Protesto dos bombeiros gera ‘choque’ entre PS e CDU na Câmara

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O PS trouxe para a última reunião de Câmara de Setúbal os protestos de bombeiros e do STAL. O executivo comunista não gostou e disse que o eleito socialista Fernando José terá de dar explicações em tribunal

 

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Uma semana depois de bombeiros da Companhia de Sapadores de Setúbal terem protestado nos Paços do Concelho da Câmara, os ecos chegaram ao salão do edifício municipal logo a abrir a última reunião pública. Gerou-se alguma tensão entre o PS e o executivo comunista, e chegou a falar-se em tratar de questões em tribunal.

Não eram duas dezenas os bombeiros em protesto, de uma corporação com cerca de 110 operacionais, mas fizeram ouvir as suas queixas. Alegaram falta de condições das instalações do quartel, pressões internas e problemas com as escalas de serviço.

O protesto sob o chapéu do STAL – Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, chegou ao ponto de afirmar “falta de respeito profissional” para com os bombeiros e “pressão psicológica”. Foi ainda referido o caso em que dois bombeiros foram retirados do combate a um incêndio para irem buscar o vereador Carlos Rabaçal e o comandante da corporação ao aeroporto.

Questões sobre as quais os bombeiros pediam para serem ouvidos pela Câmara, o que não aconteceu nos moldes como pretendiam nesse dia.

Na última quarta-feira, em reunião de Câmara, o vereador do PS Fernando José, antes da ordem do dia, pediu esclarecimentos ao executivo CDU sobre o protesto dos bombeiros. Questionou se eram reais as queixas e, frisou a ida de dois operacionais ao aeroporto para trazer vereador e comandante.

A isto acrescentou a pergunta sobre o modelo da viatura que foi ao aeroporto, no dia 19 de Maio, e perguntou pelo paradeiro de quatro outras viaturas que “deviam estar ao serviço e não estão”, afirmou o vereador socialista.

Foi o suficiente para se gerar um clima pesado na reunião, primeiro por parte do vereador comunista Manuel Pisco, e depois com a presidente da Câmara, Maria das Dores Meira, a não gostarem nada do que ouviram.

 

Executivo não aceita “atoardas em abstracto”

Manuel Pisco, que chegou a comentar que Fernando José “está melhor informado do que nós”, uma vez que “o STAL nunca nos falou de algumas das queixas” apontadas, explicou que as escalas em prática “são uma opção de defesa do sindicato”. E acrescentou que “gerir as escalas dos bombeiros não é fácil, porque é preciso manter o número de operativos e garantir o direito à folga”.

Ao mesmo tempo deixou a garantia de analisar as queixas feitas pelo STAL e “se a lei não foi respeitada; é preciso verificar quem tem razão”, pelo que deixou claro que o executivo não aceita “atoardas em abstracto. Se existirem problemas, nós resolvemos”.

Quatro às quatro viaturas, o vice-presidente da Câmara disse que estas, “apesar de fazerem falta, não são essenciais para a companhia”. E, onde estão, respondeu a presidente da Câmara: “a serem reparadas nos nossos serviços”.

Menos calmo foi o assunto sobre os dois bombeiros que teriam sido desviados de um incêndio para irem buscar o vereador responsável pela protecção civil e o comandante dos sapadores. Paulo Lamego.

Depois de Fernando José ter pedido à Câmara que fornecesse o “relatório de ocorrência e o do chefe de serviço”, aumentou a fricção. Para Manuel Pisco este assunto não era assunto e garantiu “quando há um incêndio de risco, ninguém abandona o teatro de operações”. Deu como certa a deslocação dos dois bombeiros, mas vincou que “houve condições para serem disponibilizados”.

Mais vigorosa foi a intervenção da presidente Maria das Dores Meira. Visivelmente zangada, fez uma rápida resenha da gestão dos executivos socialistas que deixaram os bombeiros sem equipamento nem viaturas, e tratou o assunto levantado pelo vereador do PS como de “intenções confrangedoras”.

Afirmou a presidente que quem disse que os dois bombeiros que foram mandados ir ao aeroporto “faziam falta no incêndio” naquele dia, “vai ter de o provar em tribunal”, e referiu ao vereador Fernando José que “o que disse está em acta e vai ser anexada ao processo”. Quanto aos dois relatórios requeridos pelo eleito socialista; “vamos dar-lhos em tribunal”.

Antes já o vereador Manuel Pisco tinha afirmado que a viatura usada para ir ao aeroporto não era de modelo operacional e a presidente da Câmara explicado que tanto o vereador como o comandante estavam no aeroporto depois de uma reunião de trabalho.

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