O Convento de S. Francisco (Parte II): A Casa Pia

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Giovanni Licciardello – Professor

Na semana anterior, efectuei uma breve cronologia sobre os principais acontecimentos/intervenções a que o Convento de S. Francisco foi sendo alvo, ao longo dos sucessivos anos.

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Em 1996, perspectivou-se que algo poderia ser feito para valorizar o Convento, com sua cedência à Casa Pia

Na altura, o então provedor da Casa Pia de Lisboa, Luís Rebelo, mostrava-se bastante agradado com a implementação deste projecto de natureza social, que iria receber cerca de 700 crianças da região. A dupla vantagem, ainda de acordo com o provedor, era a de que finalmente se recuperava o velho convento, mas também seriam construídos sete grandes edifícios que iriam receber os cinco lares para os alunos internos, a escola de ensino profissional e o espaço para o ensino pré-primário e infantil.

Na ocasião, Luís Rebelo acreditava que em 2002, tudo estaria pronto e a funcionar em pleno, com cursos que iriam desde a electrónica à hotelaria, de forma a garantir uma boa saída profissional aos jovens beneficiários.

Foram estabelecidos protocolos com as misericórdias e o Centro Regional de Segurança Social, com vista à captação das crianças mais carenciadas. Todas as despesas com o apetrechamento do colégio e a manutenção do complexo escolar,

Foram, entretanto, construídas, em pleno território do Parque Natural da Arrábida, e adjacentes ao Convento de S. Francisco, cinco construções, de gosto muito duvidoso (são apelidadas depreciativamente de galinheiros), mas cujo fim era meritório; iria servir como oficina e residência para jovens da Casa Pia.

Se estarão recordados, antes de serem edificados os blocos gerou-se uma grande polémica, em virtude de terem destruído toda a vegetação na área para a referida construção e, assim, danificaram uma grande parte do arvoredo, inserido em pleno Parque Natural da Arrábida.

Para a construção dos blocos, foram colocadas quantidades massivas de betão armado para consolidar os alicerces, dado o declive acentuado dos terrenos a edificar, inflacionando os custos.

Após investimentos que se cifraram em cerca de 7,5 milhões de euros, e contrariando todas as espectativas, em Maio de 2004, a Casa Pia desistiu do colégio interno em Setúbal, por considerar que os lares construídos estariam afastados do tecido social e urbano e não ofereceriam condições pedagógicas e de segurança.

A provedora da Casa Pia na época, Catalina Pestana, justificou a decisão, alegando que o projecto do novo colégio no Convento de S. Francisco teria sido concebido para um elevado número de alunos, contrariando orientações técnicas que apontavam para estruturas com poucas crianças e devidamente integradas no tecido social e urbano.

 

Por outro lado, Catalina Pestana salientou o facto dos cinco edifícios (os tais galinheiros), com capacidade para 105 alunos internos, terem sido construídos junto a uma ravina, o que poderia dar origem a problemas graves de segurança, num espaço frequentado por centenas de crianças.

Para além dos cinco edifícios para lares/dormitórios já construídos, estava também prevista uma escola pré-primária, um edifício para ensino técnico-profissional, um polidesportivo coberto, campo de jogos, piscina coberta e zonas verdes e de lazer.

O projecto previa ainda a requalificação/recuperação de uma capela, um aqueduto e uma nora, situados nos terrenos cedidos à Casa Pia de Lisboa, obras que nunca foram realizadas.

E, portanto, a administração da Casa Pia de Lisboa, liderada por Catalina Pestana, acabou por abandonar a construção do colégio.

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