Alunos da Sebastião da Gama querem escolas inclusivas

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Durante o mês de Abril os alunos do Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama, em Setúbal, desenvolveram projectos que visam a participação de todos, independentemente da sua condição. Aqui, a governante Ana Sofia Antunes aproveitou para lembrar que em Portugal existem três línguas, “língua mirandesa, língua portuguesa e língua gestual portuguesa”.    Fizeram sugestões a professores e políticos

 

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Hoje, a Inovar Autismo – Associação de cidadania e inclusão promove na Escola Básica de Vale Rosal, em Almada, a tertúlia “Diálogos de Inclusão”, entre as 17h30 e as 19h30. Trata-se de um encontro no âmbito das acções que a associação tem vindo a promover ao longo de Abril, mês que por sugestão das Nações Unidas é dedicado ao autismo.

Entretanto, na passada sexta-feira, o auditório da Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal, recebeu o encerramento das actividades promovidas pela Inovar Autismo em parceria com o Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama e o Teatro do Elefante. Um conjunto de actividades dedicadas à inclusão em diversas áreas, e promoção dos direitos humanos, envolveu 298 alunos do 1º ao 9º ano de escolaridade e professores.

“Só é possível materializar a mudança no que respeita aos direitos humanos com a inclusão das pessoas com autismo através de um trabalho sistemático com o envolvimento de todos e, principalmente das novas gerações, para a transformação da sociedade”, afirmou Ana Nogueira, presidente da Inovar Autismo na abertura do encontro onde foram apresentadas sugestões dos alunos para que “a inclusão seja tão banal que nem seja preciso falar dela”, como inferiu a secretária de Estado de Integração de Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, que ao lado do secretário de Estado da Educação, João Costa, estiveram presentes em Setúbal.

 

Actividades para todos

 

Entre demonstrações de actividades pelos mais novos, incluindo todas as crianças independentemente da sua condição, os alunos de duas turmas do 8.º e 9.º ano apresentaram as conclusões dos projectos que trabalharam para que a inclusão seja o comum da cidadania.

0uviram-se propostas como realizar acções de “formação para os professores trabalharem melhor com os alunos com deficiência, constituição de turmas integradas, remodelação dos espaços físicos das escolas para facilitar a acessibilidade de todos, utilização efectiva de materiais de ensino que promovam a adaptação de pessoas invisuais” e, ainda, a realização de “actividades desportivas que considerem a integração de todos”.

Os alunos decidiram também que a língua gestual, “para além de promover a integração, é um conhecimento útil para a vida em sociedade”. Aqui, a governante Ana Sofia Antunes aproveitou para lembrar que em Portugal existem três línguas, “língua mirandesa, língua portuguesa e língua gestual portuguesa”.

No fundo, os alunos vincaram que os direitos humanos, mais do que um objectivo têm de ser uma realidade a trabalhar já”.

A isto, Fernanda Oliveira, directora do Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama, acrescentava que “é obrigação da escola contribuir para a formação activa da cidadania, e a inclusão faz parte dessa cidadania”.

O trabalho pela cidadania e em parceria foi também destacado pelo vereador da Educação da Câmara de Setúbal. Ricardo Oliveira lembrou o lema promovido pela autarquia “Educar na Cidade e a Cidade que Educa”. Referindo-se à participação, tolerância e respeito pela individualidade e diferença, destacou que “em Setúbal aquilo desconhecemos tem de ser alvo de curiosidade e não de rejeição. Temos de entender, conhecer e agir”.

Depois de rer dito que esteve atento ao “caderno reivindicativo apresentado pelos alunos”, garantiu que a autarquia está disponível para participar nestas propostas, e não perdeu oportunidade da presença do secretário de Estado da Educação para lembrar que “precisamos de mais professores, mais auxiliares e turmas mais pequenas para se trabalhar melhor”.

Depois da secretária de Estado Ana Sofia Antunes comentar que “os alunos com deficiência devem estar incluídos em turmas regulares para que todos possam aprender novos processos, incluindo professores”, o seu colega do Governo João Costa complementou que para a inclusão ser efectiva “temos de ter conhecimentos”.

Dirigindo-se aos alunos que enchiam o auditório da Sebastião da Gama, o secretário de Estado da Educação vincou que “a inclusão não é tarefa só dos políticos e professores, começa também por vocês”, e acrescentou: não é preciso um mundo completamente novo para ser inclusivo, basta mudar este onde vivemos”.

Na cerimónia estiveram ainda presentes a directora da Segurança Social de Setúbal, Natividade Coelho, a presidente da Federação Portuguesa de Autismo, Isabel Cottinelli Telmo, a vice-presidente do Instituto Nacional de Reabilitação, Mariana Van Zeller, representação do Banco Montepio, Duarte Gomes e ainda o cantor Nelson Rosado.

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