Para lá do Marão mandou o Vitória!

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Sadinos arrumam contas da permanência depois do triunfo (1-2) em Chaves. Allef e Mendy fizeram os golos

 

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O Vitória FC provou este domingo que nem sempre os ditados se cumprem. Diz-se que para lá do Marão mandam os que lá estão, pois bem, para alívio dos adeptos sadinos, os comandados de Sandro Mendes construíram um adágio alternativo graças ao triunfo, por 2-1, que permitiu à equipa superiorizar-se ao Chaves e, consequentemente, fazer a festa da permanência a cerca de 500 quilómetros de Setúbal.

Graças aos golos marcados por Allef e Mendy, respectivamente, aos 06 e 15 minutos, os verdes e brancos, ao contrário do que sucedeu na temporada transacta, evitam adiar para a derradeira ronda a questão da permanência. Os 36 pontos já somados aumentaram para quatro a distância para a linha de água que é agora partilhada pelo Chaves e Tondela, conjuntos que se defrontam no próximo fim-de-semana.

Curiosamente, os golos vitorianos foram marcados por Allef e Mendy, jogadores que ocuparam os lugares que nas últimas jornadas estiveram entregues a Berto e Jhonder Cádiz, avançados que cumpriram um jogo de castigo em Chaves. Além destes, os sadinos também se viram privados de José Semedo e Zequinha, atletas que, tal como o venezuelano Cádiz, tinham sido expulsos na segunda-feira com o Boavista.

Numa partida presenciada por 7.650 espectadores, entre eles cerca de 400 afectos ao Vitória, os setubalenses entraram melhor conseguindo fazer uma boa primeira parte. Em resultado dessa boa actuação, a equipa fez dois golos, por Allef, aos seis minutos, e Mendy, aos 15. Na etapa complementar, apesar da pressão dos flavienses, os pupilos de Sandro Mendes cerraram fileiras e conseguiram segurar os três pontos.

Com a derrota no Estádio Municipal Engenheiro Manuel Branco Teixeira, o Desportivo de Chaves, que apenas reagiu nos segundos 45 minutos, com um golo de Bruno Gallo, de grande penalidade, aos 64 minutos, volta aos lugares de descida, ocupando o 16.º lugar com os mesmos 32 pontos do 15.º, o Tondela, que visita na última ronda e face ao qual tem vantagem no confronto direto, o critério que conta nas contas finais.

Devido à expulsão na jornada anterior, no empate 4-4 no reduto do Feirense, o treinador dos flavienses, José Mota, não pôde estar no banco de suplentes e promoveu as entradas de Costinha e Ghazaryan no ‘onze’. Por outro lado, Sandro Mendes, devido às ausências dos castigados José Semedo, Zequinha, Jhonder Cádiz, chamou ao ‘onze’ Sílvio, Mikel e ainda os decisivos Mendy e Allef.

Com a manutenção em discussão, o jogo foi mais emotivo que racional, mas foram os visitantes quem tiveram mais ‘cabeça’ e nos primeiros 45 minutos construíram uma boa vantagem, com eficácia no ataque, graças às batalhas ganhas a meio-campo, e boa organização defensiva.

Logo aos seis minutos, Rúben Micael descobriu Allef entre os centrais dos transmontanos e o brasileiro bateu António Filipe, fazendo o primeiro golo da época no campeonato. Depois, aos 16, foi Mikel, na sequência de um livre, a descobrir Mendy na área, com o avançado guineense a marcar de cabeça, antecipando-se ao guarda-redes, para o nono golo da época e o quarto na I Liga.

Em desvantagem, o técnico do conjunto de Trás-os-Montes retirou o médio defensivo Jefferson, lançando o avançado Platiny, aos 37 minutos, e mudando de um sistema tático de ‘4x2x3x1’ para um ‘4x4x2’. Mas, a capacidade ofensiva dos locais não aumentou, apesar da maior posse de bola e iniciativa de jogo, e apenas Bruno Gallo, aos 28 minutos, com um remate para fora, procurou reduzir a desvantagem.

A equipa flaviense entrou mais dinâmica na segunda parte e, já com alterações esgotadas, com as entradas de Niltinho e Bressan, o atacante Platiny ganhou uma grande penalidade por falta de Sílvio, que Bruno Gallo transformou, aos 64 minutos. Com o golo, os transmontanos pressionaram ainda mais o adversário, que, com as entradas de Sekgota, André Sousa e Cascardo, passou a explorar as transições, mas preocupou-se sobretudo em defender e pausar o ritmo de jogo.

O árbitro Artur Soares Dias ainda assinalou nova grande penalidade a favor do conjunto de Chaves por falta sobre Luther Singh, aos 86 minutos, mas, após consultar o vídeoárbitro, a decisão foi revertida e o jogador local ‘amarelado’. Até ao final, após nove minutos de tempo de compensação, manteve-se o resultado em 2-1 para o Vitória, desfecho que permitiu à equipa celebrar a permanência… para lá do Marão. Festa que teve ecoou nas margens do Sado, entre os vitorianos que ficaram em Setúbal.

 

Sandro Mendes: «Conseguimos objetivo com uma imagem fantástica»

 

“Conseguimos o nosso objectivo, garantir o Vitória na I Liga e conseguimos garantir com uma imagem fantástica, atitude muito grande e, dentro do possível, com um bom jogo.

Tenho de deixar uma palavra aos nossos jogadores, que já há algum tempo não podem dar o contributo, como o Nuno Pinto, que todos sabem a situação que atravessa, o Alex e o Pedrosa, com lesões de há muito tempo e que estão a sofrer muito porque de fora sofre-se muito mais do que dentro.

Também uma palavra de agradecimento aos outros atletas que jogaram, pois antes do jogo falou-se que o Vitória vinha com menos quatro jogadores [devido a castigos], mas veio com 18, não com menos, e tiveram uma atitude fantástica e corresponderam da melhor maneira. Por tudo o que sofreram, estão de parabéns, são fantásticos e há que tirar ilações para não estar há dez anos a lutar para não descer.

Tentámos entrar sempre fortes em todos os jogos, nem sempre conseguimos, hoje tivemos a felicidade de entrar e marcar o que nos deu alguma tranquilidade. Na segunda parte tentámos controlar até chegar o penálti, que nos desequilibrou um pouco. Tivemos uma oportunidade na cara do guarda-redes que não aconteceu e teria resolvido o encontro.

[Sobre o último jogo e as três expulsões] Aconteceu e não gostaríamos que tivesse acontecido. Refletimos e hoje demos a verdadeira imagem de que é do grupo de trabalho.”

 

Capitão Vasco Fernandes peremptório: «Esta é a época do Nuno Pinto»

 

“Hoje demos uma imagem do que é o Vitória. Em nome da instituição que representamos, quero pedir desculpas pelos incidentes de segunda-feira. Aquela não é a imagem do Vitória, a imagem do Vitória foi a que se viu hoje (ontem) dentro do campo. Jogadores e homens com H grande que lutam por cada bola com uma lealdade e dignidade tremendas. Isto é o Vitória.

Esta temporada é do Nuno Pinto. Mais do que lhe ser dedicada, esta manutenção é para ele. Soube passar as adversidades e isso deu-nos uma força enorme. Se hoje (ontem) estamos aqui com estes adeptos a celebrar é por causa dele, das nossas famílias, que sofrem tanto como nós, e pelos homens que estão lá em baixo, do primeiro ao último. Isto é para todos nós, mas esta época é a época do Nuno Pinto, do número 21 do Vitória.”

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