Pais e autarcas exigem ao poder central conclusão das obras da João de Barros

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A nova paragem das obras de requalificação da Secundária João de Barros foi um balde de água fria para a sua comunidade escolar. Pais e autarcas vão fazer ouvir a sua revolta junto do Ministério da Educação e dos deputados da República. Estão casados de dez anos de impasses

 

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Pais, alunos e professores exigiram ontem à frente do portão da Escola Secundária João de Barros a conclusão das obras de requalificação deste estabelecimento de ensino em Corroios. São obras que se poderia dizer enguiçadas; começaram há quase dez anos e têm sido interrompidas por diversas vezes. A última vez foi no fim de Abril, com o empreiteiro CIP- Construção a suspender os trabalhos.

Através da Associação de Pais foi marcada uma concentração para as 8h00 de ontem, e a comunidade escolar e autarcas e disseram “basta, as obras têm de ser acabadas”. Esta foi a expressão usada pela presidente da Associação de Estudantes da Secundária João de Barros, Evelina Quino que, desde que entrou nesta escola do concelho do Seixal espera pela conclusão das obras, e já lá vão quatro anos. Ao que sabe, a requalificação da escola “esteve parada durante sete anos”, por isso quando chegou o último empreiteiro davam a espera por finda, mas não parece vir a ser assim.

“Quando demoliram o bloco B pensámos que havia evolução, mas depois deixámos de ouvir os trabalhadores”, conta a aluna. E quando os alunos souberam que as obras seriam encurtadas em 30% já esperavam um desfecho desagradável. Na passada semana confirmou-se, “disseram-nos que as obras tinham parado”.

Este é um impasse para o qual o director do Agrupamento de Escolas João de Barros já disse publicamente não estar disponível. E, enquanto a Parque Escolar deu a saber que está a estudar a situação, a Associação de Pais garante que não vai ficar parada. Com os alunos a dizerem que não podem usar um terço do espaço exterior da escola por causa das obras, e que quando chove não há abrigo para todos, o presidente da Associação de Pais, José Lourenço, repetia ontem que é preciso atalhar passos do concurso para nova empresa pegar nos trabalhos.

“Para situações excepcionais é preciso medidas excepcionais”, repetia, e defende que o Ministério da Educação decida por um empreiteiro em ajuste directo. Entretanto, está marcada para a próxima terça-feira uma reunião entre a Parque Escolar e o Conselho Geral da Escola para que “nos seja explicado qual o ponto de situação”. Ao mesmo tempo revela que a associação vai levar a história deste impasse de obras “aos grupos parlamentares na Assembleia da República” e, se possível, sentar à mesa com a Comissão Parlamentar de Educação.

Têm de ser agilizadas medidas evocando o interesse público para que sejam ultrapassados os prazos burocráticos dos concursos. Para José Lourenço é este o caminho depois da CIP-Construção ter suspendido a obra. “Tecnicamente o empreiteiro “suspendeu a obra, mas na prática retirou todo o material que tinha na escola”. Seja como for, “neste momento as obras estão paradas e não podemos ficar a olhar para o problema”, afirma a vereadora responsável pelo pelouro da Educação e Desenvolvimento Social.

Para Manuela Calado “é preciso uma medida de excepção”, porque “não podemos voltar à estaca zero”. Ou seja, ir para novo processo de concurso, com a demora a que este obriga, “não é solução”. Diz a autarca que o Ministério da Educação “não pode permitir uma escola pública sem condições”, e avança que a Câmara “está pronta para ajudar no que estiver ao seu alcance”. Para já o executivo municipal “vai promover uma reunião com o Ministério”. É que, aconteça o que acontecer, “é preciso uma solução efectiva”.

O que ninguém quer é um impasse que obriga os alunos e professores a viverem num ambiente de aulas em contentores. “Não temos condições”, afirma Evelina Quino que elogia o empenho dos professores, mas “não conseguimos trabalhar bem numa escola em meio de obras e carteiras partidas”, infere.

Alegadamente o empreiteiro CIP-Construção terá suspendido a obra por a Parque Escolar “não ter atendido à sua solicitação de alargar o prazo para mais 14 meses e avançar com 3,3 milhões de euros (40%) sobre o valor total da execução”, diz José Lourenço, que considera a possibilidade da empresa estar com dificuldades financeiras. O que não entende é como uma obra com “um prazo de 20 meses ao fim de 18 meses nem a primeira das suas três fases estava concluída”.

Até ao fecho da edição O SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO tentou falar com o empreiteiro em questão, não tendo sido possível.

 

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