Estudo conclui que partículas que caem sobre Paio Pires não são perigosas

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A população de Paio Pires teme que o pó que cai sobre a aldeia, há anos, seja nocivo para a saúde. Agora foi apresentado um estudo que conclui não haver perigo. Mas autarquia está decidida a apurar todos os riscos

 

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O pó depositado nas varandas e nos automóveis na Aldeia de Paio Pires, Seixal, não é nocivo para a saúde. Esta é a conclusão de um estudo encomendado pela autarquia e apresentado no sábado à população. Mas ainda falta analisar as partículas mais pequenas e a suspeita dessas serem potencialmente perigosas é maior.

“As partículas analisadas têm uma grande granulometria, portanto não entram muito profundamente no aparelho respiratório”. Ou seja, “não são nocivas para a população, apesar de serem incomodativas”, diz o vice-presidente da Câmara do Seixal, Joaquim Tavares, traduzindo as conclusões do estudo elaborado pelo Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares do Instituto Superior Técnico.

No Clube de Pessoal da Siderurgia Nacional, Marta Almeida, autora do estudo que teve por base amostras recolhidas no final do ano passado na Aldeia de Paio Pires, com análises feitas num laboratório na Hungria, explicou que a dimensão das partículas de pó encontradas “têm uma dimensão muito grande” que “não lhes permite ficar muito tempo na atmosfera e percorrer grandes distâncias”, daqui concluiu que a sua origem está “muito próxima” daquele aglomerado urbano.

A isto a técnica acrescentou que comparada a composição das partículas de Paio Pires com partículas recolhidas em zonas rurais e zonas urbanas com indústria siderúrgica, “as características assemelham-se mais às características de uma zona industrial como a Siderurgia”. Portanto, tudo aponta que “venham do parque industrial”.

 

 

Estudo epidemiológico apresentado em Junho

 

 

A questão agora é saber se são originárias da fábrica da Megasa. “Há várias actividades industriais na envolvente de Paio Pires, algumas delas destinadas à própria Siderurgia, é preciso identificar se são da fábrica da Megasa ou de outras indústrias que estão em redor e contribuem para o funcionamento da fábrica”, pondera Joaquim Tavares.

Entretanto o vereador avança que a autarquia já adjudicou novo estudo para “continuar a analisar as partículas”. É o que também diz Marta Almeida, que este estudo “é apenas o primeiro de um trabalho com outras etapas a desenvolver nos próximos meses, com o objetivo identificar a origem deste foco de poluição, mas também avaliar outro tipo de partículas mais pequenas, essas sim, podem ter consequências para a saúde pública”.

Trata-se de uma nova parametrização do estudo que implica contactar as empresas do parque industrial para “conseguir fazer uma amostragem de materiais que estão naquele parque e comparar as características desses materiais com o pó que nós recolhemos, para tentar identificar, sem dúvida, qual é a fonte”, adiantou Marta Almeida.

Uma colaboração que se desconhece qual será. Por agora Joaquim Tavares afirma que foram convidados representantes da Siderurgia para estarem na apresentação do estudo, mas “não compareceram”, tal como não estiveram representes de outras entidades, daí o vice-presidente afirmar que “só a Câmara do Seixal está ao lado da população”.

Para o autarca é decisivo que as partículas, mesmo que não nocivas, deixem de cair sobre casas e viaturas. E enquanto as partículas continuam a ser analisadas, “está a decorrer o estudo epidemiológico, pela Escola Nacional de Saúde Pública em parceria com o Instituto Ricardo Jorge, que deverá estar concluído até ao final de Junho”, ao mesmo tempo ,“está a ser elaborada a carta de qualidade do ar”.

Joaquim Tavares foca ainda o estudo de ruído sobre a operação da Siderurgia Nacional que concluiu ser “excessivo”, resultado que “já foi comunicado às autoridades que licenciam e têm competência na matéria”, assim como à fábrica para que “use medidas correctivas”. Medidas que, “depois de serem concretizadas, vamos voltar a avaliar os seus parâmetros”.

Quanto à população que assistiu à a presentação do estudo, diz o autarca que “percebeu as conclusões”, mas não se dá por satisfeita e quer saber mais.

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