Homenagem a Joaquim Torres

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Giovanni Licciardello – Professor

 

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Na quase totalidade das vezes, a morte apanha-nos desprevenidos. Morre-nos um familiar, um amigo, um conhecido, com uma regularidade que nos atordoa primeiro e que nos entristece depois.

 

Muitas vezes, alguém que nos é colectivamente especial.

 

É o caso de Joaquim Torres.

 

Joaquim Torres era natural da Fuzeta, no Algarve. O meu querido amigo Osvaldo Picoito, companheiro de naipe dos Baixos, no Coro Setúbal Voz, foi conterrâneo, contemporâneo e amigo de Joaquim Torres.

 

Joaquim Torres trabalhava numa mercearia e após o trabalho, iam os dois para o campo de futebol bater bolas, até ser já de noite e bem depois disso. Osvaldo nos remates e Joaquim na baliza.

 

Em 1963, ambos viajaram no mesmo comboio; Osvaldo para representar o Benfica e Joaquim, o Vitória.

 

E em boa-hora para cá veio.

 

Joaquim Torres representou o Vitória Futebol Clube entre as épocas 1963/64 e 1975/76, período em que foi treinado por Fernando Vaz e José Maria Pedroto. Conquistou uma Taça de Portugal, em 1965, como guarda-redes suplente do lendário Mourinho Félix.

Na época 1971/1972, Joaquim Torres, na baliza, contribuiu decisivamente para que o Vitória Futebol Clube atingisse a sua melhor classificação de sempre no campeonato (segundo lugar).

A sua excelência profissional, pessoal e relacional foi determinante para que José Maria Pedroto, que, entretanto, se transferira para o FC Porto, o contratasse para o clube azul e branco, onde viria a ser campeão nacional.

Na época 1973/1974, no Vitória, Joaquim Torres esteve 10 jogos sem perder no escalão principal (nove triunfos e um empate).

Nessa mesma temporada, o Vitória Futebol Clube atingiu pela segunda vez consecutiva os quartos-de-final da Taça UEFA, após ter eliminado adversários como a Fiorentina, Inter de Milão e Leeds United.

Eu estive nesses jogos e em tantos, tantos outros.

Para além de Joaquim Torres, tínhamos o privilégio de ver actuar futebolistas da craveira de Mourinho, Vital, Vaz, Rebelo, Conceição, Carlos Cardoso, Herculano, José Mendes, Carriço, Octávio, Tomé, Vagner, Matine, José Maria, Jaime Graça, Duda, José Torres, Guerreiro, Arcanjo, Vítor Baptista, Jacinto João e tantos outros

Um dos registos mais notáveis de Joaquim Torres que ainda não foi suplantado, foi o de ter estado dezasseis jogos consecutivos na baliza do Vitória Futebol Clube, sem sofrer qualquer golo.

Joaquim Torres actuou em 136 jogos para o Campeonato Nacional

Além do Vitória e do Porto, Joaquim Torres representou ainda o Amora e o Nacional.

Após ter colocado um ponto final na carreira de futebolista, aos 37 anos de idade, o antigo guarda-redes dedicou-se à fotografia, que foi sempre uma sua paixão antiga, desempenhando funções de fotógrafo em vários órgãos de comunicação social de Setúbal.

Todos estes magníficos futebolistas contribuíram decisivamente, ao longo de sucessivos anos, para nos proporcionar a todos nós, vitorianos, enormes alegrias.

Muito daquilo que sou, devo-o ao Vitória e a todos estes Grandes Homens, que constituíram e constituem sempre referências pessoais.

Gente simples, afável, simpática, discreta, humana, dos quais tive e tenho o enorme privilégio de conhecer muitos deles pessoalmente e de poder usufruir da suas companhias excelsas e exemplos inspiradores.

Joaquim Torres será sempre uma referência incontornável nos anais e na história fecunda do Vitória Futebol Clube.

Pessoas como Joaquim Torres nunca morrem completamente, enquanto permanecerem no espírito e na memória daqueles que vão ficando.

Até Sempre.

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