Garcias: cresce a dois dígitos apesar de clima difícil

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Tempo instável afecta as vendas em mercados turísticos como  como Algarve e Ilhas, mas volume de actividade mantém forte crescimento este ano

 

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Filipa Garcia, administradora da Garcias SA, fez para O SETUBALENSE – DIARIO DA REGIÃO, o balanço dos oito meses de actividade em 2019 e projectou o cenário mais provável até ao fim do ano.

 

A distribuidora de Alcochete opera em todo o território nacional, mas tem no Algarve, Madeira e Açores os seus grandes mercados. Por isso, o factor clima é determinante nos níveis de consumo de bebida. E com um 2019 tão instável em termos de climatologia “era impossível não sermos afectados”, reconhece a responsável. Contudo os números totais são encorajantes. “Neste momento o que detectamos é uma redução no turismo no Algarve, uma zona onde estávamos a pensar crescer mais um pouco este ano, mas devido ao clima não tem sido assim. Também aconteceu assim um pouco na Madeira e nos Açores”, explica Filipa Garcia. O Algarve, sendo a principal zona de facturação da Garcias, foi a zona mais sensível ao factor climático onde “notámos uma queda fácil ao expectável” que admite “a decepção com esta realidade” apesar de no seio da Garcias haver a noção do factor sazonalidade “com o qual sofremos muito, nomeadamente, no Algarve, Madeira, Açores e Litoral Alentejano, zonas muito sensíveis”. Num ano com temperaturas mais baixas “o consumo por parte do turista nacional e estrangeiro reduz de forma substancial”, acrescenta.

 

Mas, numa panorâmica geral, “esta quebra, na ordem dos 3% no total nessas regiões, não é preocupante. Conseguimos equilibrar essa perda com o crescimento noutras áreas da empresa o que faz com que, comparativamente ao ano passado, estejamos quase com 10% acima de vendas no geral da Garcias”. Até ao final do ano tudo aponta “para que se confirme este crescimento global da empresa, esperamos fechar 2019 em linha com estes números”.

Filipa Garcia lembra que “ao nível de facturação estamos presentes em todo o país. Somos a única distribuidora que está presente em todo o mercado nacional. Agora vamos aguardar por Setembro e Outubro, que no ano passado foram grandes meses devido ao clima que se manteve bastante estável, e vamos aguardar para ver se este ano conseguimos repetir esses números”.

 

“Esta quebra, na ordem dos 3% no total nessas regiões, não é preocupante. Conseguimos equilibrar essa perda com o crescimento noutras áreas da empresa”

 

Historicamente o ano operacional da empresa é sempre marcado “por picos de vendas”. A época carnavalesca, explica a administradora, “já foi muito produtiva quando havia a obrigatoriedade das férias escolares e do feriado, mas, ainda assim, continua forte nas cidades típicas que vivem o Carnaval como Loulé, Torres Vedras ou Ovar. Nessa altura continua a notar-se um aumento de consumo por parte dos restaurantes e comerciantes na semana anterior à festividade. A Páscoa, que este ano também foi um desastre devido ao clima, continua a ser muito importante. Temos ainda as festas regionais em todo o país, essencialmente em Agosto, devido aos imigrantes. No interior do país e no Norte notamos um alavancar das vendas devido a essa afluência de pessoas que além de consumirem também se abastecem para a viagem de regresso. Mas, claro, o Natal e a Passagem de Ano é sempre o período mais forte”.

 

Em termos de estratégia o mercado tem obrigado a Garcias a redobrar a atenção e a aplicar alguns ajustes e adaptações “por isso cada vez menos fazemos previsões a longa distância”, frisa Filipa Garcia.

 

“A nossa filosofia tem sido a de ir directo ao mercado. Abrimos o ano passado uma delegação em Évora, uma zona onde estávamos pouco presentes”

 

Desde a crise de 2010/11 tem vindo a registar-se o encerramento de várias empresas do ramo da distribuição de bebidas. Basicamente, pelo que é público, trata-se na grande maioria de pequenas empresas familiares que operavam um pouco por todo o país. “Com a crise não aguentaram. Muitas atravessam gerações e os filhos não querem assumir essa continuidade e acabam por fechar por final de geração”, analisa.

 

Aqui entra uma postura distinta da Garcias em relação à concorrência “O que nós temos visto é alguns concorrentes a anexarem algumas dessas empresas e a ficarem naturalmente maiores, mais fortes”. Mas isso não é algo que necessariamente deixe os responsáveis pela Garcias preocupados. A justificação? “A nossa filosofia tem sido a de ir directo ao mercado. Abrimos o ano passado uma delegação em Évora, uma zona onde estávamos pouco presentes e não tínhamos tanto contacto com os nossos clientes. Aí notamos um crescimento na ordem dos 3% em relação ao ano passado. A Garcia em vez de vender aos pequenos distribuidores está a ir directa ao mercado e a construir delegações ou cash&carry’s para aumentar o número de clientes”. A nível concorrencial elogia os 2/3 players que “são fortes no Algarve, Norte e Lisboa. São empresas já com muitos anos de mercado perfeitamente sustentáveis mas que só trabalham as suas zonas. Nessas áreas geográficas sentimos essa concorrência mas estamos a encontrar as melhores respostas. É o mercado a funcionar normalmente”.

 

A Garcia sempre foi conhecida pelos seus espirituosos. Mas, de há 10 anos para cá, a área dos vinhos tem-se aproximado bastante.” Continuamos a ser líderes nessa área e continua a ser a fatia de facturação maior, mas notamos um crescimento acentuado dos vinhos. Isso tem muita a ver com as modas. Por exemplo, o consumo de moscatel de Setúbal ou do Douro tem vindo a crescer de há dois anos a esta parte. Podemos dizer que atravessamos picos de mercado onde o vinho do Porto tem anos em que excede as expectativas de venda noutros diminui. Tudo isto depende do nível de turismo dos diferentes países e a suas preferências”, pormenoriza Filipa Garcia.

 

No presente a administradora recusa fazer qualquer tipo de previsão para 2020 “porque aqui na Garcias vivemos muito da resposta imediata. Neste momento ainda estamos a terminar solicitações de negócios grandes de Verão, talvez até final de Setembro, mas, paralelamente, o nosso foco também já está na campanha de Natal que será promovida publicamente pelos nossos comerciais que têm entre 15 de Outubro e o final do ano o seu período áureo de vendas”.

 

Por Luís Pestana 

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