Trabalhadores da limpeza de Almada em greve contra “imposição de horários”

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A Divisão de Salubridade vai investir em viaturas e pessoal

Paralisação está marcada para quinta e sexta-feira. Tribunal arbitral decretou serviços mínimos de 20% do total de efectivos

 

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Os trabalhadores da limpeza da Câmara de Almada vão paralisar nos dias 13 e 14 de junho contra a “imposição de horários”, reivindicando o aumento da frota e de funcionários, informou hoje fonte sindical.

“Está aqui em causa a imposição de horários da câmara municipal aos trabalhadores, com alterações muito significativas nas suas vidas particulares”, disse à Lusa Pedro Rebelo, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL).

Segundo o sindicalista, no verão, os funcionários da limpeza urbana, responsáveis pela varredura e corte de ervas, trabalham das 07:00 às 13:00, em regime de jornada contínua, enquanto nos restantes meses laboram das 08:00 às 16:00.

No entanto, o executivo socialista, liderado por Inês de Medeiros, pretende acrescentar mais um turno das 12:30 às 18.30.

Já os trabalhadores da recolha urbana trabalham em dois turnos rotativos, das 07:00 às 14:00 e das 22:30 às 05:30, mas a autarquia quer acrescentar outro turno das 14:00 às 21:00.

“O que acontece é que a Câmara Municipal de Almada decide não reforçar meios, sejam eles técnicos ou humanos, impondo novos turnos aos trabalhadores”, frisou.

De acordo com Pedro Rebelo, os novos horários condicionam a vida de cerca de 400 funcionários da limpeza e têm até “consequências na saúde”.

Por estes motivos, os trabalhadores decidiram convocar dois dias de greve para a próxima quinta e sexta-feira, dias 13 e 14 de Junho, reivindicando “mais recursos” e não a “imposição de horários”.

Em comunicado, a Câmara de Almada informou que, após pedido da autarquia, o Tribunal Arbitral decretou que sejam realizados serviços mínimos, ou seja, “20% do número total de efectivos”.

Este pedido do município deve-se ao “impacto total previsto de 55 horas” (das 22:30 do dia 12 às 05:30 do dia 15), por ser verão e por abranger o feriado municipal de Lisboa, prevendo-se uma “grande afluência às praias, a Cacilhas, Cristo Rei e à zona velha da cidade”.

O STAL discordou desta decisão, afirmando que foram decretados “serviços máximos” em vez de mínimos, visto que normalmente funcionam seis ou sete camiões de limpeza e, durante o período da greve, vão circular “quatro veículos por turno”.

“É a primeira vez na história da luta dos trabalhadores da administração local que uma câmara municipal exige os serviços mínimos, levando ao Tribunal Arbitral de forma completamente inadmissível. Não houve qualquer tipo de negociação com o STAL do ponto de vista da resolução dos horários”, sublinhou Pedro Rebelo.

Na terça-feira, dia 11 de Junho, os sindicatos vão reunir-se com os trabalhadores em dois plenários (um às 08:30 e outro às 22:30), onde vão decidir se também haverá uma concentração.

Em Novembro do ano passado, a Câmara de Almada revelou à Lusa ter um orçamento de seis milhões de euros, em 2019, para a limpeza do concelho, o que incluía nova frota e contratação de 70 funcionários.

Já em Janeiro, o município anunciou o investimento de 1,6 milhões de euros em oito novas viaturas para a recolha de lixo doméstico, as quais deveriam chegar ainda este ano.

Lusa

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