A Rainha Isabel II no Montijo

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Francisco Correia -Historiador

No dia 16 de Fevereiro de 1957, chega à Base Aérea n.º 6, no Montijo, a Rainha Isabel II de Inglaterra, para a sua 1ª visita oficial a Portugal. A Rainha correspondia, assim, a uma visita que o Presidente da República Portuguesa, General Francisco Craveiro Lopes, tinha realizado à Grã- Bretanha, entre 20 e 28 de Outubro de 1955.

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O quadrimotor “Viscounti” tinha partido do aeroporto de Londres às 11 h e 21 m e seguiu por um corredor aéreo a cerca de 7 000 metros de altura, então designado de “a rota púrpura”, de onde as autoridades, francesas, espanholas e portuguesas concordaram afastar quaisquer outros aviões. Aterrou na Base Aérea do Montijo às 15 h 20 m e logo entrou no avião o seu esposo, o duque de Edimburgo.

O duque de Edimburgo, chegado de madrugada a Setúbal, no iate real “Britannia”, desembarcou às 14 h 15 m, para ir ao encontro da Rainha num automóvel de luxo, descapotável, um Rolls-Royce Phantom III, comprado para esta ocasião e posto à disposição da Rainha para as suas deslocações no país.

A Rainha Isabel II, acompanhada pelo duque de Edimburgo, desembarcou do avião às 15 h 25 m, na Base Aérea nº 6, situado no concelho do Montijo, sendo este concelho o primeiro dar as boas-vindas à monarca britânica, naquela que seria a sua primeira visita oficial ao nosso país.

A Radio Televisão Portuguesa registou o desembarque da Rainha, a receber os cumprimentos das entidades presentes: em representação do Governo português e o primeiro a apresentar cumprimentos estava o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof. Paulo Cunha. Numa das fotos que registam este momento, existente no Arquivo Municipal do Montijo, pode-se ver a Rainha, juntamente com o duque de Edimburgo, a receber os cumprimentos das entidades presentes: em primeiro plano, fazendo uma vénia, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Prof. Paulo Cunha, e um pouco atrás o Dr. Pedro Teotónio Pereira, Embaixador de Portugal em Londres.

O jornalista do Diário de Lisboa desse dia 16 de Fevereiro de 1957 e por palavras próprias tudo isto regista. E foi pouco o tempo que a comitiva real permaneceu na base aérea. Logo o repórter acrescenta: “À saída do edifício abre-se uma clareira de respeito e o par realengo toma o automóvel, entre uma chuva de pétalas e palmas vibrantes de todos nós, oficiais, marinheiros e jornalistas” (Diário de Lisboa. 1957, Fevereiro, 16, p.9).

Na sua viagem para a cidade de Setúbal, o casal real recebe na então vila do Montijo, a sua primeira saudação popular, em terras portuguesas. Entre as ruas da actual cidade do Montijo, um vasto cordão humano estendia-se ao longo de toda a sua zona urbana. Certamente, muitos montijenses ainda se lembram deste dia, em que as crianças de bata escolar saudaram o casal real no final da vila, junto à antiga fábrica da Mundet. O repórter local da altura descreve o ambiente vivido pela população: “Saudações ingénuas, gritos de vibração, palmas afectuosas, tudo calou profundamente no coração desta gentil figura de Rainha, cujo semblante perdurará para sempre naqueles que tiveram o prazer de a aclamar. Montijo mais uma vez soube estar presente e honrar as suas tradições.” (Gazeta do Sul, 1957, Fevereiro, 24, p. 10).

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