A Companhia de Teatro O Bando, o Coro Setúbal Voz e o Purgatório de Dante Alighieri (Parte I)

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Giovanni Licciardello – Professor

“A arte e o teatro vivem de cumplicidades e relações. E é pena que as pessoas do teatro se encontrem pouco, discutem pouco os espectáculos uns dos outros. Nós não somos criadores solitários, somos contaminados e contaminadores. O que vamos fazendo resulta primeiro das nossas equipas e das pessoas com quem interagimos todos os dias, dos territórios e dos espaços que habitamos. A nossa vida faz-se dessa relação. A contaminação não é um esforço. Quando dizemos que aceitamos o outro, não o aceitamos naquela dimensão que é a mais bonita, que é eu servir-me dele para crescer, ou para me interrogar ou fazer outra coisa. Hoje o Bando defende do ponto de vista conceptual a ideia de um teatro singularista, mas esta ideia de ser singular por criar algo de único, mas não ser individual, porque é o resultado de um conjunto de pessoas”

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João Brites, 1999

 

 

Desde que o maestro Jorge Salgueiro assumiu a direcção artística do Coro Setúbal Voz, em 2017, introduziu um novo conceito de coro, direccionando-o para uma nova dimensão espaço/musical, na qual os coralistas não se limitam somente a cantar, como faziam antes, mas actuam também com uma acentuada expressividade corporal.

 

Na sequência deste novo modelo, desde Fevereiro de 2019 que o Coro Setúbal Voz tem trabalhado em estreita colaboração com a Companhia de Teatro O Bando.

 

Tal experiência permitiu-nos ter um pequeno vislumbre do Teatro, “por dentro”.  Do seu universo fecundo e dos seus meandros conceptuais e operativos.

 

João Brites, fundador e director do Bando, é indiscutivelmente um dos mais prestigiados encenadores portugueses, com uma longa e profícua carreira. Professor do departamento de Teatro da Escola Superior de Teatro e Cinema do Instituto Politécnico de Lisboa, encenou espectáculos e eventos no âmbito da Europália ’91 e da Lisboa’94, tendo coordenado a Unidade de Espectáculos da Expo’98. Publicou vários artigos sobre teatro e o processo de criação artística, desenvolvendo um discurso teórico-prático em torno do trabalho de actor e intervindo regularmente em congressos da área.

Em 1999, foi-lhe atribuído o título de Comendador da Ordem do Mérito, e em 2004 recebeu o Prémio Almada, na área do Teatro, atribuído pelo Instituto das Artes, do Ministério da Cultura.

Antes, durante e após os ensaios, ouvimos com muita atenção as suas reflexões. João Brites é um homem extremamente simpático, acessível, culto, inteligente, com um olhar vivo e expressivo, que nos procura transmitir os princípios básicos do Teatro, nas nossas deambulações (muitas vezes toscas e inseguras) pelo palco.

 

A equipa artística que nos proporcionou estes espectáculos é constituída por: Miguel Jesus, dramaturgia e oralidade; João Brites, encenação e dramatografia; Jorge Salgueiro, dramatofonia, música e direcção musical; Juliana Pinho, coralidade, Rui Francisco, cenografia; Clara Bento, figurinos e adereços; Nicolas Manfredini, desenho de luz; Miguel Lima, desenho de som; Dora Sales, assistência à encenação e cenografia; Filipa Ribeiro, produção; Isabel Santos e Matilde Santos, contra-regra, com os actores Fernando Luís (Vergílio), Nélson Monforte (Dante), Rita Brito (Matilde), Sara Belo (Beatriz) e aos coralistas do Coro Setúbal Voz, dos quais me incluo.

 

 

Como corolário de toda esta colaboração intensa, a partir da obra do escritor italiano Dante Alighieri, intitulada Purgatório, foi elaborada uma peça de teatro musicada, tendo-se realizado quatro espectáculos em Junho, no Fórum Luísa Todi.

 

Continuamos para a semana.

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