Investigação arqueológica avança em Sarilhos Grandes

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Câmara aprova protocolo com a Universidade de Coimbra. Autarquia vai atribuir mais de 90 mil euros para realização dos trabalhos da segunda fase do projecto

 

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O executivo camarário do Montijo aprovou por unanimidade a celebração de um protocolo com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra para o arranque da 2.ª fase do projecto de investigação “Sarilhos Grandes entre dois mundos – SAND”, que promete fazer história sobre a introdução da batata em Portugal e até mesmo na Europa.

Durante a 1.ª fase do projecto, foi detectada a presença de restos alimentares, revelando amido de batata, em dois dos esqueletos exumados em Sarilhos Grandes, que foram datados de 1324-1625, quando a data mais antiga conhecida da introdução da batata em Portugal aponta para 1643 (na Europa foi 1567). Igualmente surpreendente foi a descoberta da presença do fungo Candida Albicans e do parasita Trichostrongylus, identificados pela primeira vez em Portugal nos referidos esqueletos. Isto na sequência dos trabalhos de exumação da sepultura de Rui Cotrim de Castanheda, capitão da 2.ª armada de Vasco da Gama à Índia, no Largo da Igreja de Sarilhos Grandes.

O projecto avança agora para a fase seguinte através do acordo estabelecido entre as duas partes, com a autarquia a atribuir uma contrapartida financeira de 91 mil e 365 euros (mais IVA) à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, que se compromete a desenvolver todos os trabalhos de investigação, incluindo a contratação de bolseiros e a criação do campo-escola de arqueologia e antropologia.

“O projecto Sarilhos Grandes entre dois mundos foi iniciado em 2008, aquando de uma escavação arqueológica de emergência no Largo da Igreja de Sarilhos Grandes que incidiu sobre a necrópole da Igreja de São Jorge e Ermida de Nossa Senhora da Piedade”, lembra a edilidade, salientando que foram exumados “21 esqueletos, dois dos quais datados de 1324-1625 D.C”.

A Câmara Municipal do Montijo salienta a “particular importância e relevância” do mesmo, “não só para a cultura e história locais, como também no plano nacional, pois tem o potencial para revelar novas evidências sobre o período da Expansão Portuguesa no Mundo”.

“É um projecto que vai ao encontro das competências municipais nos domínios da cultura e do património, permitindo a criação de conhecimento e o retorno do mesmo à comunidade, assim como a valorização do património material e imaterial cultural”, defende o município.

Discussão até entre consenso

A aprovação da proposta para estabelecimento do protocolo com a Universidade de Coimbra mereceu o “aplauso” de todo o executivo, porém, a discussão aqueceu, quando o vereador do PSD, João Afonso, afirmou que o projecto “tem a chancela” social-democrata.

“Se não fosse pela pressão dos autarcas do PSD o projecto continuaria na gaveta”, justificou o social-democrata, que manteve, como já havia afirmado anteriormente, que o processo ficou manchado por uma reclamação de dívida de pagamento de um dos investigadores da equipa responsável pelos trabalhos.

O presidente da Câmara, Nuno Canta, refutou a acusação do vereador, desafiando-o a apresentar o recibo que comprove que a autarquia está em dívida e, ao mesmo tempo, não poupou o social-democrata, considerando que reclamar o mérito do projecto para o PSD provoca “a risada geral”.

A troca de argumentos foi dura (ver ping-pong sem filtros), mas a aprovação da proposta mereceu unanimidade “pelo relevante interesse” que o projecto apresenta, explicou João Afonso a rematar.

 

‘Ping-pong’ sem filtros

 

“Mentiroso. Veio mentir aos montijenses. Veio dizer que tínhamos dinheiro em atraso a um destes investigadores e nós provámos que não é verdade”, Nuno Canta

“Não provou nada”, João Afonso

“O vereador se tivesse vergonha na cara trazia os recibos que estão em atraso ao investigador”, Nuno Canta

“Chama-se nacional porreirismo… estabelecem compromissos verbais. É por aí. O investigador enviou uma carta com conhecimento da coordenadora Paula Pereira”, João Afonso

“O investigador até podia fazer o pino. Respondemos em carta a dizer que a Câmara deve zero, bola, que é para perceber o que é”, Nuno Canta

“Já perdeu toda a sua dignidade enquanto vereador, não tem condições para se manter como vereador. Tem uma palavra falaciosa, mentirosa, sem consistência com a verdade…”, Nuno Canta

“Olhe que não são pessoas do meu partido que escrevem artigos sobre o mitómano”, João Afonso

“Prefiro ser mitómano a ser isso tudo o que o senhor é”, Nuno Canta

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