Desafios da comunicação debatidos em Setúbal

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Os efeitos do digital na comunicação centraram atenções na abertura da terceira edição do Encontro de Profissionais de Comunicação da Península de Setúbal e do Litoral Alentejano

 

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Como responder aos novos desafios, tendências e, sobretudo, efeitos resultantes da actual massificação comunicacional nesta era do digital foi um dos temas centrais em discussão no III Encontro dos Profissionais de Comunicação, realizado ontem, 26, no Auditório Municipal do Cinema Charlot, em Setúbal.

Manuel Pisco, vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal, fez a abertura da iniciativa – organizada por O SETUBALENSE em parceria com a autarquia sadina e que reuniu profissionais do sector da comunicação dos vários municípios da região e também de diversas instituições, empresas e órgãos de Comunicação Social.

Numa altura em que proliferam a desinformação e as notícias falsas (“fake news”) que encontram respaldo e dose exponencial de ampliação nas plataformas digitais, leia-se redes sociais, importa, segundo o autarca, “fazer a destrinça” entre os meios de comunicação e os novos canais de comunicar. Desde logo apurando, numa primeira distinção, quem apresenta aquelas que são “as chaves da informação: quem, quê, quando e onde”.

Começa a escassear cada vez mais “verdade, rigor e critérios” e a solução para uma comunicação que contribua para sociedades saudáveis “passa pelo regresso às regras da boa educação”, defendeu Manuel Pisco, lembrando que a nova “série de actores (‘haters’, ‘lovers’ e ‘influencers’)” não fazem o mesmo papel que o jornalista faz. Ao mesmo tempo, deve “exigir-se ao 4.º poder [os media] que exerça bem” a respectiva função, até porque “é essencial às democracias”.

Emergência, Coisas de Setúbal e ERC

Depois das intervenções de Roberto Passos, do Diário de Notícias da Madeira [ver caixa], e de Ivo Conceição, manager de marketing digital do Vitória Futebol Clube – que apresentou alguns testemunhos da sua vasta experiência no sector –, foi a vez de Jorge Gomes, coordenador nacional da VOST Portugal, apontar alguns problemas (e soluções) identificados pela associação nas denominadas comunicações de emergência.

“Nos media o sangue vende muito, mas coloca vidas em risco”, começou por alertar o responsável, dando como exemplo: “Quando um órgão de comunicação diz ‘envie-nos fotos do furacão Lorenzo’, está a pedir às pessoas que recolham imagens no local, colocando assim a vida destas em risco”.

Jorge Gomes focou o efeito negativo provocado pelas notícias falsas, que conduzem ao “pânico social”, bem como a necessidade de as entidades oficiais adoptarem uma “linguagem simplificada e acessível”, aconselhando ainda estas últimas a procederem a esclarecimentos imediatos de questões, de forma a evitar-se a criação de um vazio comunicacional “dando azo às ‘fakes news’ e à especulação”, que se alastram com elevado número de partilhas nas redes sociais. “Ser factual, confirmar os factos, não publicar até ter todas as respostas e educar através da comunicação” foi a receita apresentada pelo responsável.

Rui Canas Gaspar, fundador da página “Coisas de Setúbal” no Facebook, que conta com cerca de 70 mil seguidores, interveio de seguida. Deixou um testemunho sobre o grupo que reflecte e discute sobre tudo o que acontece na cidade sadina e admitiu que o crescimento exponencial de membros contribuiu para o surgimento de situações menos desejáveis, como o uso de linguagem e partilha de conteúdos pouco adequados.

A fechar as intervenções de manhã, Pedro Gonçalves, director executivo da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) – em substituição do presidente do órgão, Sebastião Póvoas –, salientou que “o combate à desinformação” obriga à criação dos necessários mecanismos legais para o efeito, que ainda não existem. A ERC, concluiu, pode “participar para encontrar vias para regulação”, mas, facto é que, actualmente, não se conhecem normas nem sanções que se possam aplicar.

O SETUBALENSE integra projecto apoiado pela Google

Roberto Passos, do DN Madeira, apresentou o Projecto Now, que vai juntar além do periódico insular mais 11 jornais regionais, entre os quais O SETUBALENSE. “A Imprensa Regional/Local está a perder receitas. Há que ganhar escala. Com base neste critério foram contactados 11 jornais no Continente, que vão integrar uma plataforma online com conteúdos produzidos por cada um dos periódicos, representando quase todos os distritos portugueses”, avançou.

Os conteúdos, que apresentam o melhor que cada território tem para oferecer, serão disponibilizados em quatro línguas e direccionados não só ao público local como também aos turistas. “Queremos que o Portugal Now seja um dos principais motores de pesquisa no País”, revelou, acrescentando a concluir que o projecto tem um apoio de 210 mil euros da Google e que será lançado já em Fevereiro de 2020.

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