Festival de Setúbal quer levar música ao nível da terapia

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Músicos profissionais, outros amadores e muitas crianças vão partilhar palcos num festival que ao longo das suas nove edições é assumido como único a nível nacional por ser talhado na base da inclusão, seja qual for o nível de capacidades de quem nele participa

 

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“Diferente nos sons e conteúdos”. Assim começou por ser apresentado o programa da 9.ª edição do Festival de Música Setúbal pela presidente da Câmara, Maria das Dores Meira. Para a autarca este é um festival “único” porque consegue juntar num mesmo palco artistas nacionais e internacionais, uns conceituados, outros amadores, crianças e jovens, e ainda pessoas com necessidade especiais.

Os espectáculos decorrem em palcos montados em vários locais do concelho de Setúbal entre 23 e 26 de Maio. Paralelamente a estes, nos dias 26 e 27, realiza-se o Simpósio Música, Saúde e Bem-Estar que no primeiro dia decorre na Escola de Hotelaria de Setúbal e depois passa para o Fórum Municipal Luísa Todi.

Esta partilha de experiências e conhecimentos que reúne músicos e técnicos de desenvolvimento pessoal, passa agora a ocupar dois dias no programa. Para Ian Ritchie, director artístico do festival, é um reconhecimento da “música como terapia” e o objetivo é mesmo “fazer pressão para que seja assumida em Portugal tal como já acontece em Inglaterra”.

Organizado pela A7M – Associação Festival de Música de Setúbal, com financiamento da autarquia, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação The Helen Hamlyn Trust, esta edição do Festival de Música de Setúbal começa no palco do Fórum Luísa Todi com a cantora de jazz Beatriz Nunes num espectáculo, marcado para as 21h00, com músicos do Conservatório Regional de Setúbal e Coral Infantil de Setúbal.

Para além da consagrada cantora lírica e de jazz, o festival conta ao longo dos dias com o maestro Paulo Lourenço, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Clarence Adoo, John Kenny e Merit Ariane. São expoentes que vão ouvir-se em vários espaços do concelho em espectáculos gratuitos com inscrição obrigatória, e outros com entrada paga.

 

Dores Meira afirma que inclusão

justifica custos do festival

Somando todas as edições, Ian Ritchie referiu na apresentação do festival que ao longo destes nove anos nele já participaram “12 mil pessoas”, e a fazer uma comparação de número, reparou que em termos de percentagem estas participações representam “cerca de 10% da população do concelho de Setúbal”.

Este ano o festival inclusivo “único no País”, como dizia Maria das Dores Meira, espera reunir cerca de 1 500 crianças, seja qual for a sua condição. Inspirado no tema “Home”, o programa conta com vários estabelecimentos de ensino e instituições de todo o concelho. O fundamento é um festival que transmite valores e conhecimentos sobre “educação, saúde e inclusão social”, refere a presidente.

Em matéria de custos, para a autarca a projecção das relações sociais e direitos humanos conseguidas com o Festival Música Setúbal não pode ser medido financeiramente. “Neste caso o orçamento não se mede”, disse Maria das Dores Meira que acabou por revelar que a edição deste ano “vai para cima de 200 mil euros”, contando com apoio logístico e o envolvimento de diversos departamentos camarários.

Mas para a presidente da Câmara de Setúbal está bem claro que a matéria financeira fica na sombra quando se pretende a “participação e envolvimento de todos para alterar mentalidades”.

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