Montijo: Relatório recomenda evacuação urgente dos serviços da Divisão de Educação

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Vistoria foi realizada em Dezembro do ano passado, apesar de ter sido apontada como necessária logo em Março de 2018. São cinco as medidas sugeridas pelos técnicos que identificaram diversas anomalias no imóvel

Os serviços da Divisão de Educação da Câmara Municipal do Montijo vão ter de passar para outras instalações devido à existência de deficiências estruturais graves no edifício onde funcionam, localizado frente aos Paços do Concelho.

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A situação foi denunciada pelo vereador do PSD, João Afonso, e é sustentada nas conclusões de um relatório preliminar de uma vistoria efectuada ao imóvel por técnicos da autarquia, datado de 18 de Dezembro de 2019, ao qual O SETUBALENSE teve acesso.
No relatório, composto por 12 folhas e ilustrado com várias fotos – que menciona na parte introdutória que já existiam duas informações (uma de 28 de Março de 2018 e outra de 22 de Março de 2019) a alertar para a necessidade de vistoria ao imóvel –, é recomendada a adopção de cinco medidas consideradas “urgentes e imediatas”, pela comissão composta por três engenheiros e um arquitecto que assinam o documento.

“Devido às deficiências estruturais graves, sobretudo ao facto do edifício não ter sido calculado à acção de sismos e estar localizado na Zona A (coeficiente de sismicidade máximo) é necessário a mudança imediata dos serviços da Divisão de Educação para novas instalações”, pode ler-se no relatório da vistoria ao edifício de três pisos.
Outra das medidas sugeridas é “a mudança dos arquivos para o R/Chão ou arquivo central” da autarquia, já que os espaços utilizados para o efeito apresentam “uma sobrecarga elevada para a actual estrutura”, com valores que ultrapassam em o dobro ou mais o recomendável.

É igualmente considerado urgente o “escoramento dos pavimentos nos 2.º e 3.º pisos na projecção vertical da parede resistente”, a qual foi “demolida indevidamente”, bem como a “reposição das paredes resistentes no alçado principal e no alçado lateral direito”.
A outra medida assinala que, para completar a análise das “patologias” detectadas, “é necessário a abertura urgente de espaços no tecto falso do R/Chão” assim como no “tecto do 3.º piso”, além da “necessidade de arrancar o revestimento em zonas pontuais” dos 2.º e 3.º pisos, para que seja possível efectuar uma vistoria final.

Patologias detectadas

No terceiro ponto do relatório, sobre as patologias estruturais observadas visualmente, destaca-se que a vistoria realizada permitiu apurar que “existem paredes resistentes do núcleo central da escada inicial e paredes interiores que não existem”, tendo sido identificadas “algumas deformações nos pavimentos” dos 2.º e 3.º pisos.

Em relação às paredes exteriores, de acordo com o documento, “existem fendas nos alçados exteriores e algumas fissuras”, apesar da verticalidade das paredes “à vista desarmada” apresentar-se “estável”.

As paredes interiores também mostram “fendas, sobretudo no último piso”.
Os tectos falsos apresentam “apenas algumas fendas e fissuras” e no patim das escadas de acesso ao sótão “existe uma deformação e fendas no tecto”, originadas, segundo o relatório, por “infiltrações de águas”.

Os pavimentos evidenciam “ao nível do 2.º piso, 3.º piso e sótão deformações e vibrações”.

No que toca à rede de drenagens e de abastecimento de águas e outros é sinalizado que no R/Chão existem “maus cheiros cheiros nas instalações sanitárias, com problemas de drenagem em situações de cheias”.

O edifício, com mais de 65 anos, foi sofrendo ao longo dos tempos algumas intervenções, chegando a ser ocupado por uma agência bancária (BPA) e mais tarde, a partir dos anos 80 do século passado, utilizado como sede da Junta de Freguesia do Montijo. A partir deste último período e até à presente data, segundo o relatório, o imóvel foi alvo de “obras de conservação, manutenção e de alterações físicas”, das quais “não existem registos no arquivo da Câmara Municipal”.

O SETUBALENSE tentou registar a reacção do presidente da Câmara Municipal do Montijo, enviando um conjunto de questões por email do qual deu conta telefonicamente ao Gabinete de Comunicação da autarquia, mas até ao fecho desta edição não obteve resposta.

João Afonso fala em ‘bandalheira” e vai pedir demissão de vereadora

O vereador João Afonso denunciou a situação através de um vídeo publicado, no passado dia 29, na página que administra na rede social Facebook.
De acordo com o autarca, o edifício começou a ser “evacuado” em Janeiro último, com os funcionários a serem “remetidos para as antigas instalações da Escola Profissional do Montijo”. O social-democrata considera que o edifício que alberga a Divisão de Educação da autarquia “está em risco de colapso” e acusa o presidente da Câmara Municipal, Nuno Canta, de “esconder esse facto da população”, criticando ainda a gestão socialista de não ter “tratado o assunto no órgão Câmara Municipal”.

“A Câmara, que deveria ser um órgão democrático, está a ser governada pelo PS de uma forma despótica e opaca”, atira, adiantando mais à frente: “Há aqui um dano enorme para o património municipal em resultado da incúria, incompetência e desleixo, que norteia a Câmara e os serviços da Câmara”.
O social-democrata afirma ainda que a autarquia não tem “um plano de manutenção dos edifícios público, património municipal”, classificando a acção da gestão socialista como uma “bandalheira de incompetência”.

A O SETUBALENSE, o vereador acrescentou que o estado actual do edifício “coloca em risco os funcionários e o público que o frequenta” e anunciou, a concluir, que durante a reunião do executivo camarário a realizar esta tarde, a partir das 15h00, nos Paços do Concelho, irá pedir “a demissão da vereadora responsável pelo pelouro da Educação”, Maria Clara Silva.

 

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