Utentes de Seixal e Almada apontam falta de vontade política a Marta Temido

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Fotos de Daniel Maia

Urgência Pediátrica do Garcia de Orta há dois meses sem solução. Os utentes de saúde do Seixal e Almada começam a desacreditar nas promessas da ministra da saúde. Na última manifestação frente ao Ministério, afirmaram que não vão desistir de reivindicar a abertura da urgência pediátrica do HGO

 

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As Comissões de Utentes da Saúde de Almada e Seixal insistem na reabertura da urgência pediátrica do Hospital Garcia de Horta (HGO), em Almada. Na manhã da última quarta-feira, manifestaram-se frente do Ministério da Saúde e entregaram um manifesto aprovado por unanimidade pela população de ambos os concelhos, documento que foi entregue à assessora da ministra.

Na manifestação de desagrado estiveram, além da população dos dois concelhos e autarcas, entre eles o presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Santos, que tem estado na primeira linha da luta pela prestação de cuidados de saúde às populações, a deputada Paula Santos, representantes das comissões utentes, da União dos Sindicatos de Setúbal e do Sindicato dos Enfermeiros.

Pediatria no Garcia noite e dia

Com dezenas de manifestantes a afirmarem diante do Ministério da Saúde que a “Pediatria no Garcia faz falta noite e dia”, outros seguravam uma faixa onde se lia “Se a saúde for privada, ficamos privados de saúde”.

Para o autarca do Seixal, “esta é uma situação extremamente preocupante, pois está em causa a saúde da população, que durante a noite não tem acesso à urgência pediátrica do HGO, tendo de se deslocar para outras unidades de saúde, pelo que é urgente a sua reabertura”.

Para Joaquim Santos é ainda “inadmissível que passados dois meses não se perspective uma solução. A população do concelho não merece ser tratada desta forma, pelo que vamos uma vez mais exigir que se resolva este problema”. Ao mesmo tempo lamenta que depois de ter acreditado na ministra da Saúde, Marta Temido, reconhece agora “haver falta de vontade política”.

Desde Novembro que a urgência pediátrica do hospital de Almada encerra das 22h00 às 8h30, devida à falta de especialista para assegurar a escala, ficando as crianças do Seixal e Almada privadas de assistência. Não havendo outra saída, são encaminhadas para os hospitais de Lisboa, solução que não pode agradar nem a pais, nem ao corpo médico.

Tudo ao molho nos centros de saúde

Referindo-se às crianças serem atendidas nos centros de saúde, um dos elementos da Comissão de Utentes declarou à Comunicação Social que esta “nunca é uma verdadeira alternativa”, porque os pequenos pacientes não são tratados por “verdadeiros especialistas em pediatria”. Para além disso, “está tudo ao molho, tudo junto”. Por outro lado, sublinhou haver “um esforço enorme sobre os profissionais do Agrupamento dos Centros de Saúde de Almada e Seixal”, com listas de 1 800 a 2 000 utentes por médico de família e ainda “sobrecarregados com alargamento do horário e atendimento complementar ao fim-de-semana”.

Lembram os utentes que, na reunião de 18 de Dezembro, a ministra da Saúde “garantiu-nos terem já sido contratados dois pediatras para o HGO e estarem a ser envidados esforços para o preenchimento de mais cinco vagas a concurso, ficando prevista nova reunião para Janeiro, a fim de se fazer um ponto da situação.

Declarações públicas recentes da de Marta Temido apontavam como possível a reabertura nocturna da Urgência Pediátrica do HGO em Março, mas em declarações do presidente do conselho de administração do hospital ao Observador, em 9 de Janeiro, aponta como “irrealista o mês de Março para essa reabertura”.

Desacerto cria apreensões

Foi este “desacerto” que se criou em todos “algumas apreensões, pelo que, por questão de boa ordem e confiança”, as Comissões solicitaram à “ministra o agendamento urgente da reunião prevista, ao que ainda não nos respondeu”.

José Sales, da Comissão de Utentes do Seixal, declarou a O SETUBALENSE -DIÁRIO DA REGIÃO que, perante a hesitação das autoridades, pediram “uma reunião à ministra com carácter de urgência. Até lá, aguardamos. Nós também sabemos esperar”, concluiu.

Por José Augusto

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