Garrafeira Farinha: Uma séria alternativa às grandes superfícies

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A empresa, sediada no Monte Belo, é mais um caso de sucesso em Setúbal, que resulta da visão e capacidade de trabalho de um homem. Carlos Farinha concebeu aquela que é hoje uma distribuidora de reconhecida qualidade com vinhos da região e com produtos próprios. A caminho da década de existência, a próxima meta está definida: mudar o estatuto de micro para pequena empresa.

 

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A Garrafeira Farinha é uma realidade, como tal no terreno, desde 2012, mas desde há muito que estava no ideário de Carlos Farinha mentor do projecto. Tem uma experiência acumulada no sector dos vinhos, onde se iniciou em 1992 na conhecida J.A.P. Gonçalves – É nesta garrafeira que adquire vários conhecimentos técnicos e de formação sobre os vinhos e café.

Em 2004, o empresário setubalense cria o seu próprio projeto, torna-se Agente kilatyno e começa a fazer parcerias com pequenos produtores de vinhos. Em 2010 cria a marca Belunni Caffè. É partir de aqui que começa a sentir necessidade de uma base física para desenvolver a sua actividade, essa ideia começa a ganhar forma mas só seria concretizada em 2012 com a abertura ao público da Garrafeira Farinha.

 

Carlos Farinha, em entrevista a O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO, explica que optou por este caminho quando percebeu que “cada vez mais as pessoas procuram o pequeno comércio porque sabem que lá encontram produtos diferentes das grandes superfícies”. Com indisfarçável orgulho começa por falar na loja que “é o mostruário do que vendemos na rua. Um local para receber, acompanhar e sugerir às pessoas a melhor escolha. Esta é a sua função mais importante e não tanto a facturação”. Uma das particularidades desta Garrafeira é o facto de trabalhar em regime de, quase total, exclusividade com os seus parceiros, na sua maioria produtores na região de Setúbal.

As vantagens de trabalhar neste modelo? “As pessoas muitas vezes chegam a uma grande superfície olham para a prateleira vêm o preço, tiram o vinho que conhecem ou arriscam porque não há ninguém para as ajudar dando sugestões. E nós aqui fazemos isso. Conhecemos os produtos, sabemos quais os pratos que se encaixam melhor nesses vinhos, tentamos perceber o gosto das pessoas e mediante uma análise conjunta sugerimos o vinho ideal”, justifica Carlos Farinha

Devido ao trabalho desenvolvido, revela que,” temos vindo a crescer, mas quero que isso suceda a um ritmo certo e seguro. Os mercados às vezes oscilam e por vezes, nessas alturas, pode surgir um grande revés. Eu quero que a Garrafeira tenha capacidade para enfrentar com tranquilidade qualquer cenário, positivo ou negativo”. Com muito trabalho e muita polivalência, acrescenta o empresário, “vamos conseguindo atingir as nossas metas. Não pretendemos ser uma grande empresa, nunca foi essa a minha intenção. Queremos passar de micro para pequena empresa, esse é o principal objectivo”. O próximo passo, inevitável num espaço temporal é mais uma indicação de crescimento da Garrafeira Farinha. “As nossas instalações estão a rebentar pelas ‘costuras’ necessitávamos de ter aqui um espaço alternativo, um armazém 2, para fazer face a algumas encomendas em quantidade que nos trazem dificuldades de armazenamento. É contudo é uma situação em que estou a trabalhar já há algum tempo que deverá ficar resolvida este ano ”.

 

Caffè Belunni é marca própria da Garrafeira Farinha

“O café é o meu bichinho”

Na entrevista que nos concedeu, Carlos Farinha não escondeu a paixão pelo café. De tal forma forte que avançaria para a produção do seu próprio café. “Comecei aos 18 anos a minha actividade na área dos vinhos numa empresa que comercializava o café Palmeira e trabalhar com o café foi algo que me agradou bastante”. Em 2004 quando, se estabeleceu por conta própria, fez algumas pesquisas “para perceber o que as pessoas mais gostam no sentido de fabricar um produto equilibrado para o café-chávena”, explica. Na altura, prossegue, “conheci o sr. Varela que tinha uma pequena torrefacção. Foi a ele que expus a minha ideia, ficou entusiasmado e juntos conseguimos melhorar um dos lotes que produzia mais de acordo com as minhas ideias. Depois trabalhámos ainda mais lotes durante alguns anos”. Em 2010 decidiu avançar sozinho para a criação da marca Belunni. Carlos Farinha seguiu as linhas das grandes marcas de café mundiais e apostou em dois lotes de grande qualidade em detrimento da quantidade. “Aperfeiçoámos dois, o Clássic e o Pérola a que juntamos o descafeinado em grão que é só de uma origem”. O negócio, revela, não tem crescido porque “é uma área que requer grandes investimentos e eu não tenho seguido esse caminho”. As pessoas hoje “dão mais valor ao que lhes é dado do que à qualidade do café. Falo dos equipamentos e até dinheiro, para iniciarem o seu negócio ou manterem-se a trabalhar com as grandes marcas. Isso deixa-me um pouco triste porque quase todos nós bebemos café todos os dias e a qualidade deve estar em primeiro lugar”. Para o Belunni, contudo, acredita, está reservado um futuro feliz mesmo que num horizonte longínquo. “Eu não procuro cliente para o café. Não tenho ninguém na rua a angariar clientes. Os que temos, e os que vão surgindo, são nossos clientes na distribuição que sabem que vendemos café. Quando têm algum problema com a marca contactam-nos e depois, na grande maioria, ficam connosco. Acredito no futuro deste produto mas tenho consciência de que o crescimento será lento. Tem contudo um lado positivo: a consistência e qualidade do cliente”.

 

Empresário continua a surpreender e a inovar

Vinho tinto Tapada de Algeruz a mais recente criação de Carlos Farinha

“O Tapada De Algeruz é um vinho criado por mim e por um amigo, o Francisco Camolas, produzido na sua Adega em Palmela. É um projecto que reflecte a forma como eu vejo o mundo do vinho. Na minha opinião as pessoas devem beber vinhos de qualidade produzidos na nossa região”. O perfil do Tapada de Algeruz resulta, explica, da escolha de três castas. “A Castelão de Palmela, o Touriga Nacional, que é a casta mais portuguesa de todas, e o Alicante Bouschet, casta que bastante aprecio”. Com esta junção nasceu um vinho de garrafa com P.V.P abaixo dos 5€ “conforme o projectado”.  O Tapada de Algeruz  já se pode encontrar em muitos espaços comerciais, nomeadamente, na restauração minimercados, mercearias e alguns Intermarché. Este passo, desvenda Carlos Farinha, “ é a base dum projecto de produção que quero continuar a desenvolver. Iremos lançar á posteriori um vinho licoroso, um vinho branco e talvez um moscatel. Quero criar vinhos próprios para que as pessoas venham aqui e se habituem aquilo que eu sugiro. Será um caminho que faremos em paralelo com o que desenvolvemos actualmente com os nossos parceiros da região”.

 

Por Luís Pestana

Fotos Mário Romão

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