Manutenção industrial: De mal necessário a fonte de proveito

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Encontro em Palmela juntou empresas, prestadores de serviços e academia, com objectivo de estreitar colaboração. Muito notadas foram as presenças de jovens académicos e ainda do IEFP de Setúbal

 

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“Este Meeting é importante para unir as três vertentes ligadas à manutenção; empresas, prestadores de serviços e academia, e ajuda a potenciar a empregabilidade e importância da manutenção industrial antes vista como um mal necessário e hoje como uma fonte de proveito numa clara mudança de paradigma”. A afirmação de José Sobral, presidente da APMI ((Associação Portuguesa de Manutenção Industrial), é uma das ideias fortes resultantes do 2.º Meeting de Manutenção Industrial promovido   Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET).

 

Dois anos depois da realização do primeiro, no Barreiro, o segundo encontro decorreu durante todo o dia da passada quarta-feira, em Palmela. Marcaram presença mais de uma centena de pessoas entre representantes de empresas, empresários e particulares, com muitos jovens a mostrarem-se interessados numa área onde o avanço tecnológico é cada vez mais determinante. O espaço para network contou com seis expositores, entre associados e não associados.

A abrir os trabalhos; o primeiro painel, subordinado ao tema “Inovação na Manutenção Industrial”, contou com as participações de António Roque da Associação Portuguesa de Manutenção Industrial (APMI) que abordou em pormenor a “importância que tem para o sector a tecnologia de amplificação de movimento aplicada à manutenção condicionada”. Tiago Silva da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), uma das unidades orgânicas da Universidade Nova de Lisboa, falou sobre o percurso Campus FCT Nova para o campo. A FCT é uma Escola de Ciência e Engenharia orientada para o futuro e baseada em investigação internacional de vanguarda reconhecida pela sua investigação de excelência, pela qualidade dos seus cursos e pela empregabilidade dos seus diplomados.

A encerrar este primeiro espaço para troca de ideias, plateia incluída, Didelet Pereira, do Instituto Politécnico de Setúbal (PS), realçou a importância dos modelos matemáticos e fiabilidade na gestão da manutenção.

O segundo debate, elencado na programação deste meeting, aconteceu no período da tarde e teve como base de partida para a conversa, o tema “Manutenção Industrial em tempos de mudança: Indústria 4.0, internet das coisas e inteligência artificial”. Participaram Nelson Compadrinho da INTROSYS , empresa sediada no distrito de Setúbal, mas referência nacional na área dos sistemas de controlo robotizados. Luís Maia Vieira da ATM – Assistência Total em Manutenção, uma das maiores empresas de manutenção no segmento da indústria, energia eléctrica, saúde e terciário a operar em Portugal e Espanha. A conversa a três, moderada por Carlos Fonseca da Continental Teves, teve ainda o contributo de Tiago Santos da MUVU Technologies, empresa de Consultoria em Tecnologias de Informação e Comunicação, que tem como missão, desenvolver com base em tecnologia de ponta, soluções funcionais e inovadoras.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Palmela mostrou-se satisfeito pelo concelho receber um evento desta natureza, afirmando que “estamos perante um ecossistema empresarial muito interessante e dinâmico, com forte peso na economia e no PIB nacional, e com a presença próxima e dialogante do Politécnico, da Academia ATEC e de outros pólos de investigação e formação, temos as condições e a mão-de-obra necessárias para operar a transição para a indústria 4.0 e enfrentar os novos desafios da manutenção industrial com sucesso e de forma integrada e integradora, olhando as pessoas não como obstáculos ao progresso mas como mais-valias incontornáveis”. Álvaro Amaro deixou um incentivo aos participantes ao garantir que “podem contar com o município de Palmela para a concretização dos vossos projetos”.

 

No encerramento do encontro, o director geral da AISET fez um balanço inicial positivo. “A participação foi boa os networks realizados foram muito interessantes com as partes, empresas e clientes, a ficarem com uma ideia exacta daquilo que está disponível no mercado. Tivémos aqui novas pessoas, novas empresas, novas parcerias e uma actualização de conhecimentos”. Nuno Maia Silva mostrou-se satisfeito com a importância que se verificou neste encontro entre a área académica e a parte empresarial considerando “muito importante esta junção. Estamos perante um mundo novo, não sabemos como estaremos dentro de cinco anos por isso temos de nos preparar no presente”. Deixou também uma palavra de agradecimento pela presença, pela primeira vez, do Instituto de Emprego e Formação Profissional. Uma contribuição que “faz todo o sentido porque a industria também é as pessoas, a sua formação e o seu horizonte profissional” e destacou a presença de muito jovens “que representam uma área académica cada vez mais interessada e envolvida na indústria”. Olhando em frente, Nuno Maia Silva deixou no ar, sem concretizar, a hipótese do 3º Meeting de Manutenção Industrial poder vir a realizar-se no Seixal no âmbito da “itinerância pelo território que queremos seguir onde o eixo Barreiro/Seixal/Setúbal é de extrema importância”. Uma certeza. “voltaremos com mais robustez e entusiasmo”.

 

Por Luís Pestana

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