Os transportes públicos não podem perder o comboio

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Francisco Alves Rito – Director

A carroça começar à frente dos bois até é compreensível, mas não pode rodar por muito tempo

Passados dois meses da entrada em vigor dos novos passes sociais, há duas conclusões principais que se podem retirar com segurança.
A primeira é que a medida foi genericamente boa, sob quase todos os prismas.
A segunda conclusão é a de que a rede de transportes, de uma forma geral e com grandes variações entre os diversos sectores e operadores, não estava preparada para o crescimento tão substancial da procura.
Com os passes a preços bem mais acessíveis, não apenas aumentou o número total de passageiros como algumas carreiras e meios específicos passaram a ter uma taxa de ocupação muito superior à que tinham e, talvez, até aquela que seria razoável esperar.
Os sinais de fadiga do sistema, do lado da oferta, são vários, nalguns casos com sintomas de ruptura iminente, e em todos os momentos e situações com prejuízo e penosidade para os utentes.
As dificuldades de resposta à nova procura são aceitáveis até certo ponto e, dentro desse limite, não deslustram o mérito da nova politica tarifária.
É compreensível que o investimento no material circulante seja feito após a redução dos preços, porque ao contrário a incerteza aumentava muito o risco económico e de sustentabilidade. Mas agora há uma linha vermelha que não pode ser ultrapassada.
Se os responsáveis pelo sistema, com políticos e empresários envolvidos, não dedicarem a devida atenção ao problema e não derem resposta em tempo razoável, não apenas defraudam as legitimas expectativas de alguns milhões de pessoas como matam a melhor oportunidade de sempre para mudar o paradigma dos transportes públicos em Portugal.

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