Jornalismo imparcial e escrutinado para combater redes sociais

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As redes sociais, muitas vezes pelo sensacionalismo da informação que transmitem, ameaçam sobrepor-se aos meios de comunicação social, mesmo que em suporte digital sejam. Trata-se um combate sobre credibilidade e profissionalismo

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O meio de comunicação com base em papel “nunca vai desaparecer”, esta é a opinião de Paula Santos, Directora Adjunta do Jornal Expresso, perante a ameaça das redes sociais. Mas para isso os profissionais de comunicação estão obrigados a um jornalismo “escrutinado, imparcial e que não reaja a interesses e ódios”, este é o caminho apontado por Manuel Acácio, da TSF.

Os dois jornalistas que começaram as suas carreiras em meios de comunicação social de Setúbal, participaram ontem no III Encontro dos Profissionais de Comunicação, organizado por O SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO e Câmara Municipal de Setúbal.

A diferença entre jornalismo puro e duro e a informação que circula nas redes socais esteve no centro de vários painéis deste encontro. Na primeira linha está a diferença entre a notícias que de facto é notícia, descortinada e verificada com fontes, e a informação que simplesmente é colocada nas redes sociais.

“Hoje estamos mais informados porque temos acesso a mais notícias através das redes sociais, mas isso também obriga a um melhor jornalismo”, comenta Paula Santos. O outro lado da moeda é termos um “jornalismo menos prestigiado que não passou pelos filtros profissionais”.

Outro risco a que os meios de comunicação social estão expostos perante as redes digitais, é a correria para ser o primeiro a dar a notícia, isto atrás de um protagonismo que pode conduzir a informação mal verificada, e à susceptibilidade de erro. Para a jornalista do Expresso, a forma de resistir a esta correria é “não perder a lucidez, e ao mesmo tempo não perder o ritmo de trabalho com critério e rigor”.

O que está em causa é o combate às fake news nas redes sociais produzidas com a intenção de servirem interesses vários, ou mesmo pelo erro não intencional de um profissional de comunicação. Sobre este aspecto, Manuel Acácio chamou à atenção para a actual composição de algumas redacções.

“Temos assistido a jornalista com experiência, que por cansaço ou outras razões, saem das redacções deixando-as muitas vezes entregues a estagiários”. O resultado é que passamos a ter redacções “mais baratas, mas que perderam qualidade de trabalho”.

Para Manuel Acácio não há dúvida que o jornalismo só sobrevive se os jornalistas continuarem a agir como jornalistas, e quando usam os meios digitais como ferramentas, é preciso terem consciência que as redes sociais facilmente ajudam a caminhar para a desinformação. Ao mesmo tempo, citava o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, que referiu que “a crise na comunicação social começa a atingir a democracia”.

Quando 80% dos portugueses vão à internet para usarem as redes sociais, e na União Europeia isto acontece com 65% das pessoas, Manuel Acácio alerta para o facto das redes já estarem a ser usadas para manipular e ganhar eleições. “Conhecem os gostos de cada utilizador, e somos nós próprios, sem nos apercebemos, que os facultamos”. E com isto, o que está a acontecer é “estarmos a construir muros em vez de pontes”; pois “deixamos de olhar e ver em nosso redor”.

Ambos os jornalistas estão de acordo que não se pode ignorar as redes sociais nem os seus conteúdos, e uma vez que não será fácil regulamentar as redes sociais, a ´segurança´ da notícia tem de ser dada pela imparcialidade dos jornalistas. “Temos de perceber e verificar as fontes e ter cautela”, acima de tudo, “rigor”, diz Paula Santos.

Neste III Encontro dos Profissionais de Comunicação, onde secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, apesar de não ter estado presente enviou uma mensagem a afirmar a oportunidade destes debates, participaram também profissionais da comunicação empresarial e do poder autárquico.

Maria Mimoso, do Estúdio e de Comunicação explanou como comunicar com eficácia com os meios de comunicação tradicionais e as redes sociais, na sua opinião é necessário fazer recuso a uma comunicação 360.º para que a comunicação de uma empresa chegue a todo o lado.

Catarina Vasconcelos, directora geral da LPM Comunicação, falou sobre o trabalho das agências de comunicação. Na sua opinião, a transmissão da mensagem é mais humanizada nos meios de comunicação tradicionais do que nas redes sociais. E no caso da imprensa regional, esta é “influenciadora porque chega às pessoas certas”.

Para Fernanda Bonifácio, directora de Comunicação da EDP Distribuição, a vantagem da empresa usar directamente as redes sociais é passar a mensagem “validada”, estava a referir-se a falhas sobre termos técnicos cometidos por alguns meios de comunicação.

“As redes sociais são hoje em dia mais um canal que as empresas têm à sua disposição para comunicar e que deve ser usado em função do conteúdo e do público alvo”.

A isto acrescentou que a EDP Distribuição “não possui ainda qualquer rede social específica, mas  estamos a avaliar essa possibilidade”.

O fecho do encontro coube a Isabel Vilhena que explicitou a vantagem de veicular as mensagens autárquicas tanto pelos meios de comunicação social como pelas redes sociais, dependendo dos públicos a que se pretende chegar.

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