender melhor a história da ocupação do território do concelho desde o século IV a.C. até ao século XVIII, através de painéis informativos, objectos expostos, um ecrã multimédia e um filme sobre o rio Sado, “um espaço determinante e que deu origem ao desenvolvimento deste núcleo ao longo dos séculos”.

 

As explicações são de Marisol Ferreira, responsável pelo Sector de Arqueologia, Museus e Património Cultural da autarquia, e reforçam o papel fundamental do rio na atracção e fixação de vários povos ao longo dos tempos, desde os fenícios. Sabe-se que pela sua posição estratégica “tudo o que vinha do interior do Alentejo era transportado pelo rio Sado, e daqui para outros sítios”, no âmbito comércio regional e com o Mediterrânico.

 

Essa “ocupação junto ao rio, portuária”, num período entre século IV a.C. até ao século XIII d.C, surge confirmada por vários objectos arqueológicos encontrados durante escavações dentro e fora da igreja. Ali terá havido “um conjunto de armazéns” e “habitações de trabalhadores”. “Sabemos que as estruturas habitacionais passavam além da igreja, mas o porto seria muito próximo”, explicou a responsável.

 

O edifício da igreja foi construído no século XVII, integrando elementos manuelinos que terão pertencido ao Hospital do Espírito Santo, mas foram ali encontrados também enterramentos de um período anterior à sua construção, bem como objectos como medalhas, crucifixos, algum material associado à indumentária quando eles eram enterrados, como botões e fechos, e pequenas estátuas em terracota”, enumerou Marisol Ferreira.

 

O Museu Municipal Pedro Nunes foi fundado em 1894 e é um dos mais antigos do país. Em 1914 o espólio arqueológico municipal foi passado para a igreja e em 1979 o museu foi rebaptizado em honra de Pedro Nunes, o mais famoso matemático e cosmógrafo português no século XVI e inventor do nónio (uma escala aplicada a um instrumento de navegação), nascido no concelho em 1502.

 

Nos anos 80 o espaço foi requalificado, funcionando mais como “armazém” de peças, e manteve-se aberto até 2007, ano em que encerrou devido à degradação do edifício. Depois das escavações, as obras de  requalificação começaram em 2017, tendo um custo total de 775.140.38 euros, dos quais 80% comparticipados pelo programa Portugal 2020 da União Europeia. O projecto museológico fixa o custo global do museu em 1,5 milhões de euros.

 

A Igreja do Espírito Santo, classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1993, vai coexistir como espaço de culto com a parte museológica. O museu, sito na Praça Pedro Nunes ao pé da Câmara Municipal, terá entrada gratuita no primeiro ano, com um horário de funcionamento de terça a domingo, das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30.

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