Fórum da Abrigo lança sementes para mais humanismo na protecção de crianças e jovens

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O estudo inovador e único a nível nacional contabiliza 608 crianças e jovens em risco nos concelhos de Alcochete e Montijo

 

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“Que crianças queremos, que adultos teremos?” foi o desafio lançado no V Fórum Abrigo que trouxe ao Cinema Teatro Joaquim de Almeida, no Montijo, centenas de professores, investigadores e outros profissionais da acção social e saúde. Em foco esteve a apresentação de um estudo sobre crianças e jovens em risco nos concelhos de Alcochete e Montijo

 

 

Jacinto Pereira, presidente da direcção da Abrigo destacou o papel da associação na produção de projectos de investigação como a “Caraterização das Crianças em Risco e Perigo nos Municípios de Alcochete e Montijo”, apresentado a pesquisa académica e a acção como “fundamentais para criar novas políticas sociais”, adaptadas às diferentes realidades de cada região.

“Não será apenas Montijo e Alcochete que beneficiarão deste estudo, mas todo o Arco Ribeirinho Sul que, a partir deste momento pode espelhar estudos e aplicações a partir deste estudo inovador”.

Nuno Canta, presidente da Câmara Municipal do Montijo, saudou o trabalho desenvolvido pela Abrigo na protecção dos mais jovens. E desafiou também o público com a questão central do fórum. “Que crianças queremos, que adultos teremos? Um tema que nos propõe uma reflexão sobre as nossas acções em sociedade”.

Uma reflexão sobre a sociedade montijense que o autarca quer. “Uma sociedade digna e aberta para todos, de modo igual. Um lugar onde as crianças sejam detentores da sua cidadania plena, que permita a defesa de direitos”.

Em meio a esta reflexão, Nuno Canta, recordou ainda a assinatura da Carta dos Direitos da Criança, “que ainda hoje é utópica em muitos aspectos”, no entanto uma realidade que “o Montijo quer realizar cada vez mais. A começar por mais saúde, mais maternidade e mais acesso à educação”.

Motivo pelo qual no Montijo, “autarquias, associações e instituições unem-se para defender o presente o futuro das crianças”.

 

Jovens de 15 e 16 anos são os que correm mais perigo

 

Manuel Meirinho, presidente do ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da universidade de Lisboa, apresentou o estudo sobre Montijo e Alcochete que incidiu sobre 27 323 famílias de Alcochete e do Montijo como “uma missão que ultrapassa as fronteiras típicas da academia e obriga a chegar mais próximo da população, porque já existe muito saber sobre a protecção de jovens e crianças, mas está centrado dentro das instituições e é preciso partilhar esse conhecimento em rede”.

Joaquim Caeiro, autor do estudo realizado com a participação da Abrigo, CAT, Sol dos Meninos e Comissão de Protecção de Jovens e Crianças de Alcochete e Montijo incidiu a sua base de investigação sobre a faixa etária dos 0 aos 17 anos, sendo esta faixa de população nos concelhos alvo a que apresenta “maior risco de exposição à pobreza e a riscos”.

Dentro desta faixa de população o estudo aponta para situações sociais de maior risco nos jovens entre os 15 e os 16 anos, “sendo este o grupo em que existe maior intervenção por parte de instituições no Montijo e em Alcochete”.

Nas problemáticas que levam à sinalização destes jovens encontram-se “situações de negligência, maus tratos e situações de exposição a violência doméstica”. Contextos que, na análise dos promotores do estudo, “reduzem de forma significativa o acesso a direitos”, levando ao desenvolvimento à margem da sociedade.

Nas conclusões destaca-se também o crescimento da população jovem, masculina e feminina, em Alcochete e no Montijo; assim como a redução do poder de compra associado à diminuição do valor dos abonos de família e alterações na estrutura do emprego, mais precário e de baixos salários.

A esta caracterização social associa-se ainda a elevada taxa de insucesso escolar. “Situações que colocam em risco 608 crianças e jovens entre os dois concelhos”, destaca Joaquim Caeiro.

Dentro destes parâmetros as conclusões da investigação apontam para a necessidade de “criar uma plataforma que permita que os dados recolhidos e as conclusões retiradas da investigação sejam disponibilizadas em rede, para tomadas de decisão mais acertadas, de modo a produzir mais e melhores políticas sociais”, conclui o professor e investigador.

 


 

Abrigo cresce com nova sede

Ao longo de 15 anos de trabalho dedicado à protecção de crianças e jovens, Jacinto Pereira, presidente da Abrigo, Associação Portuguesa de Apoio à Criança, destaca o “foco nas soluções e não nos problemas. Entendendo sempre que o mais importante são as pessoas. E a importância dos projectos da Abrigo no desenvolvimento do concelho”.

É neste contexto que Jacinto Pereira assinala o início da primeira fase de construção do novo edifício sede para a associação Abrigo que, “irá permitir a continuidade do nosso trabalho”, defende Jacinto Pereira. “Uma conquista alcançada agora através da assinatura de um protocolo de cedência de terrenos por 30 anos, por parte da autarquia”.

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