Liga abre inquérito aos incidentes do Bonfim

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Tumultos ocorridos durante o jogo entre o Vitória e o Boavista vão ter consequências

 

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Poucas horas após o final do jogo de anteontem entre o Vitória FC e o Boavista, partida que os axadrezados venceram (0-3) e em que os ânimos estiveram exaltados nas bancadas do Estádio do Bonfim, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) anunciou a abertura de um inquérito aos incidentes registados durante o encontro que encerrou a 32.ª jornada do campeonato.

O organismo que rege o futebol profissional aguarda pelos relatórios das forças de segurança e dos delegados para determinar melhor os factos ocorridos durante a partida entre o Vitória e o Boavista, informou ontem o organismo em comunicado. Em causa estão os factos ocorridos durante o jogo em que os sadinos terminaram reduzidos a oito elementos por expulsão de José Semedo, Zequinha e Jhonder Cádiz.

Após a expulsão de Jhonder Cádiz, aos 73 minutos (a terceira num espaço de seis minutos), os ânimos dos adeptos setubalenses foram ao rubro no Bonfim, com uma tentativa de invasão, que os agentes policiais, com alguma dificuldade, abortaram, mas que levou o jogo a parar cerca de 10 minutos. Revoltados contra a atuação do árbitro Fábio Veríssimo, apesar das tentativas dos jogadores do Vitória para serenar os ânimos, os adeptos mais insatisfeitos viraram-se, depois, para os profissionais da SportTV, que levou a nova intervenção policial para cessar as ameaças.

A terminar o comunicado emitido a LPFP apelou à calma: “Apelamos a todos os agentes desportivos e adeptos que mantenham a calma e serenidade nas duas jornadas que faltam para terminar os campeonatos. A bem do futebol e das suas equipas”, refere ainda a nota da Liga Portuguesa de Futebol Profissional.

 

Associação de árbitros faz participação

disciplinar de Vítor Hugo Valente

 

A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) repudiou ontem as declarações do presidente do Vitória, Vítor Hugo Valente, após a derrota (3-0) frente ao Boavista, sobre o árbitro Fábio Veríssimo. “A APAF não pode aceitar que o presidente de um clube tão respeitado como o Vitória Futebol Clube, possa proferir as declarações que proferiu, revelando uma total falta de responsabilidade para o cargo que desempenha. Esperamos que a justiça desportiva e cível sejam céleres de forma a que se puna, de forma responsável, esta tipologia de actos que, semana após semana, destrói o futebol português.

Recorde-se que as declarações de Vítor Hugo Valente – que O Setubalense – Diário da Região transcreve na totalidade nesta edição – foram proferidas na sala de imprensa do Bonfim, após o desaire com os axadrezados. O dirigente considerou “um nojo” a arbitragem de Fábio Veríssimo, que expulsou três jogadores dos setubalenses, casos de José Semedo, Zequinha e Jhonder Cádiz.

Em resposta, a APAF apresentou uma participação disciplinar do presidente do Vitória, estando “a analisar, em conjunto com o seu gabinete jurídico, uma possível queixa junto dos tribunais civis”, lê-se no comunicado da estrutura de classe.

 

Presidente do Vitória: «Se pensam que

nos empurraram estão muito enganados»

 

Transcrevemos na íntegra as declarações proferidas por Vítor Hugo Valente, presidente do Vitória, na sala de imprensa, após o final do jogo de anteontem à noite com o Boavista.

“Sei bem aquilo que vou dizer hoje. Se estão à espera que venha aqui dizer que isto hoje foi uma vergonha, não foi, foi um nojo. Quem veio hoje aqui, o senho Veríssimo, que nem lhe vou chamar árbitro por respeito à classe dos árbitros, foi um carteiro. Tivemos aqui o Veríssimo carteiro com encomendas, uma para hoje e outra para o próximo jogo.

Nós sabemos o que se passou. Isto não fica por aqui. O que se passou dentro do campo é um nojo. Expulsaram-nos um jogador quando um jogador não era para expulsar, falo do Semedo. No máximo era um cartão amarelo. A seguir não é para expulsar o Cádiz, o árbitro põe o cartão no bolso e é o quarto árbitro que diz ‘expulsa, expulsa’. O Zequinha disse apenas: ‘isto não é vermelho’ e é expulso.

O que é isto? E o que vem aqui fazer a Setúbal? Somos um clube de gente séria e uma terra de gente honesta. Não brincam connosco, nós não deixamos. Este senhor, este carteiro. Não apita mais, não entrega mais encomendas em Setúbal. Não põe cá mais o pé porque nós não deixamos.

Está no balneário um conjunto de jogadores a chorar e revoltados. Estão revoltados com razão. Ouvi um colega vosso (jornalista) dizer que os jogadores do Vitória perderam-se emocionalmente. É mentira, não se perderam emocionalmente. Houve alguém que fez tudo para isso. O carteiro e os seus acompanhantes fez tudo para que os jogadores do Vitória se perdessem emocionalmente.

Os que cá estiveram hoje e vieram trazer as encomendas não nos conhecem nem aos jogadores. Se pensam que nos empurraram estão muito enganados, não nos empurram. Eles é que me pediram para vir aqui dizer que quem está lá dentro são homens. Acabámos com oito, com sete ou seis, nem sabemos ainda, mas não nos empurram.

Isto não acaba aqui. Passaram-se dentro de campo factos muito complicados que no seu tempo e locais próprios irão saber o que aconteceu.

Quero dizer aos sócios do Vitória que queiram ir a Chaves, sabem que podem ir porque o Vitória pagará tudo o que for preciso. Os nossos adeptos também não nos deixam cair, por isso, mais uma vez, fica aqui o aviso. Esqueçam, não nos empurram. Nós não deixamos, os jogadores não deixam e os sócios do Vitória também não deixam.”

 

Sandro Mendes: «Vamos ter de nos superar»

 

A duas jornadas do fim do campeonato, o Vitória ocupa o 14.º lugar, com 33 pontos, mais um do que o Desportivo de Chaves, 15.º, que defronta no próximo domingo (15 horas). O treinador Sandro Mendes reconhece que a não será tarefa fácil reparar os danos sofridos na partida de anteontem. “Não é fácil. Os jogadores sentiram muito a injustiça que aconteceu. Vamos ter de a superar e prepararmo-nos bem psicologicamente para contrariar tudo o que aconteceu aqui hoje e dar uma boa resposta no próximo jogo. É a única coisa que podemos fazer”, vincou o técnico que além de não poder contar em Chaves com os três jogadores expulsos no Bonfim (José Semedo, Zequinha e Jhonder Cádiz) perdeu também Berto, que completou uma série de cinco cartões amarelos, estando por isso também castigado.

 

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