Mercado do Rio Azul será porta de entrada na cidade para novos turistas

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O novo Mercado do Rio Azul foi inaugurado a 31 de Janeiro de 2019, depois de quase dois anos de obras. ALEX GASPAR

A celebrar hoje o seu primeiro aniversário desde a requalificação total de que foi alvo, o Mercado do Rio Azul está ser preparado para receber novos turistas e cada vez mais clientes, com uma oferta de serviços diversificada.

 

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Em 2020 o espaço cuja história está ligada à comunidade piscatória de Setúbal será uma das grandes apostas na promoção do turismo e gastronomia.

Rui Canas, presidente da união das Freguesias de Setúbal, garante que “este primeiro ano foi muito positivo no Mercado do Rio Azul. Foi o tempo de consolidar um projecto pelo qual muito se lutou e que deu muito trabalho para concretizar”. Agora  o autarca quer os turistas e clientes recebidos todas as semanas no mercado sejam um exemplo do futuro que queremos”.

Afinal, não é por acaso que a entrada principal do Mercado do Rio Azul está voltada para o rio. “Dali virá o novo turismo de Setúbal e este espaço será uma das suas portas de entrada”, revela o autarca.

A par da aposta no turismo, assegurar a qualidade superior dos produtos também faz parte da estratégia para 2020. Para tal vai contribuir “uma nova camara frigorifica e uma máquina de gelo”. Serviços que vão estar disponíveis para os comerciantes já em Fevereiro.

No parecer do autarca “este é mais um passo para subir o patamar de qualidade e autonomia que se espera do Rio Azul”, tendo em conta que actualmente os comerciantes têm de adquirir o gelo fora das instalações do mercado, nomeadamente no Mercado do Livramento ou na lota da Docapesca.

Diversificar a oferta alimentar dentro do Mercado do Rio Azul será também mais um passo deste ano, com a abertura de um talho.

 

Público americano à descoberta da cultura da pesca em Setúbal

 

Segundo Rui Canas o papel deste mercado não é colocar-se em “pé de igualdade” com o Mercado do Livramento, até porque os seus objectivos fundadores e o seu público são diferenciados. O primeiro é um postal dos produtos da região no mundo e tem o papel de divulgar a gastronomia local.

“Enquanto o Mercado da Lota, hoje Mercado do Rio Azul, sempre teve um papel de apoio à comunidade piscatória, que encontrava aqui parte do seu sustento com a venda do seu peixe”, explica.

Mas hoje, este modelo começa a sofrer alterações profundas. A par do Mercado do Livramento, o Mercado do Rio Azul também já recebe grupos de turistas que “vêm conhecer as tradições piscatórias de Setúbal e a história da nossa comunidade”, avança o autarca.

“A prova maior desse novo papel é a presença semanal de grupos dos EUA, que vêm com um guia ao Mercado do Rio Azul. Uma visita durante a qual é explicada a história do lugar e todas as espécies da região que são pescadas”.

No futuro, Rui Canas espera ver concretizado o plano no qual a autarquia e a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) têm estado a trabalhar, “no sentido de trazer actividade permanente ao cais da Docapesca, para além do movimento anual da Semana do Mar”. A estratégia passará por espaços de restauração e actuações culturais.

 

“Vamos estar sempre aqui para ouvir os comerciantes
e melhorar o futuro em conjunto”

 

Sobre as mais recentes queixas de alguns comerciantes, em relação à manutenção e limpeza do espaço, bem como sobre vendas que não estariam a correr de acordo com o regulamento do Mercado do Rio Azul, o presidente garante que todos os comerciantes têm a sua situação regularizada e em dia e que o mercado não podia estar mais acompanhado pela autarquia.

“Todos os comerciantes que vendem no mercado estão devidamente autorizados e as suas faltas justificadas, ao contrário do que foi alegado recentemente. E não registamos incumprimentos no regulamento, que por sinal foi aprovado apenas há três meses, uma vez que envolveu várias entidades – desde a autarquia, à Docapesca e APSS, proprietária do edifício – para além disso tivemos de aguardar a publicação em Diário da República”, esclarece.

 


O mercado do ‘quinhão’ de peixe

Criado na década de 1960 para dar melhores condições de vida à comunidade piscatória de Setúbal, que carecia de outros rendimentos nos dias de má faina, o Mercado da Lota nasceu como local onde os pescadores vendiam o seu ‘quinhão’.

“Todos os dias os pescadores recebiam, quando vinham da faina, uma parte do que era pescado. Esse ‘quinhão’ podia ultrapassar os 15 quilos”, conta Rui Canas, nascido numa família também ligada à pesca.

“Muito desse peixe era vendido na rua, à chegada dos pescadores. Era mais barato, vendido às ‘tecas’, pequenos montes com vários tipos de peixe misturados. Mas, com o passar do tempo a Câmara Municipal de Setúbal quis dar outras condições aos pescadores”. Foi então criado o Mercado da Lota, através de um protocolo com a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra.

“Décadas depois, o espaço começou a precisar de obras e em 2013 foi mesmo encerrado pela ASAE [Autoridade de Segurança Alimentar e Económica]”, recorda Rui Canas.

As tentativas para fazer pequenas obras de forma gradual não solucionaram os problemas crescentes e em 2017 arrancaram as obras para concretizar o que é hoje o Mercado do Rio Azul.

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