Rio dá número um a Nuno Carvalho e distrital fica a ver navios

296
visualizações

Vereador escolhido para cabeça-de-lista do PSD por Setúbal. Distrital social-democrata só ficou a saber da escolha pela Comunicação Social. Reunião com a estrutura nacional está marcada para dia 18 e Bruno Vitorino promete dizer tudo ao líder do partido

 

- Pub -

 

Nuno Carvalho, 37 anos, vereador na Câmara Municipal de Setúbal eleito pelo PSD, foi escolhido por Rui Rio para encabeçar a lista social-democrata pelo distrito sadino à Assembleia da República, nas eleições de Outubro próximo. O anúncio da escolha do jovem autarca, na última quinta-feira – juntamente com os dos cabeças-de-lista pelos círculos eleitorais de Beja, Castelo Branco e Santarém –, colheu de surpresa a distrital do partido, ultrapassada que foi no processo.

Bruno Vitorino, presidente da distrital de Setúbal dos social-democratas, recusa-se para já a comentar a escolha, mas não esconde desconforto por ter ficado a conhecer a decisão da direcção nacional pela Comunicação Social.

“Soube da escolha pelos jornais. Temos uma reunião marcada para o próximo dia 18 com a estrutura nacional para discutir as listas e só depois irei pronunciar-me. Primeiro irei dizer tudo o que penso ao líder do partido [Rui Rio] e só depois irei falar”, disse Bruno Vitorino, adiantando: “Primeiro deve-se falar com quem de direito nos órgãos próprios, internamente.”

O presidente da distrital nega ter ficado melindrado, apesar de se confessar surpreendido, e explica: “Fui surpreendido por saber pela Comunicação Social. Não houve certamente tempo para a nacional informar a distrital. Mas não acho normal saber quem é o cabeça-de-lista pela Comunicação Social.”

Quanto à escolha, o social-democrata lembra apenas que Nuno Carvalho foi um dos nomes aprovados pela distrital e enviados para Lisboa. “Se foram aprovados é porque todos eles têm condições para ser escolhidos. Rui Rio tem dado um sinal de que quer renovar e renovou. Mas sobre nomes, falarei depois”, reforçou.

Distrito dividido

Entre social-democratas, as opiniões sobre a escolha de Rio dividem-se. Há quem considere Nuno Carvalho “um grande candidato” e quem defenda o oposto, classificando a opção como “um verdadeiro embaraço” para o PSD na região.
“Passar de Maria Luís Albuquerque para Nuno Carvalho é como passar de um Ferrari para uma trotineta. É incomparável”, critica uma fonte de uma das secções do partido na região.

“O Nuno é um excelente quadro do distrito e bem aceite por todos. O problema vai ser a restante lista”, contrapõe outra fonte do partido.

O problema reside no facto de nada impedir a nacional de impor os restantes nomes, que habitualmente são indicados pela distrital. Ninguém sabe como irá ser a reunião de dia 18, mas existe uma certeza. A confirmar-se a indicação de Fernando Negrão para número dois da lista por Setúbal – “existe 90% de probabilidade de isso acontecer”, garante uma outra fonte do PSD –, então o verniz poderá estalar de vez. Dois nomes de Setúbal nos dois primeiros lugares é um cenário difícil de aceitar no distrito e na distrital.

Por outro lado, Lina Gonzalez, da secção de Almada, e Sónia dos Reis, presidente da secção de Grândola, são duas das possibilidades para cumprir com a lei da paridade nos três primeiros lugares da lista, caso Maria Luís Albuquerque não se mostre disponível.

Nuno Carvalho surpreso e feliz

Surpreendido mas feliz com a confiança de Rio está Nuno Carvalho. O objectivo do líder do partido na escolha de cabeças-de-lista tem sido o de surpreender.

“Mudar o paradigma da política. Ir buscar pessoas com desprendimento da política que estão disponíveis para o combate a favor das pessoas”, diz o número um por Setúbal, acrescentando: “O habitual é haver cabeças-de-lista com longa experiência e envolvimento na política e não cabeças-de-lista com as minhas características. É assim dado um sinal de que o partido quer abrir as portas a novas pessoas.”

O social-democrata admite ter ficado “agradavelmente surpreendido por o partido estar a renovar-se e a escolher pessoas de uma forma diferente daquilo que historicamente é habitual”.

“As pessoas só são novidade uma vez, não duas. Daqui por quatro anos temos de defender que tenha de haver espaço para o refrescamento do partido. Espero ser um de muitos nomes que simbolizem esse refrescamento da política, porque o PSD tem muitas pessoas com exímio currículo profissional que estão fora da política”, atira, debruçando-se depois sobre as críticas de alguns à escolha do seu nome.

“Quem tem de comentar é a distrital. O meu nome foi aprovado por unanimidade por todos os presidentes das concelhias na distrital”, lembra, sublinhando a concluir: “O convite que recebi [de Rui Rio] não foi por o meu nome ir na lista, mas sim por ter sido levado em conta a minha experiência de vida, profissional, e por me encaixar no perfil pretendido”.

Comentários

- Pub -