“O 1º. de Maio”, dia do trabalhador

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Mário Moura –
Médico

Ainda febril com os acontecimentos do “25 de Abril” surge a comemoração do primeiro “1º de Maio” em liberdade. Era uma data que nunca deixou de ser assinalada, mas que dava normalmente aso a prisões e choques com a polícia, nos tempos da ditadura que terminara sem derramamentos de sangue. E se a alegria do momento era simbolizada pelo ar festivo e exuberante dos soldados e do povo apinhado sobre as chaimites, e com a colocação dum cravo vermelho no cano das espingardas dos militares, foi verdadeiramente comovente ver, passados quatro dias, um estádio cheio de povo exuberante, esperando pela palavra dum Mario Soares e dum Álvaro Cunhal, símbolos da resistência, regressados do exílio, e,simultaneamente voando sobre toda aquela mole de gente, a força aeria deitando uma chuva de cravos vermelhos sobre aquele povo entusiasmado – foi poético e comovente. Por sua vez, na nossa cidade, o povo veio igualmente para as ruas e percorreu os bairros da cidade, em filas compactas , de braço dado ou enlaçados sobre os ombros, de lado a lado das ruas, cantando canções dos baladeiros proibidos, do Zeca ou do P. Fanhais, e sem olhar a diferenças sociais. Respirava-se a fraternidade e a  alegria da liberdade! É uma recordação inesquecível para mim, e que se confunde de imediato com os problemas reais dos trabalhadores nestes 45 anos e, especialmente, nos dias de hoje.     Na realidade, neste quase meio século, a Europa e Portugal foram sendo impregnados por uma organização socio-política que progressivamente se tornou numa absorção do fator trabalho pelo capital reinante. Apesar disso os partidos socialistas tiveram um período importante na Europa mas , sentido-se em dificuldades, nasceu uma “segunda via” com Tony Blair, que descaracterizou o socialismo que foi perdendo posição, face ao processo da globalização, e tornando os trabalhadores como elos de produção, esquecendo a sua qualidade e dignidade de pessoas – o capital manda, o capital  e as suas organizações internacionais tudo controlam, o capital por meio dos fundos e dos bancos manejam os políticos, e apesar das organizações sindicais, a luta dos trabalhadores pela sua dignidade e pelos seus interesses foram perdendo voz ativa na vida social entrando presentemente numa crise também por sua culpa pois se partidarizaram e perderam a sua verdadeira identidade. Presentemente chega-se a uma situação , nomeu ver, insustentável, em que uma dúzia de multimilionários têm rendimentos superiores ao resto dos milhões de trabalhadores – onde vai aquela fraternidade, aquela igualdade, aquela alegria que se sentiu entre nós naquele primeiro”1º de Maio” pós revolução?

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